Carreira Dev

26 abr, 2019

The Velopers #35 – Matheus Gontijo

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Nesta edição de número #35 do The Velopers, o nosso Community Manager, Rodrigo Pokemao, entrevistou Matheus Gontijo. Ele é Software Engineer & Speaker passionate for OOP, PHP, Magento, Symfony, Open-Source, Remote Work, Productivity Hacks and Continuous Improvement. Also MCD & MCD+.

Gontijo falou sobre a carreira, sobre e-commerce, magenta, gestão, desafios, vitórias, inglês e como tudo começou. Você pode acompanhar parte do bate-papo transcrito a seguir. Mas se quiser assistir à conversa completa, basta acessar o vídeo do canal do The Velopers no Youtube, no final da página.

O bate-papo

Pokemao – Cara, prazer ter você aqui.

Gontijo – “Cara, é uma honra e um privilégio. Valeu pelo convite.” 

Pokemao – Como você começou a programar? O que aconteceu na sua vida?

Gontijo – “O que de fato aconteceu foi que meus pais se divorciaram. Estava em um momento muito difícil. Tinha 17, 18 anos e não sabia o que fazer da minha vida. Eu sou de Belo Horizonte e pensei em ir para São Paulo. O coração do Brasil inteiro é lá. ‘Eu vou procurar alguma oportunidade, afinal quero crescer na vida’.” 

“Só que eu tinha alguns tios em Curitiba e fui para a capital paranaense. Meu pai era programador, então eu sempre fui familiarizado com essa área. Eu cheguei lá na última semana de 2010. E na primeira semana de 2011 eu já tava empregado em uma agência. Nem sabia o que era direito. Mas foi assim o meu começo.”

O começo

Pokemao – “Você começou em agência. Como é o trabalho em agência? Tem gente que ama e tem gente que odeia. O que você tem a falar sobre isso?”

Gontijo – “Você  falou de uma maneira perfeita. Tem que amar e odiar ao mesmo tempo. Amar porque é uma escola, um laboratório, que nenhuma faculdade, livro ou curso vão te dar a experiência e a vivência de trabalhar em uma agência.”

“Em uma agência, roda muito projeto que tem que sair. E você tem que desenvolver. Sempre tem ‘modinha’ de tecnologia nova sendo lançada. É preciso testar as aplicações. É muita rotatividade. Então, é uma lição muito grande. Eu amei agência. Trabalhei em agência por um ano e meio.”

“Mas eu odeio ao mesmo tempo. Afinal, qual pessoa vai construir sua carreira, ficando 30 anos dessa maneira? É impossível! Você tem que ir para o ‘next level’. Tem que galgar para o próximo nível.”

Matheus divulga no twitter sua palestra realizada em Nova York

The Velopers – Mercado

Pokemao – O pessoal não sabe quão grande é o e-commerce. Ninguém faz ideia de quanto dinheiro um Dev, uma pessoa que Coda, pode ganhar trabalhando para e-commerce.

Gontijo – “Sim, é uma indústria. Para faturar milhões, as empresas precisam de você, de mim. Nós nunca vivemos uma era tão tecnológica. O celular, por exemplo… tudo está aqui [Gontijo segura e mostra o aparelho]. Os caras dependem da gente. Nós somos os mais procurados [pelas empresas].”

“Nós nunca vimos tanta expatriação, pessoas saindo do Brasil e indo para outros países. É questão de se posicionar no mercado. E saber que eu tenho muito valor. O mercado está fervendo. Quem é bom mesmo está recusando alguns trabalhos.”

Pleno, Sênior e Junior

Pokemao – Para quem é Pleno e Sênior, tem vaga sobrando. Mas quem é Junior, as empresas geralmente não querem, porque precisam de quem faça o projeto rodar. Que dica você tem para quem é Junior e quer começar? Como começa nesse mundo?

Gontijo – “Primeira coisa que você precisa se perguntar: ‘eu vou querer mesmo ter uma carreira de programador e desenvolvedor? Quero testar, pelo menos?’ Quando você analisa o mercado de engenharia civil, por exemplo, o cara não vai ser o dono da empreiteira do dia para a noite.”

“Se você quiser abrir um fast-food, você investe 2 milhões, mas o retorno é em 5 anos,  7 anos. Na carreira como Dev, isso é verdade também. Durante anos, eu fui em evento e paguei do meu bolso. Tinha noites que eu virava e estudava. Fazia coisas só para estar no meio daquela galera, para poder barganhar e dizer que eu tinha feito ‘tal coisa’.”

“A nossa área ta fervendo tanto, que se a pessoa investir, em um ano e meio ela já tem mais do que o retorno. É muito bacana. Mas tem que sacrificar horas de Netflix, horas de ficar no whatsapp.”

apresentação de Matheus Gontijo no blog pessoal

Dentro ou fora do país

Pokemao – Você morou muito tempo fora do país, voltou, foi e voltou de novo. Como está o cenário lá fora e como é o cenário para quem quer sair do Brasil?

Gontijo – “Eu morei um tempo no Canadá e na Alemanha. Tive algumas oportunidade na Croácia, Bélgica, França, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Basicamente, conferências…. Fui conectar com as pessoas, visitar as empresas.  E falar ‘cara, eu sou do Brasil’. E sempre tinha alguém que conhecia as pessoas dentro das empresas.”

“O mercado lá fora tem alguns avanços e é muito legal. Mas eu, pessoalmente, optei por ficar no Brasil. Eu inverti o jogo. Prefiro morar no Brasil e continuar investindo na minha carreira, em conferências e eventos, freneticamente, e fazer o máximo que eu posso para construí-la. Eu já inclinei tudo para o mercado internacional e não é difícil, porque hoje tudo está globalizado.”

“Tudo o que a gente usa já é internacional. E esse é basicamente o cenário: o mercado está fervendo no mundo todo. Mas, tem uma galera muito forte indo embora. No ecossistema do PHP, por exemplo, os 10 principais Devs estão la fora. É muito bom você ir, morar 2 ou 3 anos, aprender outra língua, agregar valor na sua carreira, na sua vida pessoal. É muito bacana.”

“Não existe carreira melhor para sair do país. Países estão pedindo ‘pelo amor de deus’ por um desenvolvedor, nem que seja um médio, não precisa ser sênior. Exemplo disso é Nova Zelândia, Canadá, Alemanha, Holanda… A comunidade brasileira de desenvolvedores na Irlanda é um negócio absurdo.”

Oportunidades

Pokemao – Você trabalhou mundo tempo para empresas fora do Brasil, estando no Brasil. Como foi para você entrar nesse mundo e ganhar em Dólar, Euro, estando aqui?

Gontijo – “Eu comecei a minha carreira em 2011. Sangue no olho, codando, buscando, lendo livros e virando noite. Eu pensei ‘cara, eu vou apavorar. Tenho que aprender PHP, tenho que saber escrever requisito, eu preciso saber um milhão de coisas nas melhores plataformas. Depende mais de mim do que de todo mundo’.”

“O que aconteceu foi que até 2013, eu não falava inglês. Em 2014, eu já tinha terminado a faculdade e um curso tecnológico de 2 anos e meio e fiz um MBA em gestão de projetos. A graduação me deu uma notoriedade e um peso na minha carreira e o MBA também. Mas a exponencialidade que o inglês proporcionou na minha carreira e na minha vida foi muito maior do que as duas somadas.”

A virada

“Em 2014 eu comecei sem falar nada de inglês, em janeiro. Fiz um intensivo. No meio do ano, teve a Copa do Mundo e eu encontrei vários gringos, trocava ideia e já me sentia confortável em falar. Para um cara que não sabia nada de uma língua, eu trocava uma ideia bacana e todos entendiam.”

“Quando foi em novembro, eu pensei ‘já separei esses últimos meses para estudar forte o inglês, agora eu vou tentar trabalhar para uma empresa americana’. Eu mandei propostas para 100 empresas e eu tomei vários ‘nãos’ ou sequer alguma resposta de e-mail. Comecei, então, a adicionar os caras no LinkedIn, como os CTOs e os developers.”

“Eu me apresentava: Sou desenvolvedor, trabalho com magento e eu quero entrar na sua empresa, nem que eu ganhe metade. Coisas desse tipo. Então, tem que ter uma renúncia. Você tem que voltar um pouco atrás. E, inclusive, a metade do salário dos caras é o que o Brasil paga, talvez o dobro.”

Consultoria

“O que aconteceu foi o seguinte. Eu entrei em uma consultoria, quatro anos atrás, de Phoenix, no Arizona [EUA] e tem sido fantástico trabalhar com esse caras. Quando eu entrei, éramos eu e quatro desenvolvedores na equipe. E a empresa cresceu e hoje são cerca de 20 funcionários. Eu cheguei à conclusão de que não poderia me acomodar e pensar que aquele era meu limite.”

“Eu fui em conferências. Tive a oportunidade de palestrar em Manhatan, Nova York, em Austin, no Texas. Outras empresas começaram a falar comigo também e eu comecei a visitá-las. Então, basicamente, essa foi minha experiência trabalhando fora, trabalhando remoto. É um desafio. Mas não volto mais atrás. Está sendo muito bacana e uma experiência muito boa. Não vou ficar para sempre assim. Penso em montar alguma coisa. Mas são ainda planos.”

The Velopers #35

Assista à seguir ao bate-papo completo com Matheus Gontijo, no episódio The Velopers #35, no Youtube.