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Tecnologia

O impacto das ondas tecnológicas na TI

Estamos vivenciando um processo de transformação no ambiente de negócios e na sociedade como um todo impulsionado pela convergência de quatro ondas tecnológicas. Esta disrupção é um fenômeno que ocorre a cada 10-15 anos e provoca mudanças significativas no uso da computação. A convergência da computação em nuvem, mobilidade, plataformas sociais e Big Data está deslocando o eixo do poder das empresas para as pessoas, sejam estas clientes ou funcionários. Na prática, a sociedade e as empresas estão cada vez mais digitais e visualizaremos em breve um cenário onde não existirá mais budget especifico para TI, uma vez que a tecnologia estará em todas as atividades da empresa. O budget da computação estará espalhado por toda a empresa.

Cada uma destas quatro ondas por si causa mudanças, mas agrupadas, elas criam o que o Forrester Research chama de “Perfect Storm”. Quem viu o filme “Mar em Fúria” lembra da onda gigantesca causada pelo que os meteorologistas apelidam de “a tempestade perfeita” e o que ela pode provocar. A combinação de mobilidade, Big Data, plataformas sociais e cloud computing incentivam mudanças radicais nas práticas e processos de negócio, inclusive submergindo negócios estabelecidos há décadas. Cria novos hábitos, novas experiências e novas expectativas. Um exemplo? Que tal pensarmos no mobile payments?

Entretanto, este cenário de mudanças embute desafios imensos para a área e os profissionais de TI. O próprio processo de consumerização de TI, com os usuários trazendo as novidades tecnológicas de seu dia a dia para dentro das empresas, está forçando a criação de novos modelos de gestão de tecnologia, como o BYOD (Bring Your Own Device) ou BYOC (Bring Your Own Cloud), impensáveis há uns meros três, a cinco anos atrás. E este processo não deve parar por aí. Em breve, não apenas trarão estas tecnologias em seus bolsos (como smartphones) mas as estarão vestindo, como o Google Glass!

Na sociedade digital, TI é o diferenciador competitivo, e portanto o seu papel não pode ficar limitado a automatizar operações, subordinado ao CFO da empresa.

O CIO deve ser reengenheirado. Alguns começam a batizar seu cargo como CDO (Chief Data Offcer) e os profissionais de IT (Information Technology) passam não ser mais de IT mas sim de BT (Business Technology) e chamados de business technologists. Surgem também os data scientists e diversas outras funções que simplesmente não existiam há poucos anos.

Mudanças nem sempre são apreciadas, principalmente quando ocorrem com muita rapidez. Muitos profissionais de TI passaram pela disrupção anterior, quando saímos do modelo centralizado para o cliente-servidor. O impacto foi muito grande. Novas empresas de TI surgiram enquanto outras simplesmente desapareceram. Mudamos os skills, as tecnologias e as práticas de TI e a tecnologia se espalhou pela empresa. A chegada da Internet acelerou o processo de transformação e novos negócios baseados em comércio eletrônico surgiram, desbancando ou simplesmente eliminando negócios plenamente estabelecidos.

Estamos diante de outra disrupção. A área de TI não pode ficar em “wait”, aguardando que os executivos de negócio decidam o que será feito. TI, ou melhor, BT, deverá ser o impulsionador destas mudanças. O fato destas mudanças estarem acontecendo de forma tão rápida e muitas áreas de TI não acompanharem esta velocidade faz com que surjam distorções, como executivos e os usuários lendo e usando inovações tecnológicas nos jornais e sites de negócios, e associarem TI ao legado e não à estas inovações. Se os CIO não agirem rápido, TI será associado ao passado e não ao futuro.

Portanto, os CIOs devem deixar de ser “babás” de ERP e começarem as olhar as novas tecnologias com a visão de plataformas de transformação e não como ameaças ao status quo. Em vez de olhar cloud apenas pela ótica do “será seguro ou não”, porque não olhar cloud como meio de mudar o papel de TI? Se a empresa não tiver mais limite de capacidade computacional, não poderá fazer coisas inovadoras que não faz hoje? Assim, o CIO deverá liderar o processo de mudança de mindset, implementando continuamente inovações tecnológicas ajudando a criar novos processos, novos produtos e mesmo novos negócios.

O que isso significa? Que o CIO deverá estar no nível decisório das empresas, conduzindo conversações estratégicas continuamente. O CIO não pode ficar apenas na dimensão da tecnologia, mas envolvido com o negócio em sua plenitude. Aliás, conversas sobre aplicações estratégicas de novas tecnologias não podem mais serem feitas a cada 3 ou 4 anos, mas a cada 3 ou 4 semanas! Claro que estratégias não serão mudadas a cada 3 ou 4 semanas, mas correções de rumo poderão ser tomadas a partir destas discussões entre os altos executivos de como uma nova tecnologia poderá afetar o negócio. Os profissionais de TI devem ser cada vez mais business technologists e menos técnicos operacionais.

Enfim, na minha opinião, nós profissionais de TI vivemos e devemos aproveitar uma oportunidade que só acontece de dez em dez anos: vivenciar uma disrupção tecnológica que está afetando todos os setores de negócios.

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