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Teoria do Design

Interpretando Formas

Olá pessoal! Neste artigo vamos trabalhar com formas simples para auxiliar na criação de diversos elementos fazendo uso de objetos semelhantes uns aos outros para alcançar resultados completamente diferentes, além de dispor de um certo cuidado para que muitos não interpretem de forma errada sua criação.

Alguns testes são importantes para analisar como nos saímos na hora de criar ou entender como reagem as pessoas perante os objetos apresentados.

Fazendo uso de formas simples

Quando precisamos criar objetos, marcas, símbolos ou personagens, às vezes fica complicado dar início ao projeto por falta de foco ou idéia.

Essas idéias não aparecem de uma hora pra outra, muitas vezes estamos inspirados e rapidamente um bom trabalho aparece. Nem sempre podemos contar com isso.

Vamos começar criando formas simples para que assim possamos dar uma alavancada em nossa mente para que mais e mais idéias apareçam.

Com formas geométricas simplificadas podemos montar diversos tipos de objetos, sendo que, para dar uma alfinetada da mente, basta ir posicionando os objetos até que consigamos formas satisfatórias. Pode-se fazer uso de softwares vetoriais como o Corel Draw, Free Hand ou qualquer outro que você tenha preferência para facilitar o processo.

A intenção, nesse caso, é criar o máximo de formas conhecidas, isto é, elementos encontrados em nosso cotidiano rotineiro ao qual não precisamos fazer muita força para encontrá-los.

Este processo implica em agregar formas simples à medida em que os objetos vão sendo criados.

Também pode-se utilizar esse procedimento em animações para que determinado elemento se transforme em outro. A mudança de foco da câmera, nesse caso, pode auxiliar para que a transição não fique rústica ou pareça forçada em determinados momentos.

Trazendo novas formas e interpretações

No próximo exemplo podemos notar que as formas podem possuir pequenas distorções. Essas distorções permitem um maior movimento, trazendo a possibilidade de conseguir tipos mais variados de desenhos por assim fazer uso de curvas. Assim conseguiremos criar formas suaves ou até uma composição inteira.

Podemos criar composições com essas formas e assim desenvolver certa facilidade na elaboração de logomarcas.

Analise os desenhos abaixo e mentalize o significado de cada um deles antes de prosseguir:

Nesse exemplo, pedi à um grupo de pessoas identificá-los e obtive as seguintes interpretações, respectivamente:

01. Número nove, espermatozóide, homem e rapaz no micro;

02. Número nove, mouse, câmbio de carro e digitação.

03. Apito, bexiga, mulher grávida (olhando para barriga) e computação.

Quando criamos um objeto podemos nos deparar com os mais diversos tipos de interpretações sendo que nesse exemplo o primeiro e último item se mantiveram intactos à interpretação, com exceção apenas de uma única pessoa que citou o primeiro item como um apito na primeira vez que o viu... É surpreendente ver como elas reagem às formas à primeira vista.

Quando temos visto interpretações de outras pessoas para com nosso trabalho chegamos até a pensar: Poxa, até que elas têm razão. Então, será que podemos ignorar essas interpretações variadas?

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No exemplo abaixo vemos uma gota que assumiu outros formatos, algumas pessoas enxergam o segundo elemento como um figo e outras como cebola e por aí vai.

A cebola ou figo, com sua ponta cortada, acrescida de um cubo traz a forma de um balão, mudando o ângulo do mesmo podemos até enxergar uma bola, claro que podemos encontrar um resultado não-positivo em alguns objetos, isto é, nenhuma forma poderia ser gerada em determinados casos.

Segue mais algumas interpretações das formas apresentadas acima:

01. Gota, cebola, balão e bola;

02. Gota, figo, balão e abóbora.

03. Gota, alho, balão e bola.

Muitas vezes criamos um desenho que pode atrair outros significados ou interpretações variadas por outras pessoas. Quem nunca criou algo que outras pessoas interpretassem diferente? Quem nunca criou algo onde outras pessoas encontrassem mais elementos na tela do que os que realmente criou?

É fato que muitos não possuem uma imagem completa de determinados objetos em mente, por exemplo: no caso da bola, a mesma deveria ter ao menos um pedaço de seu caule para se tornar abóbora... Houve pessoas que ainda assim não compreenderam a forma da gota devido ao reflexo apresentado. Caso os objetos apresentassem cores, reduziríamos muito a falta de compreensão dos elementos.

Um dos maiores males da criação é que corremos o risco de que nosso trabalho seja apenas bem compreendido por nós mesmos. O óbvio, muitas vezes, é o grande vencedor, entretanto, nessas muitas vezes, ele se apresenta assim apenas para o criador.

Percebo grande dificuldade para os clientes que desejam criar um logo ou marca. Geralmente eles ficam preocupados se as pessoas irão conseguir entender seu significado ou se o mesmo não está passando uma mensagem errada, muitas vezes isso não é tão preocupante quando o foco é apenas a estética.

* Fiz a pesquisa com alunos iniciantes em web design em 3 salas com 15 estudantes cada.

* Todos os elementos foram apresentados um de cada vez na ordem dos exemplos.

Disposição de objetos para treinar a mente

Quando começamos a dispor de diversas formas em um papel branco ou tela, podemos fazer uso de diversas formas geométricas. O criador deve, como treino, manter a mente livre de qualquer tipo de preocupação para que assim suas criações sejam regradas de espontaneidade e ritmo.

Quando falo de ritmo, quero dizer que sempre que começamos algo, fazemos com um pouco de medo ou às vezes parece que estamos presos e nada acaba saindo como queremos. Assim que conseguimos criar 5% do trabalho já nos sentimos empolgados e dispostos a ousar mais, essa ousadia é involuntária e está ligada à empolgação do resultado satisfatoriamente obtido.

Não é de se estranhar quando vemos profissionais de criação com roupas folgadas, chinelos e cabelo bagunçado, quanto mais a vontade melhor... Ninguém consegue ser criativo se não estiver descansado e à vontade.

Esse tipo de exercício tende a treinar nossa dinâmica para novas formas. Estas virão com mais velocidade em nossa mente lembrando-nos apenas de coisas que estão ao nosso redor, sem nos apegar às novas ferramentas ou pesquisas.

A pesquisa de exemplos prontos é um item facilitador na hora de criar, mas para saber como estamos nos saindo, nada melhor que fazer uso apenas de um papel branco durante o treino.

Estou dizendo isso pois muitos ficam presos à cliparts ou símbolos de fontes como Webddings e Wingdings, não que seja errado, não estou pregando isso...

Enfatizo apenas que o uso em demasia de objetos prontos não irá contribuir muito para o desenvolvimento do criador. Digo isso desconsiderando a possibilidade do criador não conseguir criar objetos.

Conclusão: podemos treinar nossa mente para que, com mais velocidade, as idéias de elementos apareçam. Assim, quando precisamos compor um plano estaremos dispondo de objetos com maior velocidade. Fica também a preocupação em fazer com que as pessoas não desfoquem sua arte com interpretações completamente distorcidas ao que representa o mesmo.

Grande abraço!


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5 Comentários

Wellington Santos
Wellington Santos

Fala Wellington, sou teu chará e leitor assíduo de tuas colunas...cara achei muito bom essa abordagem de levar ao entendimento do design e do processo de criação...sou professor de WebDesign tb e costumo apresentar as idéias dos teus artigos aos meus alunos, para que eles tb possam ter a visão de quão interessante é o processo de criação...Continue com essa abordagem e t+!!!

Hugo  Fernando Vasconcelos de Melo
Hugo Fernando Vasconcelos de Melo

Olá Wellington.

quero saber se posso usar os teus artigos para compor uma pequena apostila relacionada ao design e que é voltada para um mini curso de extensão na universidade federal rural de pernambuco.

Esse curso será feito para ajudar às pessoas que não têm o menor conhecimento de design e como seus artigos são ótimas introduções, creio que eles ajudarão e muito.
Fora isso, você escreve muito bem.

obs. colocarei seu nome e o endereço da fonte na apostila para que mais pessoas leiam sua coluna.

espero que você permita usar algumas de suas matérias nesta empreitada, porém, se não permitir, respeitarei sua decisão.
muito obrigado.

Wellington Carrion
Wellington Carrion

Hugo! Mandei um e-mail pra você... Wellington! Pois é chará, valeu pelos elogios... Obrigado novamente à todos que acompanham os artigos. Abraços! :o)

wallace vianna
wallace vianna

Muito legal sua matéria, lembrou as aulas de arte e percepção visual que tive na faculdade. Vc poderia continuar com esse tema, aplicando em projetos de identidade visual (positivos e negativos). Se desejar tenho alguns sites que serviriam de base para seus comentarios. Wallace wall@wallace.vianna.nom.br

Sidnei
Sidnei

Fala ai Wellington! Continua o mesmo: fornecendo estratégias e informações tão importantes quanto o conhecimento de ferramentas para a web. Parabéns e abraços....

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