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Usabilidade + User Experience

Usabilidade – O mais simples é o mais fácil

A usabilidade nos oferece diferentes técnicas para realizar uma tarefa de forma simples e rápida. Quando um usuário para pra pensar no que uma informação ou ação faz em um site, é sinal de que a usabilidade não foi aplicada de forma correta, e este é o seu trabalho, fazer com que os usuários não façam essas perguntas.

Quando o seu usuário fizer algumas dessas perguntas: “Onde esta o…?”, “Cadê o botão de…?”, “Por que isso tem esse nome?”, “Isso é um texto ou um link?”, “Onde está a informação principal?”, “Onde esta a informação que eu entrei para ver nesta página?”, ou “Onde estou?” é por que o seu trabalho de acessibilidade não foi bem aplicado.

Os usuários não devem sofrer sobrecarga de informação e quando ele visita seu site e não sabe por onde começar a ler, existe sobrecarga de informação.

Devemos utilizar na apresentação e na redação três características básicas:

  • Texto resumido;
  • Formate o texto para um melhor entendimento, como enumerar os pontos, separar títulos e cabeçalhos, utilizar negritos, destacados ou listas;
  • Linguagem objetiva.

Utilizar vinculação profunda, ou seja, não obrigar aos usuários a entrar pela página de início, e sim permitir que cheguem diretamente a pagina de seu interesse como banners e links voluntários. Se você criou um banner sobre informações do produto “X” e quando o usuário clica neste banner, ele é enviado para a página principal no qual não tem a informação do produto “X”, então, você não criou uma vinculação profunda. Você está fazendo com que ele pense, e ele terá que de alguma forma procurar o produto “X” dentro do seu site.

A navegação dentro do site deve permitir que usuário saiba onde está em cada momento.

Podemos mencionar as algumas técnicas de usabilidade:

  • Autonomia – os usuários devem ter o controle sobre o site e suas ações sobre ele;
  • O usuário manda – ele é o cliente, e a regra “o cliente que sempre tem a razão” se aplica;
  • Na web qualidade é igual à rapidez – mais de 20 segundos e 80% dos visitantes irão embora sem ver a página;
  • Site que não carrega imediatamente -se isso acontecer, deve-se colocar um pré-carregamento, assim o usuário permanece no site;
  • Devem funcionar todos os links (sim, existe links que não funcionam) ¹;
  • O site deve ser simples, para que os usuários se sintam cômodos e não se percam cada vez que necessitem encontrar algo na página;
  • Colocar breves conclusões – isso ajuda o usuário a encontrar o que busca em pouco tempo;
  • Escreva os conteúdos resumidos um 25% do que colocaria em um papel – ler em tela custa muito¹;
  • As cores devem ser utilizadas com precaução – assim, elas não dificultam o acesso por parte dos usuários daltônicos (aproximadamente 15% do total).
  • Utilizar interfaces conhecidas, os sites devem requerer um mínimo de processo de aprendizagem.
  • Legibilidade  – a cor dos textos deve contrastar com a do fundo, e o tamanho de fonte deve ser suficientemente grande.

Concluindo, poderíamos dizer que os usuários não gostam de adivinhar as coisas. Eles querem as coisas de forma óbvia, alcançando, assim, seus objetivos com um mínimo esforço e com resultados rápidos.

Um exemplo simples, mas que ocorre frequentemente são os links onde o usuário “não sabe” se é realmente um link ou não. Veja o exemplo de menu.

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Este menu é utilizado em um site. Temos que pensar para entender que o mesmo se trata de links; agora, considere o seguinte menu:

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Neste menu o usuário entende rapidamente que se trata de links.

Poderíamos pensar “Basta colocar o mouse encima do link. Com isso o cursor vai mudar e o usuário vai entender”, porém, cada dúvida remove nossa atenção no trabalho que estamos fazendo, e mesmo sendo distrações pequenas elas podem ir se acumulando e às vezes confundir o usuário ou fazer com que ele esqueça o real motivo de estar naquela página.

Coisas sobre como os usuários leem as páginas

1.1. Usuários não leem as páginas por completo

Quando estamos na internet, nos não saímos lendo uma pagina por inteiro. Primeiro damos uma olhada superficial e se vemos que ela tem o que nos queremos, aí sim continuamos a ler todo o conteúdo (mas isso não garante uma leitura de 100%, pois, se em algum momento fizermos com que o usuário se perca um pouco, ele não pensará duas vezes em deixar o site).

E isso é informado na pesquisa na coluna “How Users Read on the Web” no site da “UseIt”. Os usuários simplesmente movem rapidamente seus olhos sobre o site buscando as principais informações que procuram no momento.

É comum o usuário que navega pela internet estar com “pressa sempre” e procurando economizar o máximo de seu tempo. Visando isso, ele olha de forma rápida as informações da página, a procura de partes relevantes para ele.

Ainda no site da “UseIt”, podemos encontrar o “Padrão de Leitura de Páginas”.

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Através destas informações, foi definido o “Padrão de Leitura F”, onde ele adverte os seguintes padrões de leitura dos usuários:

  • Da esquerda para a direita;
  • De cima para baixo;
  • Maior atenção ao primeiro parágrafo e posteriormente procurando mais informação no próximo parágrafo.

Com isso, quando formos criarmos nossas páginas, temos como nos orientar sobre como criá-las e algumas diretrizes a serem tomadas, como:

  • Título claro e em destaque;
  • Valorizar os dois primeiros parágrafos (sendo o primeiro o de maior destaque), pois são eles que irão chamar a atenção do usuário;
  • Parágrafos curtos e com espaço vazio entre eles. Não use parágrafos colados; deixe que o usuário perceba que um paragrafo terminou e outro começou;
  • Destacar pontos importantes (negrito, itálico e lista);
  • Usar subtítulos para destacar e separar o conteúdo.

1.2. Os usuários não querem o perfeito, eles querem o aceitável

É natural pensarmos que, ao criar uma página, os usuários irão buscar a melhor opção, porém, não é bem isso que ocorre. Eles se contentam com a suficiente. Você pode perceber isso quando procura alguma informação na internet: você não fica por horas procurando. Você entra no Google e digita suas palavras na busca e abre umas duas ou no máximo três páginas e se elas tiverem a informação que procura, você para por ali mesmo.

Lembre-se que os usuários estão com pressa, e perfeição é difícil e nos custa muito tempo, logo, entendemos que fazer o suficiente é o mais eficiente.

1.3. Não entendemos como as coisas funcionam, nos apenas as usamos

Uma coisa que os usuários fazem muito (e não apenas na internet) é utilizar algo sem compreender completamente, ou pior, entendem da forma errada. São poucas as pessoas que leem manuais por completo antes de utilizar algum aparelho (o celular, por exemplo). Nós ligamos o aparelho e saímos usando. E em alguns casos quando não conseguimos fazer ou não sabemos se aquela ação é possível, nós recorremos ao manual.

Para o usuário, não importa como as coisas funcionam (nem todos são tão curiosos como as pessoas de TI), desde que no final ele tenha o resultado esperado. Ela então para de procurar uma forma melhor de realizar aquilo e este usuário só irá mudar a forma. Forma esta que ele encontrou “sem querer”, porque está insatisfeito com a que encontrou ou outro usuário o ensinou a fazer aquilo de uma forma mais rápida ou fácil.

2. O mais simples é o mais fácil

Após toda essa conversa, você pode pensar “Vou fazer de qualquer forma o que tenho que fazer; no final, o usuário se vira pra descobrir como faz mesmo”. Pois bem, se estiver pensando assim, você não entendeu o espírito da coisa.

Todos os apontamentos feitos até agora foram uma forma de indicar que temos que deixar as coisas o mais simples e óbvias para os usuários, pois eles não querem ficar pensando em como usar isso ou aquilo. Eles simplesmente querem usar.

Quando criamos algo simples e os usuários “entendem”, somos nós quem ganhamos:

  • Eles encontram aquilo ou atingem seu objetivo, o que é bom para ambos;
  • Você consegue direcioná-lo para o local mais apropriado;
  • Eles terão mais confiança em seu site;
  • Eles voltaram para o seu site, pois, o seu site foi mais eficiente que os outros.

Bem, vamos ficando por aqui e espero que tenham gostado do artigo.

Dúvidas, sugestões e críticas são bem vindas!

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4 Comentários

Leo Beal

ótimo artigo! Porém, as imagens com o link induzem o usuário a pensar em ampliação, e isso não acontece aí em cima :P

Marcio

Ótimo, artigo me fez relembra o livro não me faça pensa

    Carlos Eduardo Barbosa

    Opa Marcio, li esse livro, tem muitas coisas boas nele, incluso as comentadas aqui.
    Considera um livro obrigatório para qualquer pessoa que trabalhe com desenvolvimento de software, seja ele web, desk ou mobile.

Danilo Miranda

Gostei bastante do artigo, mas gostaria de fazer um adendo.

Algo que tenho notado ultimamente é a falta de preocupação com nosso idioma e suas regras gramaticais. Tudo bem que não dá para sermos 100% corretos, mas tenho a impressão de que as pessoas tratam este assunto com total acaso.

Outro dia postei no Twitter a seguinte frase: “Qualquer artigo ou notícia com excesso de erros gramaticais perde sua credibilidade.” Não postei isso para ser chato, fazer mimimi, ou qualquer outro motivo “hater” da moda, mas sim porque havia acabado de visitar vários sites que me deixou um tanto incomodado logo no primeiro parágrafo.

Pode parecer frescura, mas para mim uma boa leitura só é possível com uma boa escrita.

Qual a sua opinião?