Carreira Dev

5 jan, 2007

Metodologias de qualidade em TI

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O setor de Tecnologia da Informação transforma-se
rapidamente a cada dia, criando e recriando conceitos, paradigmas,
formas diferentes de se analisar antigos problemas. Estas mudanças
estimulam o surgimento de metodologias, com novos padrões
de qualidade organizacional.

Atualmente, quando se aborda a questão da gerência
de projetos, se pensa rapidamente em PMI (Project Management
Institute) e em sua conceituada certificação PMP
(Project Management Professional), concedida a profissionais
que atuam na área. O fato é que a valorização
das certificações deve-se, sobretudo, ao reconhecimento
que o mercado profissional oferece aos profissionais que estão
alinhados com as melhores práticas disseminadas pelo mundo.

Sob esta ótica, mais vale um profissional conhecedor
das práticas nas grandes empresas do que um mestre (ou
doutor), que possui um grande reconhecimento no meio acadêmico,
mas nem sempre consegue acompanhar ou estar alinhado com os exercícios
de mercado. Portanto, uma questão que surge desta análise é sobre
o conteúdo adquirido por uma pessoa que se capacitou e
conseguiu a certificação PMP; e o conteúdo
adquirido por um mestre em TI. Porém, antes de responder
esta pergunta, é preciso expandir o universo de investigação.

Devido ao crescente investimento em qualidade em TI, existem
hoje várias outras metodologias disseminadas e aplicadas
nas organizações. Analisando as metodologias padrões
amplamente implementadas não só em TI, mas também
em outros setores, identificam-se as normas ISO (promoção
do desenvolvimento da normalização), o Six Sigma
(programa de qualidade), o CMMI (definição das
melhores práticas de engenharia de software), a ITIL (modelo
de biblioteca de conhecimento em TI) e o RUP (processo de desenvolvimento
de software), dentre outras.

Por trás destas metodologias, há um órgão
padronizador do conteúdo, que visa, não apenas
a definir modelos, como a promover sua evolução,
através do conhecimento adquirido pela aplicação
dessas técnicas no mundo real. Uma empresa pode possuir
um certificado ISO 9001, avaliação CMMI nível
3 ou superior, implementação de práticas
da ITIL e iniciativas de melhorias baseadas em Six Sigma. Para
a organização, isto não se trata de um diferencial
competitivo, mas algo necessário para se manter ou se
expandir.

Porém, as empresas têm focado cada vez mais a prática
de contratar pessoas qualificadas e certificadas nessas metodologias.
Por isto, é dado um grande valor a algumas certificações
profissionais, como PMP, Black Belt, Master Black Belt, Green
Belt, ITIL Foundation e CFPS (Certified Function Point Specialist),
dentre outras. E, certas vezes, é mais útil para
uma organização um profissional certificado ITIL
do que um mestre ou doutor em TI.

Num processo de licitação ou participação
numa RFP (Request For Proposal), por exemplo, uma empresa obtém
grande pontuação se possuir certificados e contar
com pessoas certificadas nessas metodologias globais em seu quadro
de funcionários. Porém, vale ressaltar que títulos
de mestre e doutor ou funcionários que possuem MBA’s
ou outras especializações em centros de ensinos
de renome não são vilipendiados pelo mercado. Há,
sim, um grande reconhecimento aos profissionais que têm
tais títulos, e as organizações também
ganham pontos por manter mestres e doutores muito bem qualificados
em seus quadros.

Dessa forma, profissionais devem equilibrar investimentos em
educação formal e certificações de
mercado. Entretanto, acima de tudo, devem adquirir experiência
em empresas que possuem um sistema de gestão da qualidade
implementado e que investem em seus funcionários.

Observando a estrutura de cada uma das metodologias mencionadas
anteriormente, pode-se verificar um denominador comum entre elas.
Todas tratam, em primeiro lugar, de processos. Qualquer organização
bem-sucedida possui processos muito bem definidos, com seus fluxos
documentados. Também deve possuir métricas que
lhe permitam avaliar sua eficiência e indicadores de seus
processos que suportem as tomadas de decisão táticas
e estratégicas. E, para garantir que os processos sejam
seguidos e os indicadores coletados conforme planejado, há que
se ter uma gerência efetiva nas organizações. É preciso,
também, que sejam realizadas estimativas e a criação
de baselines. Há que se executar, ainda, o processo
para, posteriormente, fazer seu monitoramento e controle, através
de suas métricas.

Ou seja, por trás de todas estas metodologias – PMI,
ISO, Six Sigma, CMMI, RUP, ITIL – estão antigos conceitos
fundamentais. A questão é: toda e qualquer metodologia
possui um grande valor agregado por trás de suas teorias,
que proporciona uma amplitude de visão para tratar os
antigos problemas e, possivelmente, novos problemas gerados pela
evolução tecnológica ou necessidade crescente
por níveis mais elevados de qualidade. Pequenas empresas,
que geralmente não conseguem investir nestas certificações
oficiais devido aos seus valores impeditivos, podem focar na
trilogia Processos-Métricas-Gerência para se estruturar
e apresentar qualidade em suas operações.

Dessa forma, para uma empresa obter êxito sob todos
os aspectos de qualidade, esta deve possuir um grande direcionamento
em seus processos, com métricas que suportem tomadas de
decisão e uma gerência pró-ativa. E isto
só se atinge com experiência, com definição
de processos enxutos, que realmente reflitam o que é feito
nas organizações e não sejam meramente documentos
administrativos. É preferível utilizar poucos indicadores
que dizem muito sobre a organização a muitos indicadores
que retratam pouco sobre a empresa. E, sobretudo, é necessário
atuar com profissionais certificados e boa formação
acadêmica em todas as áreas da empresa.