Canais iMasters

Teoria do Design

O Azul

Olá pessoal! Agora faremos uma análise sobre uma das cores mais profundas, o azul. Nele, o olhar mergulha sem encontrar qualquer obstáculo, perdendo-se até o infinito, como diante de grande fuga das cores.

O azul é a mais imaterial das cores: a natureza o apresenta geralmente feito apenas de transparência, de vazio acumulado, o vazio do ar, de água, do cristal ou do diamante.

Domínio, ou antes, clima da irrealidade - ou da super-realidade - imóvel, o azul resolve em sí mesmo as contradições, as alternâncias - tal como a do dia e da noite - que dão ritmo à vida humana. Destemido, indiferente, não estando em nenhum outro lugar a não ser nele mesmo (o contrário do que acontece com outras cores).

O vazio é exato, puro e frio. O azul é a mais fria das cores (considerando que o branco não é cor), em seu valor absoluto, a mais pura, à exceção do vazio total do branco neutro. O conjunto de suas representações simbólicas depende dessas qualidades.

Aplicada a um objeto, a cor azul suaviza as formas, abrindo-se e desfazendo-as. Uma superfícia repassada de azul já não é mais uma superfície, um muro de azul já não é mais um muro.

Os movimento e os sons, assim como as formas, desaparecem no azul, afogam-se nele e somem, como um pássaro no céu. Imaterial em sí mesmo, o azul desmaterializa tudo aquilo que dele impregna.

É o caminho do infinito, onde o real se transforma em imaginário. Acaso não é o azul a cor do pássaro da felicidade, o pássaro azul, inacessível embora tão próximo. Entrar no azul é como entrar no País das Maravilhas: passar para o outro lado do espelho.

Ele é o caminho do afastamento do tema de conversa ou de qualquer fala, quando ele escurece, com uma tendência natural, torna-se o caminho dos sonhos.

O pensamento consciente, nesse momento, vai pouco a pouco cedendo lugar ao inconsciente, do mesmo modo que a luz do dia cai-se tornando insensivelmente a luz da noite, o azul da noite.

Um ambiente azul acalma e tranqüiliza, embora não tonifique (ao contrário da cor verde), portanto fornece apenas uma evasão sem sustentação do real. Apenas uma fuga que, a longo prazo, se torna deprimente.

Seu movimento para o pintor Kandinsky, é a um só tempo, o movimento de afastamento do homem e movimento dirigido unicamente para seu próprio centro que, no entanto, atrai o homem para o infinito e desperta-lhe um desejo de pureza e uma sede de sobrenatural.

Segundo Kandinsky, a profundidade do verde dá uma impressão de repouso terreno e de contentamento consigo mesmo, ao passo que a profundidade do azul tem uma gravidade solene, supra terrena.

Essa gravidade citada, evoca a idéia de morte: as paredes das necrópoles egípcias, sobre as quais se destacavam, em ocre e vermelho, as cenas dos julgamentos das almas, eram geralmente revestidas de um reboco azul-claro.

Os Egípcios consideravam o azul como "a cor da verdade". A verdade, a morte e os deuses andam sempre juntos, e é por isso que o azul-celeste é também o limiar que separa os homens daqueles que governam, do Além, seu destino. Esse azul sacralizado é o campo elísio, o útero através do qual abre seu caminho a luz de ouro que exprime a vontade dos deuses.

O azul é a cor da lógica e ponderação. Totalmente ampliada aos nossos horizontes, o que resulta em uma visão maior sobre os assuntos que estão a nossa volta.

É grande e estimulante à razão, a verdade, a lógica, de uma forma fria (decidida). O azul não é deste mundo, sugere uma idéia de eternidade tranqüila. Uma de suas especialidades é auxiliar na tomada de decisões, quando sobrepõe o racional ao emocional.

Zeus e Jeová tronam (exibem-se no alto, majestosamente) com os pés pousados sobre o azul-celeste. Juntamente com o vermelho e o ocre-amarelado, o azul manifesta as rivalidades entre o céu e a terra, onde o céu e a terra sempre estiveram face a face.

Os leões e os tigres azuis, que abundam na literatura Turco-Mongol, são também atributos cratofânicos de Tangri, pai dos altaicos, que reside acima das montanhas e do céu, e que, com a conversão dos turcos ao islamismo, se transformou em Alá.

No combate entre o céu e a terra, o azul se alia ao branco contra o vermelho e o verde, tal como é tantas vezes atestado na iconografia cristã, principalmente em suas representações da luta de São Jorge contra o Dragão.

A expressão "sangue azul" é explicada:

Na Idade Média, blasfemar era um pecado mortal, e os camponeses jamais se arriscavam a nele incorrer; os senhores feudais, porém, costumavam fazê-lo sem o menor escrúpulo, até o dia em que certo jesuíta, favorito do rei, proibiu-lhes de empregar o nome de Deus em suas blasfêmias prediletas. Eles contornavam essa dificuldade substituindo Deus por Azul.

E essas imprecações acabaram se modificando:

Par la mort de Dieu (pela morte de Deus) passou a ser Morbleu;

Sacré Dieu (Santo Deus) passou a ser Sacrebleu;

Par le sang de Dieu (Pelo sangue de Deus), Palsembleu, etc...

A criadagem, que sempre ouvia essas imprecações, retinha apenas o final, ou seja, Sang Bleu, sangue azul. O uso dessa blasfêmia era privilégio da nobreza, para distinguir um nobre de um prebleu os criados costumavam dizer: "Esse é um sangue-azul!".

No budismo tibetano, o azul é cor de Vaicorana, da sabedoria transcendente, das potencialidades e, simultaneamente, tudo o que é vazio. É a cor do céu, da sabedoria do Dharma-dhâtuimensão (lei, ou consciência original), é de uma ofuscante potência, embora seja ela que abra o caminho da libertação. Ela pode ser sedativa e curativa, diminuindo a pressão arterial.

O branco e o azul, cores marianas, exprimem o desapego aos valores deste mundo.

Reencontam-se, portanto, valorizada positivamente pela crença do Além, a associação das significações mortuárias do azul e do branco. Em geral faz-se a promessa de trazer uma criança vestida de azul e branco em honra a Virgem. Essas cores representam que a criança não é sexuada, não pertencem a este mundo... são anjos.

O azul é cor do yang, a do Dragão Geomântico. Huan (azul), cor do céu obscuro, longínquo, que evoca a morada de imortalidade, mas evoca também o não manifestado. Pode representar muitas vezes o veneno.

As línguas célticas não têm um termo específico para designar a cor azul. Ele é a cor da terceira função, produtora e artesanal.

A linguagem popular, por excelência uma linguagem terrena, não acredita absolutamente nas sublimações do desejo e, portanto, não vê senão perda, falta e castração, onde outros vêem mutação e novo começo. Conseqüentemente, o azul adquire, a maioria das vezes significação negativa. O temor metafísico torna-se assim, um medo azul, e passar-se-á a dizer: "não vejo senão azul", com o sentido de que nada vejo.

Em Alemão, estar azul significa perder a consciência por causa do álcool. O azul, em certas práticas deriva das normas, podendo até mesmo significar o cúmulo da passividade e da renúncia. Assim uma tradição das prisões francesas exigia que o invertido efeminado tatuasse seu membro viril de azul para exprimir que renunciava à sua virilidade. Ao contrário de seu significado mariano, neste caso o azul exprimia também uma castração simbólica; e a operação, a imposição desse azul, à custa de um longo sofrimento, testemunhava um heroísmo às avessas, não másculo, mas feminil, não sádico e sim masoquista.

O azul pode ter grande influência no ambiente de trabalho, sendo que quanto mais intenso e carregado mostra um grande entusiasmo com que se dedica ao trabalho, esboçando a sua indiscutível originalidade e a sua necessidade de equilíbrio.

Para melhor entendimento deste artigo, é importante ler também: "O Vermelho" e "O Verde".

Material de consulta: Dictionnaire Des Symboles - Livro Francês traduzido por Vera da Costa, Raul de Sá, Angela Merlim e Lúcia Merlim.

Abraços!


Comente também

5 Comentários

Pedro
Pedro

É Wellington! só me ersto msm t parabenizar por + 1 coluna d conteúdo intelectual tão elevado cara!
Tomara q estas suas colunas continue ótimas como sempre foram mano!
fui! falow

Emerson
Emerson

Parabéns Wellington pelas belissímas matérias, estou trabalhando em um projeto de pos-graduação que justamente trata de cores. É um projeto para crianças de 8 a 12 anos ( http://vba.artemundo.com.br/coloreba) e com certeza suas matérias estão sendo de grande valia..

um abs

douglas rossetim
douglas rossetim

boa materia gostei pacas ,valeu well abraços

tetri
tetri

Wellington, parabens cara! Seus artigos são muito bons.
E muito obrigado por compartilhar conosco estas idéias e informações.
Abraços!

Ester Nenoki
Ester Nenoki

Parabens... acho que vc está cansado de ouvir tantos elogioskkk mas não posso deixar de expressar minha admiração pelos seus artigos e vc num sabe o quanto tem me ajudado honra a quem tem honra ... não nos abandone nunca...

Qual a sua opinião?

Comentários considerados ofensivos serão moderados.

Parceiros

IBM
PagSeguro
Internet Innovation
Dialhost
HostNet
Tecla
KingHost
DotStore
Dinamize