Reuso dos ativos de tecnologia da informação

PorCícero Lopes em

Nos últimos anos, muitos termos surgiram, alguns modismos, outros, porém, uma séria reflexão sobre o rumo e organização de TI para suportar as necessidades do negócio. Tecnologia nasceu como uma necessidade de organizar os dados, daí o primeiro termo de tecnologia, “Processamento de Dados”.

Neste período, não interessava muito o poder da informação, e sim organizar os dados. Depois foi verificado que, ao se trabalhar os dados, conseguimos obter informações importantíssimas para visibilidade dos sistemas que suportam as corporações. Até então, ninguém nunca pensou em organizar TI, e sim, responder rapidamente as demandas das áreas de negócio.

Porém chegamos ao limite, onde se TI não se organizar não conseguirá mais suportar as demandas, e tão pouco disponibilizar informações seguras e precisas para o negócio. Falo muito sobre o negócio, pois independente do segmento da empresa, todas possuem tecnologia, onde umas mais, outras menos, mas todas possuem em comum uma forte dependência de TI para ter visibilidade das informações que permeiam a organização.

Então chegamos a um momento de reflexão! Precisamos nos organizar, enquanto TI, e para isto é necessário repensar alguns métodos de trabalho. Em que somos desorganizados, vamos classificar estas fraquezas:

. TI raramente entrega no prazo seus projetos, 74% dos projetos de tecnologia são entregues fora do prazo, segundo o Gartner.

. Gastamos
muito tempo desenvolvendo aplicações, onde boa parte delas não atendem as necessidades do negócio.

. As áreas de negócio solicitam um carro e nós entregamos uma bicicleta.

. Não temos um padrão para trabalharmos, onde dependemos do bom senso de cada profissional para se organizar e nos ajudar a sermos organizados.

. Não temos critérios para priorização da demanda, tão pouco para levantar os requisitos de sistema.

Pronto, constamos o caos de TI!

Foram citados alguns itens importantes que demonstram a desorganização de TI, onde vou abordar somente um deles, que é o reuso dos ativos de tecnologia.

Hoje, quando falarmos de Governança de TI, este termo é somente uma consolidação de conceitos de organização, transparência e dados para a tomada de decisão. Entre uma das reflexões de Governança de TI podemos citar Arquitetura Empresarial, que preza pelo bom uso dos componentes de TI.

Uma empresa que possuí Arquitetura Empresarial tem como preocupação verificar de que forma podemos organizar TI para reusar de forma eficaz e suficiente dentro das fábricas de softwares. Quando anteriormente citei que existem alguns modismos, o reuso de componentes é um deles! Uma vez que todos acreditam que reusar componentes é importante, entretanto, poucos fazem isto com supremacia.

Para que o reuso de código, modelos, componentes, frameworks e artefatos seja executado de forma eficaz, é necessário se verificar o nível de maturidade da empresa para assimilar este conceito. Seguindo as premissas do CMMI, se uma empresa está em um nível 1, dificilmente você terá sucesso na implantação do reuso de ativos tecnológicos. Neste cenário, primeiramente é necessário se levantar informações e definir modelos de processos para suportar as necessidades de cada área de desenvolvimento de software. Por exemplo, como eu posso exigir que uma área reuse as informações ou componentes de outros sistemas, se não existe processo para isto, tampouco procedimentos para que isto ocorra?

Como eu posso solicitar que as pessoas tenham em mente o conceito de reuso, se nem todas conhecem a real essência de se reusar modelos, códigos e etc? Na teoria é perfeita a idéia de se reutilizar componentes, códigos, templates e até mesmo processos, porém poucas organizações dedicam um tempo para refletir de que forma implantar este pensamento na empresa.

Se não se define padrões, procedimentos e normas, ninguém fará reuso. Por exemplo, voltando ao tema Governança de TI, uma vez que se institui comitês técnicos na empresa, este comitê tem por responsabilidade discutir qual a melhor forma de se reusar componentes, banco de dados, códigos e conceitos para o melhor desempenho no desenvolvimento, e otimização de tempo. Nos livros alguns autores utilizam o termo NIA (Não Inventando Aqui), porém eu uso uma outra expressão “Não inventar a roda”!

Por essência, o ser humano adora inventar a roda, criar novos conceitos, sistemas e processos para dizer que foi ele quem fez! Porém a perda de tempo, criando algo que já existe, incide em atraso na entrega e não atendimento a demanda do negócio.

Há alguns dias atrás eu li um artigo sobre reutilização em orientação a objetos, por Scott Ambler, no qual ele dizia da importância de se reusar componentes orientados a objetos, e a eficiência em se implementar este conceito com sucesso.

Porém, chegamos à mesma conclusão, se eu desconheço o cenário atual de minha empresa, se as pessoas que devem patrocinar este conceito (desenvolvedores) não entendem e tampouco enxergam a importância deste modelo, jamais teremos sucesso.

Como reflexão, fica entendido que reusar componentes é importante, e gera eficiência para a área de TI, promovendo menos tempo de desenvolvimento, organização uma vez que se cria biblioteca de componentes, integridade na implementação das regras de negócios, padrões e entendimento claro dos domínios da empresa, porém a implementação deste conceito leva tempo, e não pode ser encarada como mais um sistema desestruturado e sem embasamento técnico e lógico.

Lembre-se que TI hoje é encarada como OPEX (Custo) nas empresas, porém este custo é alicerce para todas as informações para tomada de decisões e inovação no mundo corporativo. Desta forma, otimizarmos o tempo de resposta às demandas do mercado promove sucesso e eficiência, gerando assim produtividade, lucratividade e mais valor para o mundo corporativo.

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  1. O sucesso está em saber utilizar apropriadamente o que já existe. A área de TI deve voltar-se à aplicação das melhores práticas gerenciais já utilizadas pelas demais áreas de negócio da organização.

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