Notícias

3 jun, 2026

Bradesco mantém mainframe e redefine significado de modernizar com IA

Publicidade

Modernizar um banco não é desligar máquinas antigas. Pelo menos, não para o Bradesco. O banco decidiu manter o mainframe no core bancário. Ainda assim, vai integrar inteligência artificial à operação. Para quem desenvolve sistemas críticos, essa escolha merece uma análise.

A seguir, veja como o banco pensa a arquitetura. Além disso, entenda o que isso ensina sobre legado, nuvem e IA.

Modernizar não é desligar: o erro mental que o Bradesco evita

Marcelo Bergamini é superintendente sênior de tecnologia do Bradesco. Recentemente, ele contestou uma ideia comum no mercado. Segundo o executivo, modernização não significa abandonar uma tecnologia. Ou seja, o alvo é a arquitetura, e não o descarte.

Esse ponto parece óbvio. No entanto, muitos projetos começam pela troca total do sistema. Por isso, a fala dele chama atenção. Afinal, ele propõe avaliar cada tecnologia antes de migrar qualquer coisa.

Como o banco decide o que fica no core e o que vai pra nuvem

A régua é simples: criticidade. Portanto, operações de débito e crédito ficam no mainframe. Esse ambiente entrega estabilidade, robustez e performance. Já os processos periféricos seguem outra lógica.

Bergamini deu um exemplo prático. Depois de confirmar um empréstimo, o sistema gera logs. Contudo, essa tarefa não exige o mainframe. Existem alternativas mais especializadas e mais baratas. Dessa forma, o banco corta custo sem tocar no core.

Eventos na nuvem, transações no mainframe

O segredo está em separar jornadas. Assim, o que cabe em eventos vai para a nuvem. Enquanto isso, o que depende do core permanece no mainframe. Esse desenho não é novidade para arquitetos. Mesmo assim, vê-lo aplicado em um banco grande ajuda bastante.

Na prática, isso significa workloads orientados a eventos de um lado. Do outro, transações síncronas e sensíveis. Em resumo, cada carga roda onde performa melhor.

Bradesco: A camada de integração é o novo campo de batalha

Aqui mora o ponto mais interessante para devs. Quando os modelos de IA precisam de dados do core, surge um desafio. A informação vive no mainframe. Porém, a inteligência roda na nuvem. Logo, alguém precisa conectar os dois mundos.

Essa ponte exige cuidado. Middleware, orquestração e event streaming entram em cena. Inclusive, são essas plataformas que mais sentem o redesenho. Por isso, o tema interessa a quem projeta integrações.

Latência: o gargalo escondido da IA em tempo real

A IA generativa quer dados frescos. Entretanto, buscar esses dados no core custa tempo. Cada chamada entre nuvem e mainframe adiciona latência. Em cenários de tempo real, isso vira fricção. Portanto, vale medir esse atraso desde cedo.

Sem esse cuidado, agentes autônomos perdem confiabilidade. E confiabilidade é justamente o que o core exige. Assim, o redesenho deixa de ser um detalhe. Na verdade, ele vira condição para a IA funcionar.

O que o desenvolvedor leva dessa história

A tese da coexistência é defensável. Contudo, vale observar a camada de integração com atenção. É ali que latência e complexidade aparecem. Então, comece pelas jornadas menos críticas. Depois, evolua com governança e segurança.

Vale um alerta de contexto. A fala aconteceu em evento co-promovido por um fornecedor de mainframe. Isso não invalida a tese. Porém, ajuda a entender o cenário da declaração.

No fim, a lição é simples. Modernizar bem é escolher onde cada carga roda. Nem tudo precisa ir para a nuvem. E o legado, quando bem usado, ainda entrega muito valor.