A forma como consumidores buscam informações, comparam produtos e decidem compras está passando por uma transformação silenciosa e profunda.
Segundo o estudo 2026 AI and Search Behavior Study, conduzido pela agência norte-americana Eight Oh Two e divulgado pelo portal Search Engine Land, 37% das pessoas já iniciam suas buscas diretamente em ferramentas de inteligência artificial, deixando o Google em segundo plano.
Mais do que um dado isolado, a pesquisa aponta para uma mudança estrutural no comportamento de busca, o que faz o mercado cada vez mais reconhecer conceitos como o GEO (Generative Engine Optimization).
A proposta é que marcas sejam não apenas encontráveis, mas compreendidas, contextualizadas e priorizadas.
Outras conclusões da pesquisa
O estudo revela que, em muitos casos, a primeira impressão de um usuário não vem mais de um site ou anúncio, mas de um resumo gerado automaticamente por sistemas inteligentes.
Não por acaso, o material também nos mostra que:
- 47% dos consumidores usaram IA para ajudar em decisões de compra;
- 57% recorreram à tecnologia para encontrar os melhores preços;
- 54% comparam produtos que desejam comprar;
- 48% confiaram em resumos automatizados de avaliações.
Empresário brasileiro comenta novos avanços do setor
No Brasil, embora a adoção de ferramentas de IA no consumo ainda ocorra em ritmos distintos, o mercado já começa a absorver os impactos dessa mudança.
Para Felipe Cardoso, CEO da Rank Certo, agência brasileira focada em link building orientado à decisão comercial, a inteligência artificial não matou a busca, mas expôs fragilidades de modelos antigos.
“O que perdeu força foi a vantagem de apenas informar. Quando a descoberta vira resposta direta, explicar o básico deixa de ser diferencial”, afirma o especialista em entrevista.
Segundo ele, a IA tornou evidente uma separação que antes passava despercebida: a diferença entre conteúdos feitos para atrair atenção e aqueles que ajudam, de fato, a decidir.
Cardoso explica que conteúdos de captura continuam existindo, mas com valor marginal reduzido. “O conteúdo de decisão é o que reduz incerteza, elimina dúvidas reais, compara alternativas e âncora promessa, prova e consequência. Quando todo mundo informa, decide vira o gargalo”, analisa.
Para o especialista, o SEO não desapareceu, mas se tornou mais rigoroso. “Aparecer continua possível, mas aparecer não garante ser escolhido. A IA apenas escancarou a fragilidade de um modelo baseado em volume, não em clareza”, completa.
Se antes o desafio era ser encontrado, agora passa a ser entendido, comparado e lembrado. Em um ambiente em que a IA organiza o mundo para o consumidor, o diferencial parece migrar da informação para algo mais escasso, além de, claro, mostrar que uma marca ou pessoa não é “só mais uma”.


