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Internet das Coisas: estamos apenas no começo?

11 dez, 2013
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O termo “Internet of Things” (IoT), ou, a Internet das Coisas, vem ganhando muito espaço na mídia. Existem inúmeras previsões, otimistas e pessimistas, do impacto do advento dessa nova e impressionante tecnologia.

O IoT dita que em um futuro próximo as “coisas” que fazem parte do nosso dia-a-dia estarão conectadas à grande rede mundial de computadores. Trabalhando em conjunto com sensores, atuadores e tags inteligentes, terão a capacidade de trocar dados e informações com outros equipamentos e com pessoas.

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Suas implicações se tornam assombrosas quando futuristas apontam que até mesmos o corpo humano e seus órgãos fazem parte destas “coisas” que receberão esse “dom” da inteligência. Ou seja, em vez de acessarmos um número de IP de um web server qualquer, poderíamos acessar o número IP dos nossos órgãos.

Apesar das implicações até éticas que o uso massivo da IoT poderia acarretar, esse termo não é totalmente novidade. Há cerca de uma década, Mark Weiser já citava o termo “Computação Ubíqua”, que era a soma de dois outros termos: “Computação Móvel” e “Computação Pervasiva”. Resumindo, essa teoria indica o uso da computação de uma forma inconsciente pelos seres humanos. As máquinas é que irão nos servir, não precisaremos mais nos sentar à frente de um notebook e este ser o centro das atenções.

O termo “A Internet das Coisas“ só foi citado no ano de 1999, em uma apresentação feita por Kevin Ashton em uma conferência. Porém, a expressão só ganhou força a partir do ano de 2009, quando o número de objetos (coisas) com acesso à rede ultrapassou o número de pessoas com acesso à Internet. E essa diferença só tende a crescer.

Pesquisas apontam que em 2015 existirão 15 milhões de dispositivos conectados à Internet, e esse número subirá para 50 bilhões em 2020. Sem contar a previsão de que, nesse mesmo ano, cada pessoa terá, em média, 10 dispositivos em sua posse. Isso são projeções fantásticas se levarmos em conta que o número de habitantes na Terra está próximo dos 7 bilhões.

Chegamos a um ponto em que se produz mais transistores por ano do que grãos de arroz. A afirmação foi feita por Cesar Taurion no The Developer Conference 2013, realizado em São Paulo. Transistores são componentes extensamente difundidos em microchip. O core i7, por exemplo, um dos últimos processadores da família Intel, conta com mais de 700 milhões de transistores.

Mas uma resposta ainda não está clara: por que em 2013 esse termo ganhou proporções gigantescas, acompanhado de outras palavras e vocábulos, como Arduino, Raspberry Pi, mini-pcs e “Do It Yourself”?

Começando pelo Arduino, uma placa com um microcontralador ATMega que uniu muitos programadores e profissionais da eletrônica em prol de um objetivo comum e tornou o desenvolvimento de experimentos, “hackings”, automatização e até mesmo a criação de robôs um processo muito mais fácil, basicamente porque trouxe um projeto open source e open hardware, escondendo a maior parte da complexidade de se trabalhar com uma tecnologia de baixo nível.

Mas o Arduino ainda é uma placa de uma tarefa só, não existe multi-threading, suas interrupções são limitadas e faltava alguma coisa. Essa lacuna foi preenchida com o Raspberry Pi, um computador compacto com um chip ARM e acesso à Internet. Dessa maneira, une-se o controle dedicado e competente do Arduino a um computador pequeno o suficiente para ser usado em projetos de automação residencial, por exemplo.

A ideia deu tão certo que gerou uma onda de mini PCs. Além do Raspberry Pi, temos diversas opções no mercado atualmente. Um dos mais utilizados é o BeagleBone. O Ninja Block fez a união desse computador com um Arduino e disponibiliza um ambiente de desenvolvimento baseado em regras que aceleram consideravelmente a automatização de domicílios.

Baseado em todos esses fatores, é compreensível a “fama” aparentemente repentina que a Internet das Coisas ganhou. Porém, sabemos que não é uma ideia nova e, também, devemos saber que esse processo não tem mais volta e mudará em grande escala a forma como vivemos, nos comunicamos e, principalmente, como os nossos objetos “inanimados” serão tratados.

Para finalizar, basta dizer que nem chegamos a citar a possibilidade da nanotecnologia, do biohacking e do conceito de pós-humano e linguagem de programação baseadas na construção de DNAs. Grandes avanços nos esperam!

 Artigo publicado originalmente na Revista iMasters #8: http://issuu.com/imasters/docs/revista-imasters-8