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1 jun, 2026

Além da Transação: Uma Nova Visão para a Prevenção de Fraudes e Ataques Cibernéticos

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O avanço contínuo da digitalização trouxe inúmeros benefícios, mas também aumentou drasticamente os riscos relacionados à segurança digital. As organizações enfrentam um cenário de fraudes e ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados, rápidos e difíceis de detectar. Diante desse desafio, a adoção de estratégias avançadas de Enterprise Fraud Management (EFM), com forte embasamento na análise de dados, tornou-se essencial para garantir a proteção dos ativos digitais e financeiros das empresas.

Temos uma necessidade obrigatória, para quem quer se manter com qualquer vantagem competitiva, da adoção de abordagens integradas para prevenção de danos à experiencia do usuário. Estamos diante de um contexto que levantou ameaças híbridas, criando o cenário perfeito para a convergência entre segurança da informação e prevenção à fraude em um único tema estratégico: a Segurança Digital.

Fraudes e Ataques Cibernéticos: Uma Ameaça Híbrida

Tradicionalmente, fraudes financeiras e segurança da informação eram vistas como áreas distintas, isoladas por silos organizacionais. Fraudes eram consideradas problemas do “negócio”, enquanto vulnerabilidades técnicas eram vistas como problemas exclusivos da TI. No entanto, essa divisão artificial não reflete mais a realidade. O fraudador moderno utiliza falhas técnicas como porta de entrada para realizar operações fraudulentas complexas, exigindo uma resposta mais integrada e inteligente das organizações.

Os fraudadores passaram a se comportar como seus melhores clientes, explorando de forma acelerada todos os recursos, fluxos de atendimento, vulnerabilidades de integração e fragilidades dos canais digitais, seja por API ou pelo aplicativo. Os ataques deixaram de ser baseados em força bruta e evoluíram para uma atuação camuflada, contínua e cada vez mais sofisticada.

Ataques híbridos, que combinam técnicas de exploração de vulnerabilidades técnicas e estratégias de fraude financeira, são cada vez mais comuns. Fraudadores hoje utilizam técnicas sofisticadas como inteligência artificial avançada, bots automatizados e aprendizado de máquina para explorar vulnerabilidades, transformando incidentes técnicos em perdas financeiras significativas.

Um exemplo sobre o aumento da superfície de ataque, posso comentar sobre a adoção acelerada da inteligência artificial no atendimento comercial, que trouxe uma redução expressiva do tempo médio de resposta, gerando entusiasmo pela aparente eficiência operacional. Entretanto, muitas empresas negligenciam o monitoramento adequado do viés desses atendimentos automatizados. O que inicialmente parece um ganho pode, na verdade, esconder um aumento significativo em interações artificiais ou automatizadas, realizadas especificamente para explorar vulnerabilidades e fragilidades das respostas automáticas. Em diversos casos, essas interações são conduzidas por outras IAs multiplicando rapidamente os riscos ocultos e dificultando ainda mais a identificação e a mitigação de ataques camuflados ou manipulações intencionais.

Atualmente, além da falsificação de documentos, a abordagem dos fraudadores passam a contar com exploração de vulnerabilidades de APIs, engenharia social digital, Deep Fake e fragilidades dos microsserviços.

A Importância Crucial da Análise de Dados

A análise de dados é o coração das soluções modernas de segurança digital. Ela permite às organizações não apenas detectar padrões de comportamento anormais, mas também prever e prevenir ameaças antes que ocorram. As plataformas de Enterprise Fraud Management utilizam técnicas avançadas de analytics para monitorar continuamente todas as transações e interações, cruzando informações transacionais históricas, dados contextuais e fontes externas.

Essas plataformas também realizam análise comportamental avançada, monitorando padrões como a velocidade de digitação, comportamento do mouse, localização geográfica e hábitos de acesso. Qualquer desvio detectado pode gerar alertas imediatos, exigindo etapas adicionais de autenticação ou até mesmo bloqueio automático da atividade suspeita. Assim, a análise de dados não apenas protege, mas melhora a experiência dos usuários legítimos, reduzindo falsos positivos e atritos desnecessários.

A atuação reativa dos centros de monitoramento de segurança, frequentemente sobrecarregados por alertas em excesso, muitas vezes não consegue antecipar ataques direcionados aos clientes, concentrando-se apenas nos grandes eventos ligados à infraestrutura. Da mesma forma, equipes de prevenção a fraudes frequentemente se limitam ao atendimento reativo de reclamações, deixando em segundo plano a recalibração contínua dos mecanismos de monitoramento preventivo, que deveriam ultrapassar a análise transacional, alcançando também as camadas de aplicações e APIs.

É preciso mudar a tática. Uma conclusão óbvia do time de produtos, que é preciso ser incorporada pelas áreas de controles.

Indo Além do Monitoramento Tradicional: Abordagens UEBA

A evolução das ameaças digitais requer extrapolar o monitoramento tradicional das transações para uma análise ainda mais ampla e proativa. Soluções avançadas incorporam abordagens de User Entity Behaviour Analysis (UEBA), que monitoram não apenas as transações, mas também o comportamento individualizado dos usuários e dispositivos. Essa análise profunda permite uma compreensão granular dos padrões normais e anormais de utilização dos recursos digitais.

A UEBA integra técnicas de machine learning para criar perfis comportamentais detalhados de cada usuário e entidade, identificando desvios sutis e mudanças no comportamento que podem indicar atividades fraudulentas ou comprometimento. Além disso, ao acompanhar continuamente a identidade digital dos dispositivos, as empresas podem identificar rapidamente tentativas de acesso não autorizado provenientes de dispositivos suspeitos ou comprometidos, aumentando consideravelmente a eficácia preventiva e reduzindo os riscos financeiros e reputacionais.

Também gosto de destacar a utilização de técnicas avançadas, como o Device Fingerprint, onde é possível identificar rapidamente sinais de comprometimento na relação digital do usuário, criando um histórico detalhado e difícil de ser camuflado pelos fraudadores. Hoje, já é possível monitorar com precisão se um mesmo dispositivo está acessando múltiplas contas, identificar acessos simultâneos ou sequenciais em diferentes localizações geográficas, detectar a presença de aplicativos maliciosos instalados e até mesmo validar se o dispositivo já foi reconhecido como comprometido pelo mercado. Essa abordagem permite às empresas atuar preventivamente, reduzindo significativamente o risco associado às transações digitais.

Enterprise Fraud Management (EFM) como Estratégia Integrada

Uma das abordagens que acredito muito, está ligada à abordagem EFM, que definitivamente não opera isoladamente. Ela integra dados transacionais, contextuais e técnicos para criar uma defesa robusta contra fraudes e ameaças cibernéticas. As funcionalidades essenciais incluem:

  • Integração de Dados: Permite a ingestão e correlação de dados de múltiplas fontes, como sistemas internos, registros públicos e feeds externos, criando uma visão completa do cenário de risco.

  • Análise Comportamental: Avalia continuamente as interações dos usuários para identificar desvios comportamentais suspeitos em tempo real.

  • Pontuação de Risco: Atribui automaticamente uma pontuação às transações, determinando a criticidade e definindo a ação a ser tomada, desde a aprovação automática até o bloqueio imediato.

  • Detecção em Tempo Real: Utiliza inteligência artificial e aprendizado de máquina para detectar e interromper atividades fraudulentas imediatamente, antes que causem prejuízos.

  • Alerta e Gerenciamento de Casos: Facilita o rastreamento, investigação e resolução rápida de casos suspeitos, reduzindo o tempo de resposta e aprimorando continuamente os modelos analíticos.

No entanto, não podemos criar ilusões comerciais baseadas em soluções mágicas. Nenhuma solução pronta, adquirida diretamente do mercado, conseguirá compreender plenamente a complexidade do seu negócio em um curto período. É essencial investir em um processo colaborativo de adaptação e refinamento, garantindo um equilíbrio adequado entre o nível de controle e uma experiência aceitável para o cliente. Além disso, é fundamental definir claramente o apetite ao risco, especialmente durante as fases de implementação e sustentação contínua das soluções.

Rompendo os Silos: Sinergia em Segurança Digital

Dessa forma, a verdadeira eficácia da Segurança Digital depende da integração entre segurança da informação e antifraude, com olhar especial sobre a convergência tecnológica que tende a aumentar. Isso significa romper os silos organizacionais tradicionais, permitindo que equipes de segurança técnica e antifraude compartilhem continuamente dados, insights e estratégias. Vulnerabilidades técnicas devem ser interpretadas como riscos potenciais de fraude, enquanto anomalias comportamentais podem indicar brechas técnicas não detectadas.

Essa sinergia cria uma defesa preventiva poderosa, permitindo ações proativas que reduzem significativamente a janela de exposição ao risco. Em vez de reagir após incidentes isolados, uma estratégia integrada permite que as empresas antecipem ameaças e atuem preventivamente, protegendo seus clientes e ativos financeiros de maneira mais eficaz e sustentável.

Conclusão: Evite o Egocentrismo para Segurança Digital

Se você é um profissional de prevenção a fraudes e nunca interagiu diretamente com o pessoal de Segurança da Informação (Ciberseguranca), ou vice-versa, fique atento(a). Esse isolamento pode ser fatal em um ambiente cada vez mais integrado e digital. A falta de comunicação e colaboração entre essas áreas cria vulnerabilidades críticas, permitindo que ataques sofisticados passem despercebidos até que seja tarde demais.

A adoção de uma abordagem integrada de Segurança Digital, baseada na análise de dados avançada e soluções Enterprise Fraud Management, é crucial para enfrentar o atual cenário de ameaças híbridas. As organizações precisam romper silos internos, promovendo uma cultura colaborativa e analítica que permita uma defesa dinâmica, adaptativa e inteligente contra fraudes e ataques cibernéticos.

Investir nessa estratégia não é apenas uma questão tecnológica, mas um imperativo de negócio. Empresas que reconhecerem essa necessidade estarão mais bem equipadas para proteger seus clientes, manter sua reputação e assegurar a continuidade operacional em um ambiente digital cada vez mais complexo e desafiador.