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O developer e a arquitetura da informação

PorBruno Rodrigues em

Você, mais que ninguém, sabe que comparar o trabalho de um desenvolvedor com o de quem planeja e produz o motor de um carro é pouco – boa parte do chassi também está sob sua responsabilidade, afinal. Ainda assim, há espaços importantes na criação de um ambiente digital que passam, tanto direta como indiretamente, pelas mãos de um desenvolvedor, mas que não envolvem códigos. Lidar com Arquitetura da Informação é uma delas.

Embora criar estruturas seja uma das bases do trabalho de um analista de sistemas, por exemplo, ela é uma atividade que, por natureza, restringe-se ao universo da TI – e não há nada de errado nisso. Mas o ambiente digital, hoje em dia, pede mais de um desenvolvedor: ele demanda conhecimentos sobre diversos modelos de acesso e de navegação que são aplicados a sites, portais e apps. Em suma, Arquitetura da Informação.

Para quem deseja entender do riscado, há três modelos tradicionais de AI que funcionam como boas ‘ferramentas’ de trabalho. Conhecê-las é uma forma certeira de começar com o pé direito – a elas, então:

Modelo mental

O ponto de partida na tarefa de criar a Arquitetura da Informação de um ambiente digital é conhecer a forma com que o usuário pensa. Cada um de nós utiliza dois modelos mentais no dia a dia: o modelo mental individual e o modelo mental coletivo. O modelo mental coletivo é um parente distante do bom e velho ‘inconsciente coletivo’.

Ele é o resultado de séculos na evolução do ser humano com o mundo que o cerca. Sabemos o que representa perigo, por exemplo – seja aproximar-se de uma cobra venenosa ou atravessar a rua com o semáforo vermelho. Da mesma forma, entendemos o mundo coletivamente, aprendemos ao longo da vida maneiras de lidar com informação, diversos padrões que foram sendo construídos ao longo dos séculos. Em diversos pontos, pensamos da mesma forma – mas em outros, não.

Este é o modelo mental individual: a forma com que, a partir de um determinado momento da vida, começamos a interpretar os padrões que nos são passados no modelo mental coletivo. Analisando estruturas de organização e recuperação de informação, por exemplo, cada um de nós desenvolve um tipo de memória; fotográfica é uma delas. Todos têm – e precisam ter – modelos de organização mental, mas, individualmente, usamos o que mais se adapta à nossa vivência, à nossa personalidade, às nossas necessidades.

Para desenvolver a Arquitetura da Informação de um site ou app, qual deles devemos estudar, então, o modelo mental individual ou o modelo mental coletivo? É bastante provável que sua empresa ou seu cliente não tenha realizado pesquisas profundas (ou mesmo superficiais) sobre o comportamento dos públicos da marca no meio digital – calma, isso ainda é muito comum! -, e por isso é mais fácil recorrer a pesquisas sobre as características são comuns a todos os públicos nas mídias on-line, ou seja, o modelo mental coletivo.

Biblioteca

A criação da biblioteca foi, há muitos séculos, a primeira a concretização do modelo mental coletivo.
Àquela altura, não bastava mais armazenar informações em nossas mentes; para perpetuá-las, era preciso armazená-las e garantir sua recuperação de uma forma simples, capaz de ser compreendida por todos.

Você percebe, aí, paralelos com a tarefa de construir a Arquitetura da Informação de uma ambiente digital? Encare a chegada e um livro ou documento a uma biblioteca com a necessidade de incluir uma informação em um portal.

É preciso, primeiro, imaginar *onde* o livro/informação ficará localizado, e para isso é preciso organizar, antes, a própria biblioteca. A organização será por autor? Ou por assunto?
A maior lição trazida com o surgimento da biblioteca foi entender que, mais que organizar a informação, é mais importante pensar de que forma ela será buscada. Não haveria o Google se não existisse a biblioteca – pense nisso.

Casa

O nome não foi dado à toa: sim, Arquitetura da Informação tem total semelhança com a arquitetura que dá vida às nossas casas. Para quem está começando a lidar com AI, o importante é entender que o que impacta sua criação é o público que irá utilizá-la – mais até que o conteúdo que irá populá-la, até.

Imagine uma casa com dois andares: no primeiro, há uma sala, um extenso corredor que dá em dois quartos e, no final, um banheiro. Em um cenário inicial, vamos lidar com uma família com dois adultos e um filho adolescente. Nenhum problema na arquitetura pensada pelo casal na hora de construir a casa, correto?

Agora pense nesta mesma casa, mas outra família morando nela. Neste segundo cenário, temos um casal, apenas, que recebe várias visitas de parentes idosos. Neste exemplo, você construiria uma casa em que, no primeiro andar, há um corredor enorme, em que apenas no final está o banheiro? Jamais, não é? Assim, é bastante provável que nesta casa o banheiro fosse construído bem no início do corredor.
O detalhe mais importante a observar: em ambos os exemplos, o primeiro andar da casa não deixou de ter os mesmos cômodos (sala, banheiro, quartos). A única diferença foi a adaptação da arquitetura ao público que irá utilizá-la, certo? Em resumo, mesma casa, públicos diferentes.

Assim como toda tarefa, lidar com a Arquitetura da Informação de um ambiente digital requer prática, mas sempre há um ‘ponto zero’, um momento em que estamos tateando no escuro.
O objetivo desta coluna – bimestral – é criar uma ponte entre os universos da Informação e da Tecnologia da Informação, apresentando não apenas conceitos, mas também soluções para questões de AI.

Para quem está começando a me acompanhar na jornada, recomendo a ‘bíblia’ no assunto há mais de uma década: ‘Information Architecture for the World Wide Web’, de Peter Morville e Louis Rosenfeld, assim como a continuação, ‘Information Architecture: For the Web and Beyond’. Valem cada centavo.

Até a próxima!

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