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Desenvolvimento

Metodologias vêm e vão. As boas práticas ficam.

E acredito que sempre será assim. Algum tempo atrás, grandes projetos de software de sucesso foram desenvolvidos em metodologias das quais programadores mais novos nunca ouviram falar, mas que deram bons resultados na sua época (e algumas continuam dando). Esse programador mais novo provavelmente nunca trabalhou usando uma metodologia tradicional como Cascata e o RUP, por exemplo. Ele já entrou no fantástico mundo da agilidade usando XP, Scrum, Kanban…

Cada equipe de desenvolvimento, de acordo com o tipo de projeto a ser atacado, opta pela metodologia que considera a melhor para alcançar seus resultados. Algumas até criam suas próprias metodologias ou variações das já existentes. Variações!? Sim, variações. Eu já ouvi falar em ScrumBut, ScrumBan, Scrum++, xUP, e por aí vai.

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Existem equipes que optam por mesclar metodologias coletando o melhor de cada uma delas, adaptando-as às suas realidades, mas sem criar rótulos.

Seja trabalhando no modelo tradicional ou no ágil, o que todos queremos é produzir com qualidade, e a opção de escolha de cada metodologia deve ser respeitada, pois cada um sabe onde seu calo aperta.

Inúmeros são os profissionais que não abrem mão de uma farta documentação, de um completo levantamento de requisitos, de uma modelagem abrangente, mesmo desenvolvendo em um cenário de agilidade. E, falando no tradicional, quem disse que não podemos utilizar técnicas ágeis no RUP, por exemplo?

Planejar os testes, documentar, levantar requisitos, prototipar, modelar, programar em pares… Nada disso é propriedade de um nome, de uma sigla.

Às vezes estamos tão ligados no by the book que deixamos de aplicar várias coisas bacanas que dão resultado para não “ferir” os princípios da metodologia que escolhemos.

Hoje estamos no fantástico mundo da agilidade, que tem seu valor reconhecido, mas ainda existem muitas equipes que não a aplicam e continuam desenvolvendo produtos de qualidade.

A transição de uma metodologia para outra é sempre crítica. O profissional está saindo de uma zona de conforto, na qual tem suas entregas garantidas, para uma nova filosofia de trabalho. Isso é difícil, mas não impossível. Ousar mudar é para poucos.

Existem muitas discussões nos fóruns sobre soluções mirabolantes, sobre modelos de resolução de problemas, padrões que não podem deixar de ser seguidos.

As metodologias de hoje serão substituídas algum dia. Ou alguém duvida disso? Os nomes e as siglas vão mudar. Aí nós vamos falar que estávamos trabalhando de maneira errada? Claro que não! Tudo aquilo que aplicamos com sucesso hoje, vamos ter muita dificuldade de abrir mão. Podemos mudar? Sim, mas o valor do novo tem que ser provado. E será provado. Coisas novas e boas vão surgir. Que venham as novas metodologias, mas as boas práticas vão ficar.

Até a próxima.

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16 Comentários

Ronni Oliveira

Ótimo post Max.
“Às vezes estamos tão ligados no by the book que deixamos de aplicar várias coisas bacanas que dão resultado para não “ferir” os princípios da metodologia que escolhemos”

Grande abraço.

    Max dos Santos

    Ronni, obrigado pelo comentário. Acredito que devemos aplicar somente aquilo que enxergamos valor, aquilo que acreditamos que dá certo. Abraço.

Fernanda Rebelatto

Concordo que não é preciso abandonar o que já funciona, mas podemos melhorar a metodologia usando o melhor de cada uma. Lembrando que o que funciona para um, as vezes não funciona para o outro.

    Max dos Santos

    Fernanda, obrigado pelo comentário. Concordo com você e o que acabamos criando é a nossa própria metodologia. Abraço.

Leonardo Santos

Sou plenamente a favor de utilizar em benefício próprio o que cada metodologia tem de melhor. . Não gosto de me sentir preso a tecnologia/metodologia. Flexibilidade e desapego são idéias que temos que ter em mente sempre.
Belo artigo!

    Max dos Santos

    Leonardo, obrigado pelo comentário. Excelente colocação. Devemos saber aplicar o que cada metodologia tem de melhor, alinhado com a nossa realidade. Abraço.

Fabrício Olmo Aride

Legal Max, ótimo artigo, parabéns!

linuxander

Vi ser citado o RUP sendo ágil. Pois existe já a algum tempo o OpenUP. Que traz o melhor do RUP seguindo os princípios do manifesto ágil.

    Max dos Santos

    Linuxander, é exatamente este o ponto: a mescla do melhor de cada metodologia para o alcance dos resultados. Obrigado pelo comentário. Abraço.

Luiz Improta

Excelente artigo Max. Concordo que ficamos presos a metodologias até certo ponto “modistas” e esquecemos de outras.

Henrique

Muito boa a matéria… já trabalhei em uma empresa aonde fazer um curso de Scrum Master era o ápice e todas as técnicas deveriam ser seguidas à risca. Enfim, depois de um longo inverno perceberam que estavam fazendo coisas para “inglês ver”… Sempre tive o mesmo pensamento de unir aquilo que fosse realmente útil e benéfico as entregas de desenvolvimento. Muito bom!

    Max dos Santos

    Henrique, não podemos fechar os olhos para as coisas boas que aparecem, mas devemos sempre avaliar aquilo que realmente agregará valor ao nosso processo de desenvolvimento. Obrigado pelo comentário.

Raphael Amaral

Excelente post Max!
A realidade que hoje trabalhamos com diversas metodologias, quando falamos de consultoria. Pois cada cliente trabalha com uma cultura diferente, mas o que não consigo ver é que a consultoria deveria mostrar para o seu cliente que a metodologia aplicada em sua fábrica é a mais eficiente, desde que aplicada corretamente sem ferir seus valores e que a adoção dessa cultura pode trazer muitos benefícios para ambos.
Já a minha opinião é que criamos uma metodologia individual e tentamos aplicá-las nas equipes que atuamos e conforme vemos boas práticas, apenas adicionamos e remodelamos a nossa metodologia.

    Max dos Santos

    Raphael, melhoria contínua do nosso processo e aplicação de técnicas de sucesso, sem rótulos. Obrigado pelo comentário.

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