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A mobilidade no mundo corporativo

A mobilidade sempre foi encarada como um tópico separado pelos profissionais e gestores de TI. A primeira geração dos apps de smartphones e tablets mostrou isso de forma bastante sintomática. Foram em sua imensa maioria aplicações B2C isoladas dos sistemas corporativos, úteis, é verdade, mas sem maiores conexões com os negócios e processos da empresa. No mundo corporativo foram simples emulações do conceito de teclado e mouse das telas do desktop para o touch screen dos tablets.

É indiscutível que os smartphones e tablets serão o mainstream dos dispositivos de acesso aos sistemas corporativos, sejam usados pelos clientes ou pelos próprios funcionários das corporações. A rápida evolução tecnológica e o barateamento dos produtos é um indicativo desta aceleração. Um exemplo é o iPad, que comemorou seus três anos de lançamento em 4 de abril deste ano. Nestes 36 meses foram vendidos 120 milhões de unidades. Já se incorporou à nossa rotina e parece que está entre nós há muito mais tempo… O processo vai evoluir de tal forma que em breve Apple e dispositivos Android estarão tão onipresentes no mundo corporativo quanto a Microsoft na era do desktop.

Com smartphones e tablets no cerne dos sistemas corporativos fica claro que a mobilidade deve sair da periferia e se encaixar no centro da estratégia e da arquitetura corporativa. Relembrando, a arquitetura corporativa, segundo definição do The MIT Center for Information Systems Research (MIT CISR) é “Enterprise architecture is the organizing logic for business processes and IT infrastructure reflecting the integration and standardization requirements of the company’s operating model. The operating model is the desired state of business process integration and business process standardization for delivering goods and services to customers”. Portanto, o desenvolvimento de uma estratégia de mobilidade torna-se essencial para a empresa sobreviver na sociedade digital.

O impacto da mobilidade é bem maior do que parece. Transforma os próprios processos de trabalho e as relações entre os clientes e as empresas. No B2C, ao aumentar a frequência das interações com os clientes, aumenta-se a frequência de compras. No B2E permite que os funcionários tenham acesso contínuo às infomações e se tornem muito mais emponderados em seus processos de trabalho. No B2B, a mobilidade conecta mais intensamente os parceiros e clientes, criando um processo mais ágil e rápido de tomada de decisões conjuntas. Mas, como requisito, a  área de TI deve estar preparada, tanto em tecnologia quanto em skills,  para a demanda de criação e gestão de novos aplicativos móveis, integrados com os sistemas corporativos, mas de fácil uso, intuitivos e úteis para seus usuários.

Os apps móveis apresentam diferenças em relação aos aplicativos atuais, estilo desktop. Um exemplo: devem ser continuamente evoluídos, à medida que novas funcionalidades são percebidas e demandadas pelos usuários. A experiência do usuário é o principal fator alavancador de novas funcionalidades. O processo tradicional  de agrupar alterações e upgrades em lote e despejar tudo em uma nova versão em períodos espaçados de um ano ou dois não atende à velocidade do mundo móvel. Por outro lado, embora o processo seja ágil, não deve fugir aos critérios de qualidade e eventualmente de auditoria quanto ao uso de informações críticas ao negócio. Também não devem ser desenvolvidas de forma isolada, mas integradas aos esforços de desenvolvimento de sistemas da corporação, desde seu início. A mobilidade não é apenas um dispositivo móvel que fica na ponta e que recebe alguns dados, mas a potencialidade dos equipamentos embutidos como sensores, GPS, acelerômetros, etc, permite que novos processos de negócio sejam desenhados e incorporados aos sistemas da empresa desde sua concepção inicial. Ou seja, a mobilidade influencia intensamente o desenho dos sistemas.

Uma implicação significativa da importância da mobilidade deve ser sua inserção nos modelos de arquitetura corporativa. Entretanto, nas minhas conversas com CIOs e “enterprise architects” sinto que a mobilidade ainda se situa na periferia das estratégias da organização… É um gap que deve ser preenchido rapidamente pois a mobilidade permite criar novos processos, pensar em novos produtos ou mesmo novos modelos de negócio. É muito mais que uma decisão tecnológica de qual modelo de tablet ou smartphone adotar.

Os programas de inovação nas empresas devem incentivar a criação de soluções baseadas em mobilidade criando a figura dos “apptrepreneur” ou appreendedores.

Alguns exemplos de uso estratégico de mobilidade podem ser vistos no caso do Walmart e da Tesco, na sua estratégia de se tornar o varejista numero um na Coréia.

O resumo da história é simples: mobilidade deve ser parte integrante e atuante da estratégia do negócio e portanto deve estar inserida na arquitetura corporativa. Claro que as empresas estão em diferentes níveis de maturidade quanto à exploração da potencialidade dos dispositivos móveis, mas mesmo as mais incipientes devem começar desde já, mesmo que de forma tática, a incorporar a mobilidade nas suas estratégias de negócio.

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1 Comentário

Deivison

Muito bom tópico.

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