Já são 10 milhões de surdos somente no Brasil. Seu site está pronto para eles?

PorArthur Paredes em

Você sabia que uma pessoa com deficiência auditiva não necessariamente entende nossa escrita tradicional? 70% dos surdos brasileiros tem dificuldades em compreender o português e não entendem o que você comunica em seu website. A experiência de comunicação dos surdos é extremamente visual. Eles dependem exclusivamente da Libras (Língua Brasileira de Sinais) para se comunicar e obter informação. O termo “surdo-mudo”, por exemplo, é uma generalização errônea. Poucos surdos são, de fato, mudos.

E já são cerca de 10 milhões de surdos somente no Brasil. Isso é o equivalente a quase 5% da população brasileira! Um número bastante considerável hoje em dia, sabendo-se que o brasileiro é líder mundial em tempo conectado à internet. São milhões de sites no Brasil, mas quantos deles são acessíveis? E o seu? É acessível?

Igualdade e acessibilidade é um direito de todos e não é apenas responsabilidade social; também é lei! Segundo a LBI, Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146, de 6 de julho de 2015:

“Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de governo, para uso da pessoa com deficiência, garantindo-lhe acesso às informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente.”

Ou seja, a acessibilidade é um direito garantido por lei às pessoas com deficiência. Mas na prática, sabemos que ainda estamos muito longe de isso se tornar uma realidade. Hoje, os websites governamentais, principalmente os do Governo Federal, se preocupam com acessibilidade, mas quando o assunto é a iniciativa privada, é que a coisa fica bem complicada. Imagine o quanto se perde em vendas de e-commerce devido à falta de acessibilidade…

Tá na hora de pensar em acessibilidade

Um site acessível para surdos agrega vantagens ao seu website:

  • Você se torna preferido das pessoas com deficiência que busca suas informações;
  • Você entra para a lista do “Google” dos surdos, o www.amigodosurdo.com, a maior comunidade do Brasil dentre as pessoas com a deficiência;
  • Amplia seu público consumidor;
  • Abre de um novo canal de comunicação para milhões pessoas;
  • Cumpre a lei;
  • Contribui diretamente para uma sociedade mais justa e igualitária (responsabilidade social);
  • Valoriza sua marca perante o público;
  • Humaniza sua marca.

Ok, eu quero tornar meu website acessível agora mesmo

Hoje, com a tecnologia, não é mais tão difícil implementar acessibilidade em seu website. Se ele for em Wordpress, por exemplo, você vai encontrar uma infinidade de plugins que implementarão melhorias para pessoas com deficiências, dentre elas, os surdos. E mesmo que seu website não seja em WordPress, também não é tão complicado assim torná-lo mais acessível.

Hoje a maior ferramenta de tradução de conteúdos para a Libras é a Hand Talk, premiada internacionalmente e que oferece um Tradutor de sites para os surdos. A instalação é bem simples, principalmente se você usar o WordPress.

  • O primeiro passo é fazer um rápido cadastro na ferramenta neste link;
  • Após preencher seus dados, você receberá um token que será seu identificador na ferramenta;
  • Agora você pode gerar o código para incluir dentro do código HTML de seu website ou instalar o plugin da Hand Talk para WordPress neste link;
  • No plugin, basta apenas informar seu token nas configurações e e só: seu website já oferece a tradução em libras para o público;
Tela do plugin da Hand Talk para WordPress

Se tiver mais dúvidas, acesse a página de suporte da ferramenta. Até 500 traduções mensais a ferramenta é totalmente grátis. Mas o que é uma tradução? É cada palavra de um texto selecionado pelo usuário traduzida em Libras pelo Hugo, o tradutor oficial da ferramenta. De acordo com o porte de seu website, você vai escolher o plano que melhor se encaixa.

Exemplo do Tradutor de sites traduzindo o texto de um website

Bom, é isso pessoal, a acessibilidade não pode mais ser considerada opcional. Mesmo com uma lei vigente, é uma questão maior de humanização, democracia, acesso à informação. Nossa responsabilidade social nos dá a consciência e o poder de tornar nosso mundo mais igualitário, e o mundo (digital) muito melhor para as minorias, que hoje não são mais tão pequenas assim. Só depende de nossas atitudes. Um abraço e até o próximo artigo!

Complemento: Legislação

Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002

Reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como uma Língua Oficial no Brasil.

Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005

CAP VIII: É determinado que o Poder Público, as empresas concessionárias de serviços públicos e os órgãos da administração pública federal, devem garantir às pessoas surdas o tratamento diferenciado, por meio do uso e difusão de Libras, bem como o acesso às tecnologias de informação.

Decreto nº 186, de 2008

Aprova o texto da Convenção das Pessoas com Deficiência, além de urgir as entidades privadas que oferecem serviços ao público em geral, inclusive por meio da internet, a fornecer informações e serviços em formatos acessíveis, que possam ser usados por pessoas com deficiência.

De 0 a 10, o quanto você recomendaria este artigo para um amigo?

 

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3 comentários

Comentários

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Comentando como Anônimo

  1. Você estão brincando que colocar estes aplicativos que não sabem Libras é fazer inclusão! Os aplicativos não sabem Libras e não respeitam as Leis de acessibilidade ou de Libras. Não usam a gramática da LIBRAS e sim o português sinalizado. Não tem expressão facial, não há dialogismo! Não são intérpretes, são apenas avatares que tentam reproduzir uns poucos sinais de forma distorcida e sem contextualização e ainda com muita datilologia. Fazem verdadeiras aberrações ao tentar traduzir do português para Libras. Tiram o emprego de surdos e ouvintes ao venderem a imagem de que são tradutores de Libras. Não têm proficiência para traduzir ou interpretar Libras como manda a legislação. Estão sendo utilizados passando por cima da prioridade aos surdos prevista em Lei. Estão empobrecendo a Cultura e a Língua dos Surdos. Enganam os que acham que estão aprendendo usando estes falsos tradutores de Libras! Nenhum deles têm proficiência e por isso não são tradutores e não contribuem com o aprendizado ou com a cultura surda.

  2. Arthur,

    Sou surda e designer de formação. Trabalho com Experiência do Usuário há mais de 5 anos.
    Acho legal o surgimento de algumas ferramentas de tradução para Libras como HandTalk e ProDeaf. Toda iniciativa que facilite a acessibilidade é bem-vinda.
    Porém, é muito importante a gente considerar o contexto de uso e o perfil majoritário do usuário surdo. Não deve ser considerada a única alternativa, e sim uma das opções que favoreçam a acessibilidade e boa usabilidade para o usuário surdo. Também não devemos esquecer de perguntar aos surdos em relação à satisfação no uso dessa ferramenta.
    Caso queira conversar mais sobre isso, estou à disposição.

    1. Olá Beatriz! Tudo jóia?
      Eu sou fundador da Hand talk e gostaria de bater um papo com você para ter feedbacks seus. Deixa aqui o seu email!

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