Não é novidade que o mercado de tecnologia está enfrentando o maior déficit do século: a falta de profissionais qualificados. Para se ter uma ideia, de acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a área de TI demandará cerca de 420 mil especialistas até 2024, mas o número se contrapõe à baixa quantidade de formação de mão de obra anual.
Nesse cenário, existem dezenas de cargos e nomenclaturas que compõem o clã dos “devs” mais desejados por empresas de tecnologias ou que estão digitalizando, o desenvolvedor front end, por exemplo, tem sido de extrema importância para as companhias, pois atua com foco total no usuário. No entanto, o bom desempenho desse profissional é essencial para criar grandes experiências, otimizar a estratégia de SEO e gerar conversões positivas.
Para a construção de sites, apps e softwares cada vez mais rápidos, é preciso se atentar às métricas de sua atuação. Os três principais pontos a serem considerados para avaliar o desempenho do front end estão ligados ao primeiro aparecimento de conteúdo, índice de velocidade da página e o tempo que ela se mantém interativa.
Para analisar esses três quesitos é necessário orientar-se por meio de dados, se acostumar a aperfeiçoar continuamente e a construir uma cultura de teste e otimização de performance. Mas como esses critérios funcionam? E como obter esses dados?
O primeiro aparecimento de conteúdo é uma métrica importante, pois registra a primeira vez que os usuários vêem algo no site. No geral, trata-se do HTML bruto, sem fontes e imagens personalizadas. A área visual provavelmente mudará um pouco desde o primeiro conteúdo visível até toda a página ser renderizada com imagens e conteúdo.
Já o índice de velocidade da página, também conhecido como Speed Index, refere-se ao tempo que leva para o conteúdo de uma página ser preenchido visivelmente, ou seja, para que pareça pronto aos olhos do usuário. É uma das métricas mais importantes, pois mesmo que haja outras coisas carregando em segundo plano, a página parece pronta e é isso que importa para uma boa experiência de navegação.
É importante lembrar que o índice de velocidade varia de página para página, depende da conexão do usuário final e do dispositivo utilizado. Sendo assim, ao medir esses dados, é necessário pensar em um conjunto sensato de cenários predefinidos que gostaria de abordar. Por exemplo, do ponto de vista da performance em relação à velocidade, a experiência de alguém acessando por uma conexão de fibra é diferente de quem acessa por uma conexão 3G, por exemplo.
Por fim, o tempo que a ferramenta leva até ficar interativa é também uma métrica fundamental a considerar, pois se dá pelo tempo da interação. Este é o período em que o usuário final deve esperar até que possa realizar interações no site, como cliques em botões e rolagem. É o momento crucial para que a página esteja pronta (índice de velocidade da página) até ela se tornar realmente interativa, sem correr o risco de entregar falsos parâmetros.
Vamos imaginar que tenha um botão na página que precisa do JavaScript de um pacote robusto para carregar e avaliar, mas ele basicamente não faz nada além de confundir o usuário até que a página se torne interativa. É o mesmo que comunicar: “Eu te dou este botão, mas quando você clicar nele, vou te ignorar”.
Para entender melhor essa métrica e o quanto ela afeta a experiência durante a navegação, imagine que em uma parede tijolos será feita uma abertura para as pessoas passarem, mas enquanto não fica pronta, apenas uma pintura realista foi entregue. Se uma pessoa tentar passar pela “abertura” desenhada, ela vai dar com a cara em tijolos. Ou seja, não preciso dizer o quão ruim isso é para o usuário.
Em linhas gerais, essas três métricas são as mais importantes para a medição de performance do front end de um site ou aplicação pensando na experiência do usuário. Esse desempenho é um fator importante na concepção de produtos digitais. Há ainda um conjunto de outras métricas que são possíveis de se obter para avaliar melhor um projeto, mas todas servem para um propósito em comum: aumentar a velocidade e entregar uma melhor experiência para o usuário final.
Mais do que nunca, é válido destacar que ao melhorar o desempenho do front end, também será necessário acompanhar a performance do back end. Mas, em todo o caso, as duas partes trabalharão em conjunto para a entrega de um produto final sólido. E, lembre-se, milissegundos importam!




