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Soft-Skills do Analista de Negócios

PorThiago Pereira em

Juntamente com um grande parceiro de Análise de Negócios que vocês conhecerão em breve, começo a escrever sobre Análise de Negócios aqui no iMasters. O objetivo é divulgar e clarificar os vários papéis que os Analistas de Negócios têm dentro das organizações.

As empresas estão, aos poucos, começando a dar valor a esse profissional dentro de sua empresa. Conhecer os processos do negócio é muito importante para esse profissional, mas hoje falaremos sobre as características pessoais.

De acordo com o Babok (em um próximo artigo explicarei melhor sobre isso, mas seria o PMBOK do Analista de Negócios), Análise de Negócios é

o conjunto de atividades e técnicas utilizadas para servir como ligação entre partes interessadas no intuito de compreender a estrutura, políticas e operações de uma organização e para recomendar soluções que permitam que a organização alcance seus objetivos.

Recentemente tive que pensar, por motivos profissionais, sobre os skills necessários para um Analista de Negócios. Após muita pesquisa e conversas com colegas que já estão há um tempo trabalhando com isso, em suas diversas denominações (Além de Analista de Negócios, também Analista de Sistemas, de Requisitos, Funcional, entre outros), ficou claro que os soft skills necessários são:

Ser bom ouvinte

Ser um bom ouvinte é de extrema importância. Ajuda a evitar distrações enquanto o cliente está lhe explicando alguma funcionalidade/necessidade, a manter uma boa postura e contato visual diretamente com o cliente. Afinal, você precisa entender e tirar dúvidas sobre o que ele está dizendo. Sem ser um bom ouvinte, muitas coisas passarão despercebidas e seu levantamento poderá ter furos que só serão detectados em outro momento.

Ser um bom questionador

As maiorias dos requisitos saem de discussões com o cliente. É frequente a conversa com pessoas e até um grande grupo de pessoas para conseguirmos mais detalhes sobre determinado requisito. Estar atento e fazer perguntas-chave são de extrema importância para o levantamento de requisitos. É normal que, com o tempo, a experiência lhe proporcione a sabedoria necessária para fazer as perguntas corretas no momento certo.

Ser observador

Um analista observador percebe, em comentários e em outras situações junto ao cliente, sua real necessidade (cliente que, muitas vezes, não sabe do que está precisando), vê um novo requisito, vê uma nova oportunidade de negócio. Além disso, consegue oferecer um algo a mais no produto final, garantindo, além do real valor ao negócio do cliente, a satisfação e uma boa imagem junto aos usuários finais do sistema.

Escrever bem

Com certeza, um dos skills mais importantes, senão, o mais importante, é um analista que escreva bem, que consiga comunicar as necessidades do cliente em texto, em um formato que tanto os clientes, quanto a equipe de desenvolvimento, entendam sem dificuldade. Dominar o idioma na qual o requisito é escrito é de extrema importância. Infelizmente, muitas pessoas têm dificuldades com seu próprio idioma. Para aprimorar essa habilidade é preciso ler mais – livros, revistas, jornais – e também praticar, escrevendo.

Ser organizado

Como um analista trabalha com muitas informações ao mesmo tempo, ele deve ser organizado para que consiga passá-las de maneira correta. Saber estruturar muito bem suas informações, mesmo antes de serem passadas para o papel, é muito importante, pois elas podem ser solicitadas a qualquer momento por um gerente, ou por um cliente. Ser organizado também quer dizer organizar bem os e-mails. Afinal, recebemos vários e-mails dos mais variados assuntos. Montar uma estrutura básica, mesmo que apenas você vá cuidar dessas informações, ajudará em sua organização.

Ser criativo

“O melhor analista de requisitos inventa requisitos” (Robertson – 2002). Durante as conversas com o cliente, o analista descobre valores para o projeto que às vezes nem o próprio cliente conhece. Esse skill está muito relacionado com o terceiro, “ser observador”. Um analista que é um bom observador, com certeza visualizará novos requisitos, mesmo sem a descrição direta, e conseguirá oferecer melhores soluções para seu cliente.

Perguntei aos meus colegas, se existiam todos esses skills em um único profissional. A resposta, obviamente, foi negativa, mas uma coisa foi unanimidade: o profissional deve identificar quais são seus principais gaps, seus pontos a melhorar e ir atrás desses skills.

Sei que todas as profissões têm suas dificuldades e seus méritos, porém há muitas atribuições que podem ser aprendidas através de cursos e estudo em livros, além de certificações. Porém, esses skills são características pessoais, que ou nascemos com elas e vamos aprimorando durante nosso crescimento, ou que não nos são natas e que precisamos nos esforçar muito para mudar e adquiri-las quando adultos.

O melhor é que a maioria das características que listei trarão benefícios também para a sua vida como um todo, não apenas profissionalmente.

Eu já detectei alguns skills que faltam para que eu possa ser um Analista de Negócios mais completo e já estou trabalhando nisso. E você? É excelente em todos os skills, acima citados? Tenho certeza de que não!

Afinal, não há idade para aprendermos, melhorarmos e/ou mudarmos.

Abraços.

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11 comentários

Comentários

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  1. Parabéns pelo artigo Thiago.
    Como você citou, há maioria dessas características não são conseguidas através de cursos e sim através de mudança de atitude da pessoal também na vida pessoal. Afinal, são atribuições que são desenvolvidas durante muitos anos.

    Pena que a maioria dos profissionais que conheço, já estão no mercado há algum tempo e se acham perfeitos, com todos esses skills citados por você. Muitos profissionais acham que são profissionais completos por terem milhares de certificações. Puro bulshit!

    Mais uma vez parabéns pelo artigo e espero que você possa divulgar ainda mais o papel do Analista de Negócios no mercado.

    Uma pergunta: O Imaster deveria criar uma seção Análise de Negócios e não colocar dentro de Gerência de Projetos.

    Abraços

    1. Obrigado Mauricio.

      E concordo com você que há muitos profissionais que por estarem a tempos no mercado, acreditam que já estão totalmente prontos e que não tem mais o que melhorar. O que sabemos que é uma grande bobagem. Infelizmente, não são apenas os profissionais com bagagem que estão pensando desta maneira. Conheço alguns que mal entraram na área, pelo que aprenderam em cursos e na faculdade, se sentem preparados para o dia-a-dia.

      Mas para todos uma coisa é muito importante. O feedback dos colegas. As vezes ninguém chegou nesse profissional e deu aquele toque ou até um puxão de orelha.

      E quanto a divulgação do AN. Essa é minha idéia. Clarificar mais seu papel no mercado e poder ajudar e aprender com os demais colegas de área.

      Essa questão de seção no Imasters, será negociada em breve.

      Abraços e obrigado.

    1. Fala Luis,

      Obrigado pelas palavras.
      É muito bom quando encontramos algo que chamamos de trabalho, mas que na verdade é uma diversão remunerada. É assim que me sinto em relação a AN.

      Abraços

  2. Fala meu velho.

    Parabéns pelo artigo, muito bom mesmo.
    Eu acho que em qualquer área, o grande mal do profissional é achar que já conhece tudo, que é “perfeito” naquilo que faz, o que como o Maurício citou e vc também, sabemos que não é certo. Sempre há mais o que aprender, afinal, a tecnologia surgiu para resolver problemas que antes a gente não tinha e CRIAR NOVOS, e se nesse mundo sempre existem novos problemas, sempre há o que aprender.

    Parabéns mais uma vez cara.

    Abs.

  3. E aiiii meu caro amigo…
    É o Thiago Pereira mesmo ?!??!

    Parabens pelo artigo meu caro, muito bom.
    Fico muuito feliz por você ter conseguido conciliar prazer x trabalho :-)

    Grande Abraço,
    Kono

  4. Thiago, eu incluíria nessa lista a maturidade profissional, ela é necessária para avaliarmos se uma determinada demanda que recebemos de um usuário é de fato importante. Num dia-a-dia curto como todo profissional tem nos dias de hoje, é vital sabermos diferenciar o que realmente merece atenção.
    No mais, parabéns pelo artigo. Concordo que a função de AN deve ser tratada com mais ênfase, no meu ver é questão de tempo para termos essa diferenciação no imasters

    Glauco

    1. Realmente Glauco, está ai mais um item importante não só para o AN, mas para todas as profissões.
      Porém, essa maturidade profissional é atingida com o tempo. É necessário um tempo de trabalho, muitos projetos e com certeza, muita pancada no dia-a-dia, que são as buchas que “aparecem” durante nosso trajeto profissional.

      Um jeito interessante e que eu uso bastante para adquirir a maturidade, além dos exemplos citados acima, é aprender com os erros e acertos dos colegas. Por isso participo de grupos de AN. Já escapei de algumas graças as experiências dos colegas. Portanto, fica aqui duas dicas para todos. Leituras (do maior numero de temas possiveis) e participação ativa na comunidade relativa a sua atividade profissional.

      Abraços,

      Thiago F. Pereira

    1. Legal André!

      Tenho certeza que após 9 longos anos, você está mais maduro do que estava há 4 anos atrás. E com certeza daqui a mais 10 anos, estará mais maduro que hoje. Porém, é dificil saber quando estaremos maduros suficientes né?! E maturidade nem sempre vem apenas com o tempo. São um conjunto de atividades e experiências que nos levam a atingi-la.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços

  5. Thiago, parabéns pelo artigo!

    Como você sabiamente disse: ” não há idade para aprendermos, melhorarmos e/ou mudarmos.”

    Antes de mais nada, temos que ser bons analistas do negócio do “projeto vida”, pois só assim estaremos aptos a adquirir novos “skills” e nos tornarmos profissionais respeitados.

    Grande abraço

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