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Como assim, usabilidade?

PorBruna Milagres Pires Lopes em

Há poucos dias acabei a leitura do livro “Não me faça
pensar”, do Steve Krug, que aborda de forma clara e inteligente a
usabilidade na Web. Com isso, pensei em escrever um artigo sobre o
assunto, para
que pessoas interessadas no tema e que ainda não leram esse livro
pudessem enxergar o quanto é possível
melhorar significativamente os retornos de investimentos em marketing
com um bom planejamento de mídia on-line. O texto também vale para quem
trabalha com planejamento de mídia off-line estruturando informações.

Boa leitura!

E como assim usabilidade?

Assegurar-se de que algo funcione bem

 Essa é a definição mais simples que poderia dar significância à palavra usabilidade. Ela pode ser aplicada a qualquer tipo de projeto, seja ele na web, em
produtos, em impressos, etc. De uma cadeira bem projetada a um jornal bem diagramado. A usabilidade seria, então, uma maneira de otimizar o tempo, transformando seu perfeito uso em resultados.

Posso dizer que a usabilidade faz referência também na capacidade inconsciente de uma pessoa que não entende absolutamente nada do assunto possa, ao ver o produto, entender (até mesmo vagamente) o que aquilo seria, do que estamos falando e por onde começar.

Estocando paciência

Um dos motivos da expansão da web é a possibilidade de facilitar e agilizar tarefas do dia-a-dia. Quando olhamos sites* procuramos sempre algo que lembre vagamente o motivo pelo qual entramos nele e algo que seja possível clicar. O modo de olhar sites também depende do tempo e da paciência do usuário, no tipo de ação que ele deseja fazer, sua pressa e outros motivos.

Uma hierarquia mal planejada ou rótulos de links mal formulados
fazem surgir dúvidas durante a navegação; e cada nova dúvida aumenta
nosso trabalho, distraindo, conseqüentemente, nossa concentração. As
dúvidas evoluem de acordo com o nosso estoque de paciência, até o ponto
de nos confundir, fazendo-nos escolher outra opção.

A base desse conceito leva o princípio de eliminar perguntas. Por
isso, vai uma primeira dica no projeto de sites: comece a questionar os
sites que você visita, por exemplo, com a pergunta: por que eles deram esse nome a isso? Assim você acaba pegando referências do que não se deve fazer.

A hierarquia visual e o bom uso das convenções

Ao ler um jornal, realizo algumas tarefas instantâneas: percorro
páginas, seleciono aquilo que me interessa e leio. A hierarquia visual
on-line ou off-line é instantânea e passa por nós a todo momento,
sem que percebamos que ela existe. O processo de percorrer um veículo de informação (como o jornal) ocorre de forma tão rápida, que quando as
dicas visuais não são claras, obrigamos nosso cérebro a pensar que estamos fazendo isso.

A hierarquia visual prioriza o tempo, fazendo com que selecionemos
tudo quase instantaneamente. Se informações disputam para aparecer,
nosso processo de leitura reduz e passamos a um estágio mais lento de
tentar achar a informação que vagamente nos interesse.

Para isso, uma das ajudas à usabilidade é a convenção. Aprendemos de forma inconsciente que conhecer as convenções otimiza nosso tempo. De
forma inconsciente sabemos que dessa forma é mais rápido percorrer um
jornal e selecionar aquilo que queremos ver. Sendo assim, cada meio de
comunicação procura criar suas convenções e refiná-las a partir de
novas idéias que deram certo, pois as convenções só se tornam
convenções se realmente funcionarem.

Áreas bem definidas

Para que uma página seja facilmente utilizada, cada estilo de
informação deve estar claramente agrupado. A pressa pela busca da
informação possibilita a utilização dessa dica visual. Alguns exemplos
já são bem conhecidos como:

  • A ordem de importância obedece a ordem de “atenção” na página (ex.
    a logomarca é importante, por isso ela encontra-se do lado esquerdo e
    com destaque).
  • Links são links, noticias são notícias e assim por diante. Coisas
    semelhantes estão próximas (ex.: os links da navegação global estão
    agrupados em um menu e todos são semelhantes).
  • A ordem de visualização auxilia na hierarquia da página. (ex. se
    uma foto está ao lado de um texto formando esses dois uma única caixa,
    concluímos que eles pertencem a uma mesma informação)

Clique aqui!

Na
projeção de páginas, procure deixar óbvio o que pode ser clicado. As
convenções ajudam bem nessa tarefa. Hoje links podem ser definidos por
diferentes símbolos, e muitos já são conhecidos pelo usuário. Deixar um
link sem a aparência de link é, novamente, utilizar do estoque de
paciência e boa vontade do usuário.

Minimize a confusão

Confusão visual na internet é o mesmo que uma avenida cheia de
outdoors e placas. Tudo parece querer chamar cada vez mais a atenção. O
efeito da confusão acaba sendo o cansaço visual que pode assim distrair
a atenção do usuário para seu verdadeiro objetivo na página. No livro,
Steve dá uma boa dica sobre isso: “É uma boa idéia supor que tudo o que você projetou está confuso até que ao provem o contrário”.

Para finalizar

Diante dessas informações e dicas, é importante ressaltar que em
qualquer projeto web, um pouco a mais de esforço, pode melhorar
significativamente os resultados em vendas. Às vezes uma mudança no
formato ou no rótulo de um link, pode resultar em bons retornos
financeiros. Se a mudança possibilitar aumento nas vendas em 1%,
considere positivo, esses 1% podem representar milhões.

O que ressalto sempre é no uso das tecnologias para gerar
conhecimento e resultados em lucros. A internet é uma boa maneira da
pequena empresa estar ao lado da líder de mercado em seu segmento. Um
pouco de ajustes pode representar muito! Pense nisso.

Indico, além do livro de Steve Krug, o texto  “Usabilidade web 2.0”, escrito por mim.

Até a próxima!

*Um dos erros na projeção de sites é imaginar que os usuários
lerão todas as opções e escolherão assim a melhor. A expressão “olhar
sites”, feita por Steve em seu livro, foi utilizada pois os usuários
olham páginas porque: estão com pressa, sabem que não é preciso ler
tudo e que fazem isso a toda hora.

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Comentando como Anônimo

  1. Legal sua abordagem sobre o assunto. Tenho feito estudos independentes sobre usabilidade e vejo que o mesmo conceito para a web serve também para outras operações, como a abertura de uma embalagem de biscoito água e sal (me atrapalho sempre ao abrir).

    Vejo que parte dessa responsabilidade de tornar algo visível e funcional, não depende só do arquiteto da informação, mas muito também do designer. Imagine se a fitinha da embalagem de biscoito fosse num tom diferente, com um desenho divertido, algo que realmente facilitasse a visão e a descolagem. O mundo seria mais feliz (risos).

    O Design de interação e a acessibilidade também têm seus papéis importantes dentro deste assunto, pois eles juntos com a usabilidade tem a função de corrigir os ?erros? causados pelos arquitetos, sejam eles web ou da construção civil. Por exemplo: Você se depara com um corredor de cem metros e não vê que ao final dele, à esquerda tem uma escada, mas a placa amarela com letras pretas na fonte impact condensed (risos) corrigirão este ?erro?.

    Mas enfim, gostei da sua síntese sobre o assunto e curti os trabalhos no seu site.

    Abraço!

    1. Ei Vinícius!

      Obrigada pelo comentário! Fico feliz por vc ter gostado do post e por ter entendido bem o que eu queira passar. É impressionante o quanto um pouco a mais de esforço (de estudo, no caso) podem trazer resultados positivos para a empresa, produto, etc.
      Seu exemplo da fitinha e do corredor são ótimos para ilustrar isso! O mundo na certa seria mais feliz! “sem stress =)”
      Novamente, obrigada pelo coment! Fui em seu site tbm e gostei bastante dos seus trabalhos!Parabéns! Te add no twitter =)
      Abraços!

  2. Parabens Bruna! :)

    Estou me formando em Design Gráfico e Usabilidade é a área que mais estudo atualmente para acrescentar e agregar valor aos meus trabalhos, bem como minha profissão.

    Esse livro deveria ser quase uma obrigação para todos que queiram realmente a conhecer a USabilidade de uma forma simples e divertida.

    Uma das frases mais conhecidas: ” O usuário nunca está errado “.

    Infelizmente em minha profissão os designers pelo fato de achar que sabem muito de criação, esquecem que quem usa o produto é o usuário e não eles, contudo existe sempre uma diferenca entre design e funcional.

    É como uma frase polemica de steve jobs ” design não é forma é função ” . Se não houver usabilidade e funcionalidade, de nada adianta seu produto ;)

    Bem.. é muito assunto pra comentar e discutir, e digo a todos é uma área fantástica que todos deveriam conhecer.

    Parabéns mais uma vez

    1. EI Felipe!

      Escrevendo o texto pensei muito nessa idéia da usabilidade em peças gráficas (por trabalhar com isso tbm). Uma diagramação errada ou uma uma cor em um local que não seria tão interessante de se destacar, podem colocar o projeto inteiro a perder.
      Bacana sua iniciativa de aprofundar seus trabalhos em projetos de usabilidade. Isso na certa trará excelentes resultados para vocÊ. É a partir do retorno ($$) para os seus clientes que seu trabalho será ainda mais reconhecido.
      Obrigada pelo comentário!

      Abraços!

  3. Uma definição muito interessante e concisa.
    A ergonomia tanto serve a web como tudo o que nos rodeia. Penso que é uma àrea (pelo menos em portugal) que ainda não tem tido o investimento necessário, comprometendo a eficiência dos sistemas ou aplicações.

    Obrigado pela partilha.

    Filipe Santos
    http://www.UserExpertise.com

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