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Entendendo a interface como uma forma de linguagem

PorAlex Lattaro em

Introdução

Sempre que vamos desenvolver um software precisamos pensar nos requisitos do usuário, do sistema, nos stakeholders e em como todos estes personagens irão interagir com o sistema computacional. Um método interessante para ser usado é o método de articulação de problemas baseado na semiótica organizacional, e é disso que iremos falar neste artigo.

Você pode estar se perguntado por que estamos falando de semiótica, e talvez até mesmo, o que é semiótica.

Segue a definição de Charles Peirce:

“semio para Charles S. Peirce 1839-1914, teoria geral das representações, que leva em conta os signos sob todas as formas e manifestações que assumem (linguísticas ou não), enfatizando esp. a propriedade de convertibilidade recíproca entre os sistemas significantes que integram.”

Agora, por que semiótica?

Computadores são máquinas simbólicas construídas e controladas por meio de sinais. A informação nesta máquina é conduzida por meio de signos e o sistema de informação é um sistema que gerencia e processa signos, ou seja, ele traduz signos para diferentes níveis de abstração. Podemos dizer que a semiótica ajuda no entendimento das maneiras que pessoas usam signos para todos os tipos de propósitos.

Assim, devemos partir do princípio que sistemas de informação são uma representação simbólica da realidade. Para podermos lidar com isso de forma correta, é necessário entender como os signos são criados, usados e comunicados no contexto social de um grupo de pessoas, ou dentro de uma organização.

Um signo, na escola Peirciana de semiótica é representado por três pontos, o objeto, o receptor e o interpretante. O objeto é o artefato, o receptor é a pessoa que lidará diretamente com o artefato, e o representante é o signo propriamente dito.

Entendendo a interface como uma forma de linguagem

Tendo isso em mente devemos partir para os próximos passos que são entender melhor a natureza da informação, como a informação será representada, e por fim, melhorar a análise e o design.

Semiótica organizacional

Podemos entender que o comportamento organizado é composto pela comunicação e interpretação de signos por pessoas, estejam elas representadas em grupos ou individualmente. O documento da organização semiótica propõe opções de analisar, descrever e explicar a estrutura e o comportamento organizacionais.

Vejamos o seguinte exemplo, a cebola semiótica.

Entendendo a interface como uma forma de linguagem

Explicando a imagem, todo artefato tecnológico projetado para uma organização, pressupõe um sistema formal que depende de um sistema informal. Por exemplo, um sistema é projetado para automatizar uma tarefa baseada em regras. Estas regras dependem desta tarefa que é parte de um sistema informal composto por significados, responsabilidades e compromissos.

Modelagem prática

MEASUR – Methods for Eliciting, Analysing and Specifying User’s Requirements

Este método de modelagem nos permite especificar requisitos para o desenvolvimento de software. Ele é baseado nos seguintes princípios:

PAM – Problem Articulation Method
É um método analítico no qual se quer compreender o problema e seus desdobramentos. Técnicas do tipo storytelling e brainstorming também podem ser utilizadas.

SAM – Semantic Analysis Method
Aqui temos uma técnica de síntese. Após compreendidas as necessidades, temos que criar uma modelagem. Outros exemplos de técnicas são design patterns, brain draw e brain writing.

NAM – Norm Analysis Method
Esta técnica é muito parecida com a anterior, porém, aqui a ideia é deixar o passo acima ainda mais normalizado.

Análise de comunicação e controle
Analisar como as informações entre as áreas estão sendo transmitidas e o ciclo de avaliação, síntese e análise.

Análise de meta sistemas
Aqui devemos avaliar o meta-modelo desenvolvido baseado na simbologia da cebola semiótica. Porém, devem ser levados em consideração a análise, a síntese e a avaliação.

Stakeholders

Os stakeholders, por mais que estejam alinhados, possuem expectativas diferentes em relação ao sistema. É importante descrever as características pelas quais as diferentes partes envolvidas estão interessadas. Abaixo segue um modelo e um quadro de avaliação que pode nos fornecer a situação atual e nos possibilitar entender as expectativas dos envolvidos.

Entendendo a interface como uma forma de linguagem

Partes interessadas Problemas e questões Ideias e soluções
Contribuição:
Atores, responsáveis
Fonte:
Clientes, fornecedores
Mercado:
Parceiros, concorrentes
Comunidade:
Espectador, legislador

Para esclarecer a relação entre a dimensão técnica e a dimensão humana dos sistemas, Stamper criou um artefato chamado escada semiótica. Com este artefato é possível definir informação como signos, e organizar os aspectos deste signos segundo relações que podem ser realizadas com e por meio deles.

Entendendo a interface como uma forma de linguagem

Os degraus referentes ao mundo físico, empírico e sintático são propriedades físicas dos signos, eles representam as formas como eles são organizados e expressados. Os degraus semântico, pragmático e mundo social se relacionam no uso dos signos, em como eles funcionam no significado da comunicação.

O exemplo lúdico do telefone

Camada física: os telefones precisam estar conectados por meio de uma linha telefônica através de um provedor de serviços telefônicos.

Camada empírica: os sinais de voz são convertidos em sinais eletrônicos ou ópticos e transmitidos entre dois ou mais telefones.

Camada sintática: as pessoas envolvidas na ligação devem executar uma sequência de ações para completar a tarefa.

Camada semântica: a sequência e o conteúdo da conversa precisa fazer sentido para todos os participantes.

Camada pragmática: interpretação da pessoa falante, da pessoa ouvinte e do relacionamento. É entendido quem fala e com quem a pessoa fala.

Mundo social: compromissos e obrigações podem ser criadas, ou descartadas, de acordo com o resultado da conversa.

Conclusão

O intuito de passar por toda esta etapa em uma análise de requisitos é conseguirmos criar um software mais robusto, em termos de design. Toda boa comunicação, independente da língua, da linguagem ou da interface é baseada na consistência entre o que é de fato dito e o que é de fato entendido. É possível perceber que o designer de interface precisa se comunicar com o usuário por meio de uma meta comunicação que é mais facilmente compreendida se a simbologia e a significância dos artefatos for o mesmo.

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