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Entendendo como funciona o Restful de verdade

PorFernando Monteiro em

Hoje é muito comum desenvolvedores front-end serem questionados sobre como consumir APIs utilizando Restful, porém muitos não sabem os fundamentos por trás dessa arquitetura e, muitas vezes, aquilo que você imagina ser um Restful não passa de um retorno em JSON ou XML. Saiba que Restful é muito mais do que isso, e você deve começar a utilizá-lo da maneira correta.

Restful e as restrições

O padrão Restful confere 6 restrições à sua arquitetura, quee por sua vez define os padrões de utilização de uma API Restful. São elas:

• Uniform Interface • Stateless • Cacheable • Client-Server • Layered System • Code on Demand

Cada um desses pilares deve ser respeitado e utilizado, apenas o último é opcional, e é nele que você, desenvolvedor front-end, trabalha! Isso mesmo, pois essa é a camada do cliente e geralmente manipulada através do uso de JavaScript e das famosas bibliotecas MVC, como Angularjs, Emberjs, entre outras.

Não sabia? Estude mais um pouco, mas não se preocupe, muitos dev back-end também não sabem disso.

Não vou detalhar uma a uma, mas todas elas são:

Uniform Interface define a interface base de acesso entre o cliente e o servidor, que por sua vez possui 4 princípios extremamente importantes:

  • Baseado em recursos (Resource Based), ou seja, URI de acesso.
  • Manipulação de recursos utilizando representações (Manipulation of Resources Through Representations), ou seja, manipular dados utilizando os verbos HTTP.
  • Mensagens autodescritivas (Self-descriptive Messages), ou seja, cada mensagem inclui informações suficientes para descrever como processar a mensagem.
  • Hypermedia as the Engine of Application State (HATEOAS) – esse é um dos segredos; o cliente envia informações via: body content, query-string parameters, request headers e caminho do recurso (URI), e o servidor, por sua vez, envia as informações via: body content, response codes, and response headers.

HATEOS também significa que, se necessário, o retorno pode conter links nos cabeçalhos (headers) para fornecer a URI uma maneira de recuperar o objeto em si ou objetos relacionados.

HTTP/1.1 201 CREATED
Status: 201
Connection: close
Content-Type: application/json; charset=utf-8
Location: http://api.newaeonweb.com.br/posts/32

Nesse exemplo, podemos ver claramente o link para o objeto recém-criado por uma operação POST na URI http://api.newaeonweb.com.br/posts, onde facilmente podemos acessar o post pelo seu ID. Mais adiante, veremos algumas recomendações para utilizar nomes em URIs.

Stateless define que a ação desejada (Método HTTP ou Verbo) está dentro do próprio pedido, seja como parte da URI, parâmetros query-string, corpo (Content Body) ou cabeçalhos (Headers). Como é muito comum vermos em aplicações Restful utilizando Node.js e Express Framework:

POST-http://api.newaeonweb.com.br/posts (Insere um post no blog). GET-http://api.newaeonweb.com.br/posts (Recupera todos os posts do blog). PUT-http://api.newaeonweb.com.br/posts/32 (Atualiza o post com ID 32). DELETE-http://api.newaeonweb.com.br/posts/32 (Deleta o post com ID 32).

Embora para quem já está acostumado com Restful a simplicidade do uso de URI ser declarada, ainda vemos APIs desta maneira:

http://api.newaeonweb.com.br/posts?operation=update_post&id=32&format=json
ou
http://api.newaeonweb.com.br/update_post/32

O segundo exemplo não é muito bonito e pouco descritivo, uma vez que você deverá adivinhar qual a URI para inserir e deletar o post, deixando a Uniform Interface de lado. E deixando de ser Restful.

Empacotando respostas (Wrapped Responses)

O servidor tem a oportunidade de retornar os códigos de status HTTP juntamente com um corpo (Content body) na resposta, apesar de não serem muito evidentes na utilização de frameworks MVC JavaScript onde os devs não se preocupam em mostrar a mensagem de retorno – e existem muitas mensagens, mais conhecidas como StatusCode.

Na prática, deveríamos empacotar todas (não confundir empacotar com JSONP) as respostas regulares com as seguintes propriedades:

  • Código – contém o código de status de resposta HTTP como um inteiro.
  • Estado – contém o texto: “sucesso”, “falha” ou “erro”. Onde “falha” é para valores de resposta de status HTTP 500-599, “erro” é para status 400-499, e “sucesso” é para todo o resto (por exemplo, 1XX, 2xx e 3xx respostas).
  • Mensagem – usada apenas para “falha” e status “erro” para conter a mensagem de erro. Para internacionalização (i18n), ela pode conter um número ou código de mensagem, quer isoladamente ou contidos por delimitadores.
  • Dados – contêm o corpo da resposta. No caso de “erro” ou “falha”, eles contêm a causa, ou o nome de exceção que ocorreu no momento da requisição.

Uma resposta de sucesso é um retorno como o mostrado abaixo:

{"code":200,"status":"success","data": {"lacksTOS":false,"invalidCredentials":false,"authToken":"4ee683baa2a3332c3c86026d"}}

E um retorno em que ocorreu algum imprevisto pode ser desta forma:

{"code":401,"status":"error","message":"token is invalid","data":"UnauthorizedException"}

Note que aqui a API retornou que o token enviado na requisição não é válida.

Requisições de outros domínios (Ativando CORS)

É muito comum, na utilização de API Restful, que as requisições sejam disparadas de diferentes domínios, afinal de contas, esse é o maior trunfo na opção de utilizar uma arquitetura Restful para sua API, porque o próprio nome API já diz tudo.

Então é muito importante que o servidor esteja preparado para responder às solicitações de diferentes domínios. No caso de uma API particular, é possível configurar apenas um domínio especifico para responder. Exemplo: uma aplicação roda no servidor A e somente receberá requisições do servidor B.

Access-Control-Allow-Origin: http://exemplo.com:8080 http://forum.exemplo.com
Access-Control-Allow-Credentials: true

Mas lembre-se: apenas as URLs acessadas de diferentes domínios precisam ter o CORS habilitado. Esse ponto não leva em conta a configuração do servidor – exponho aqui apenas a arquitetura Restful da API, cada servidor tem a sua maneira de ser configurado. Para isso, viste este link.

Outro detalhe importante é que sua API deve estar preparada para receber solicitações com JSONP. É interessante notar que, quando utilizamos JSONP para as requisições, o servidor interpreta o conteúdo da mensagem como parâmetros query-string, e não como conteúdo do corpo (content body) da requisição. E para suportar os protocolos HTTP: PUT, POST, DELETE e GET, é preciso enviar o método no início da query-string.

Para suportar JSONP no lado do servidor, quando o parâmetro query-string JSONP é passado, a resposta deve ser manipulada:

  1. O corpo da resposta deve ser acondicionado como parâmetro para a função no parâmetro jsonp (por exemplo, jsonp_callback (“<body resposta JSON>”)).
  2. Sempre retornar status HTTP 200 (OK) e retornar o status real como parte da resposta JSON.

Além disso, é frequentemente necessário incluir cabeçalhos como parte do corpo da resposta. Isso permite ao método de retorno de chamada JSONP tomar decisões sobre a manipulação de resposta com base no corpo da requisição.

Conclusão

É extremamente importante entender o conceito da arquitetura Restful para evitar perda de tempo na construção da API, facilitando a vida do seu amigo front-end que pode estar do outro lado do mundo tentando consumir a sua API. Além disso, APIs que sofrem alterações constantes e mudam de versão a todo momento dificultam ainda mais a comunicação, mas isso é tema para outro artigo.

Até.

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Comentando como Anônimo

  1. Fernando, excelente material! Uma dúvida que sempre tive é como tratar os status code… você diz para criarmos um wrapper da resposta e adicionarmos neste o status code, mas e o status code padrão da resposta? retornamos sempre 200 “ok”, sempre ?

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