ChatGPT e Gemini impulsionam crescimento das IAs no Brasil
A inteligência artificial deixou de ser uma tendência e se consolidou como uma realidade no comportamento digital em 2025. Como resultado, passou a atuar como uma nova interface de acesso à informação.
De acordo com a Retrospectiva Digital 2025, da Comscore, plataformas baseadas em IA estão redefinindo a forma como usuários consomem conteúdo, interagem com marcas e tomam decisões. Além disso, esse movimento não é pontual — ele representa uma mudança estrutural no ambiente digital.
Crescimento acelerado no uso de assistentes de IA
Os dados mostram um avanço expressivo no uso dessas ferramentas ao longo do último ano.
- O ChatGPT registrou um crescimento de 176% nas visitas via desktop entre janeiro e dezembro de 2025.
- Já o Gemini apresentou uma alta ainda mais significativa, com crescimento de 501% no mesmo período.
Além disso, o número total de usuários também aumentou de forma relevante. Em dezembro de 2025, 44,9 milhões de pessoas interagiram com assistentes de IA no Brasil.
Esse número representa um crescimento de 61% em relação aos 27,9 milhões registrados no ano anterior. Portanto, fica evidente que a IA deixou de ser nicho e passou a fazer parte da rotina digital.
IA como novo “gatekeeper” da informação
Com esse crescimento, surge uma mudança importante na dinâmica da internet. Ou seja, a inteligência artificial começa a assumir o papel de “gatekeeper” da informação.
Tradicionalmente, mecanismos de busca e redes sociais definiam quais conteúdos seriam mais visíveis. No entanto, agora, respostas geradas por IA passam a influenciar diretamente essa visibilidade.
Consequentemente, o usuário deixa de navegar entre vários links e passa a consumir respostas prontas. Isso reduz etapas na jornada, mas também centraliza o poder de distribuição de conteúdo.
Outro dado reforça essa transformação:
O acesso a grandes varejistas por meio de plataformas de IA cresceu 181% entre setembro de 2024 e setembro de 2025.
O impacto na audiência e descoberta de conteúdo
Por outro lado, essa nova dinâmica também abre oportunidades para expansão de alcance.
Um exemplo citado no relatório envolve o The Guardian. Menções ao veículo em ambientes de IA geraram um potencial de mais 2,2 milhões de usuários adicionais.
Desses, 1,2 milhão não havia acessado o site anteriormente. Ou seja, a IA não apenas concentra, mas também redistribui audiência.
No total, isso representa um aumento de 118% na audiência incremental. Portanto, empresas e publishers que se adaptarem a esse novo cenário podem ampliar significativamente sua visibilidade.
Perfil de uso da IA no Brasil
O comportamento do usuário brasileiro também revela padrões importantes.
Primeiramente, a faixa etária entre 25 e 34 anos concentra a maior adoção dessas ferramentas. Isso indica que profissionais em fase ativa de carreira estão liderando essa transformação.
Além disso, o desktop ainda domina o acesso, sendo responsável por 48% das interações com plataformas de IA. Esse dado sugere um uso mais voltado ao ambiente de trabalho e produtividade.
Dentro desse cenário:
- O ChatGPT lidera em alcance no Brasil
- O Gemini se destaca como o de crescimento mais acelerado
Mudança na jornada do usuário
Mais do que números, o avanço da IA representa uma mudança profunda na jornada digital.
Antes, o usuário pesquisava, comparava e navegava entre diferentes fontes. Agora, por outro lado, ele recebe respostas consolidadas, rápidas e contextualizadas.
Dessa forma, a experiência se torna mais eficiente. No entanto, também reduz o contato direto com múltiplas fontes de informação.
Isso impacta diretamente estratégias de SEO, marketing digital e produção de conteúdo. Afinal, não basta mais estar bem posicionado no Google — é preciso ser relevante dentro das respostas geradas por IA.
O futuro da descoberta digital
Segundo Ingrid Veronesi, Country Manager da Comscore no Brasil, estamos diante de uma transformação estrutural.
“A centralização promovida pela IA transforma a busca tradicional, tornando-a mais imediata, contextual e integrada à experiência digital.”
Em outras palavras, o acesso à informação passa a ser mediado por novos pontos de influência ao longo da jornada do usuário.
Conclusão
A ascensão da inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica — é uma mudança no comportamento humano.
Portanto, empresas, marcas e produtores de conteúdo precisam se adaptar rapidamente. Quem entender esse novo cenário primeiro terá vantagem competitiva.
Afinal, no novo ecossistema digital, não basta ser encontrado. É preciso ser escolhido pela inteligência artificial.




