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Teoria do Design

O Verde

Olá pessoal! Eis que nesse artigo iremos tratar da cor verde e todo seu valor simbólico. Situado entre o azul e o amarelo, essa cor é o resultado de suas interferências cromáticas. Mas entra juntamente com o vermelho em um jogo de alternâncias. A rosa desabrocha entre suas folhas verdes.

O verde é a cor do reino vegetal se reafirmando, graças às águas regeneradoras e lustrais nas quais o batismo tem todo seu significado simbólico. O verde é o despertar das águas primordiais e da vida.

O verde, valor médio entre o calor e frio, o alto e o baixo, à mesma distância do azul celeste e do vermelho infernal - ambos absolutos e inacessíveis - é uma cor tranqüilizadora, refrescante e humana. A cada primavera após o inverno, reveste a terra de um novo manto verde que traz nova esperança. A primavera manifesta-se através do derretimento dos gelos e das quedas de chuvas fertilizadoras.

Winkerman escreve que se a figura de Netuno tivesse chegado até nós em pintura, ele teria roupa verde-mar ou verde claro. Enfim, tudo o que fosse relacionado com os deuses marinhos, até os animais que lhes eram sacrificados, traziam pequenas faixas verdes. Devido a isso os poetas imaginam os rios com cabelos dessa cor.

Essa cor está relacionada com o raio. Corresponde, na China, ao trigrama tch´en, o trovão é signo da ascensão de yang; corresponde também ao elemento madeira. É a cor da esperança, da força da longevidade (e, por outro lado também da acidez). É a cor da imortalidade universalmente simbolizada pelos ramos verdes.

Por ser cor da esperança podemos associar a cor verde com o personagem Cebolinha de Maurício de Souza.

O mesmo alimenta uma forte vontade de ser o dono da rua com seus planos infalíveis para derrotar a dentuça.

Sua cor, talvez por coincidência, possui vínculo total com o vermelho (cor da personagem Mônica). Essas cores se repelem e se complementam ativamente sempre que apresentadas em suas histórias. Os personagens da Turma da Mônica dispensam maiores comentários.

Algumas culturas consideram o verde uma cor secundária, oriunda do vermelho. Nessa representação, muitas vezes se vê como complementação dos sexos: o homem fecunda a mulher, a mulher alimenta o homem; o vermelho é a cor masculina e o verde a cor feminina. No pensamento chinês é o yin e o yang; o primeiro, masculino e o segundo feminino. o equilíbrio dos dois é o segredo do homem e a natureza.

A expressão "Ficar Verde", nascida da hipertensão provocada pela vida urbana, também exprime a necessidade de uma volta periódica a um ambiente natural, o que faz do campo um substituto da mãe.

O diário de um esquizofrênico citado por Durant mostra isso: "Senti-me, escreve o doente, próximo da cura, entrando numa paz maravilhosa. Tudo no quarto era verde. Pensei estar num charco (lugar onde há água estagnada e pouco profunda), o que pra mim, equivalia a estar dentro do corpo da mãe... Eu estava no Paraíso, no seio materno."

Na Idade Média, o jaleco dos médicos eram verdes por usarem plantas medicinais; nos dias de hoje foram substituídas pelo vermelho escuro que, intuitivamente, exprime a crença no segredo da arte médica; mas o verde continuou sendo a cor dos farmacêuticos, que elaboram os remédios.

A publicidade farmacêutica soube trazer de volta uma velha crença dando valor mítico de panacéia (remédio com que se pretendia curar todos os males físicos e morais) e palavras como clorofila ou vitaminas.

O verde - envolvente, tranqüilizante, refrescante e tonificante - é celebrado nos monumentos religiosos erigidos no deserto por nossos ancestrais. Para os cristãos, a esperança, virtude, permanece verde. Mas o cristianismo desenvolveu-se em climas temperados, onde a água e a verdura tornaram-se banais. Totalmente diferente é o caso do islamismo, cujas tradições criaram-se como miragens, acima da imensidão hostil e ardente dos desertos. A bandeira do Islã é verde, e essa cor constitui para o muçulmano o emblema da salvação, o símbolo das mais elevadas riquezas, materiais e espirituais. Dizem que era verde o manto do enviado de Deus.

Benéfico, o verde reveste-se, portanto, de um valor mítico, dos paraísos verdes e dos amores infantis: também verde como a juventude do mundo, é a juventude eterna prometida aos eleitos. A verde Erin, antes de tornar-se o nome de Irlanda, era o da ilha dos bem aventurados do mundo Celta. Os místicos alemães (Mectilde de Magdeburgo, Angelus Silesius) associam o verde ao branco para qualificar a Epifania* e as virtudes cristãs, a justiça do verde vindo complementar a inocência do branco.

* Epifania: Manifestação de Jesus Cristo perante os Reis Magos que o vieram adorar. A partir da reforma do calendário litúrgico (ciência que trata das cerimônias e ritos da Igreja) de 1969, celebra-se no segundo domingo depois do Natal.

Podemos encontrar a mesma complementação do verde e vermelho nas tradições relativas as divindades do amor. Afrodite, que surgiu das espumas das ondas, fica dividida entre a atração de dois princípios masculinos - o esposo, Hefestos, fogo ctoniano (deuses que residem nas cavidades da Terra), e o amante Ares, fogo uraniano. No dia em que Hefestos surpreende os amantes abraçados é Posêidon, Deus das águas, que intervém em favor de Afrodite.

Na Idade Média os pintores pintavam a cruz de verde - que representou o instrumento da regeneração do gênero humano através do sacrifício de Cristo.

A cor verde era muito simbolizada pela monograma do Cristo Redentor, formado por duas consoantes da palavra verde. Por essa razão, a luz verde toma uma significação muitas vezes oculta.

Os Egípcios temiam os gatos de olhos verdes e puniam com a morte as pessoas que os executavam. Na tradição órfica, o verde é a luz do espírito que fecundou no início dos tempos as águas primordiais, até então envoltas em trevas.

Para os alquimistas é a luz da esmeralda que penetra os maiores segredos. A partir disso é possível compreender o significado do raio verde: se ele é capaz de tudo atravessar, é portanto a morte ou vida.

O verde da pele do enfermo opõe-se ao verde da maçã e embora as rãs e as lagartas verdes sejam divertidas e simpáticas o crocodilo, escancarando a goela verde, é uma visão de pesadelo, portas do inferno abrindo no horizonte para aspirar a luz e a vida.

Essa cor pode possuir um força maléfica, noturna, como o símbolo feminino. A linguagem o demonstra - podemos ficar verdes de raiva ou verdes de frio. A esmeralda, que é uma pedra papal, também é a pedra de Lúcifer antes de sua queda.

Embora o verde fosse o símbolo da razão - os olhos de Minerva - na Idade Média, tornou-se também o símbolo do irracional e o brasão dos loucos. Satanás também foi representado num vitral da Catedral de Charles, de pele e olhos arregalados com tons de verde.

O verde transmite paz. Integra emoção e razão. Produz um ambiente calmo e com muita energia ao mesmo tempo. É o verde dos ecologistas, trás nostalgia.

O verde é a cor da água, assim como o vermelho é a cor do fogo, e é por essa razão que o homem sentiu, instintivamente, que a relação dessas duas cores são análogas às de sua essência e existência.

Van Gogh escreveu: "Procurei exprimir com o vermelho e o verde as terríveis paixões humanas". (Letters à Théo, sur le café de nuit, de 8 de setembro de 1888)

Representa o Graal, vaso de esmeralda ou cristal verde, portanto o verde mais puro, que contém o sangue do Deus encarnado, no qual se fundem as noções de amor e sacrifício. A luz divina apresentada no Graal contém a própria essencia da divindade, ao mesmo tempo com o verde de jaspe (quartzo opaco criptocristalino) e de um vermelho escuro e profundo.

Ao interpretar esses dois aspectos essenciais do verde, cor natureza e fêmea, os especialistas modernos da comunicação e marketing concluíram, depois de testes e sondagens, que o verde é a cor mais calma que existe, é uma cor sem alegria ou tristeza, sem paixão... que nada exige.

Ele é a oscilação entre o dia e a noite, a germinação e a putrefação, o pêndulo parado no ponto zero da balança. A paz do verde seria a paz da neutralidade.

Especialistas especificam que se trata do verde puro, que qualquer acréscimo de um pigmento estranho, por mais leve que seja, elimina sua neutralidade para trazê-lo de volta a a agitação da sociedade:

- uma ponta de amarelo lhe dá força ativa, um aspecto ensolarado.
- com um azul dominante, o verde torna-se sério e carregado de pensamentos.

Claro ou escuro, o verde mantém seu caráter original de indiferença e calmaria; no verde-claro predomina a indiferença; enquanto a calma sentimos mais no verde-escuro.

Em nossa época, em que, através de descobertas científicas, o fantástico retoma um significado cósmico: a representação de marcianos ou extraterrestres.

O verde conserva um caráter estranho e complexo, que provém da sua polaridade dupla: o verde do broto e o verde do mofo, a vida e a morte. É a imagem das profundezas e do destino incerto.

Material de consulta: Dictionnaire Des Symboles - Livro Francês traduzido por Vera da Costa, Raul de Sá, Angela Merlim e Lúcia Merlim.

Abraços e até mais!


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4 Comentários

Douglas Souza
Douglas Souza

dá até pra explicar o que é o verde pra um cego!
show!!!

DvD
DvD

olá wellington. Não entendi quando vc escreveu q os jalecos atuais foram substituídos de verde para o vermelho-escuro. O correto não deveria ser o contrário? Porque roupas vermelhas saturam os olhos de médicos e cirurgiões durante as operações (até por isso que não se usa mais jalecos brancos), confundindo os olhos do médico.... portanto isso me pareceu estranho!
parabens pela série de cores!

Wellington Carrion
Wellington Carrion

Bom, o fato é que o verde, no caso da medicina, exprime apenas seu valor simbólico e não se aplica em todas as culturas. Não significa que deve ser mantido universalmente, tem apenas valor representativo e simbólico caracterizado pela arte médica. Grande Abraço e muito obrigado a todos que postaram nessa série!!!

Caco Barros
Caco Barros

"Na Idade Média, o jaleco dos médicos eram verdes por usarem plantas medicinais; nos dias de hoje foram substituídas pelo vermelho escuro que, intuitivamente, exprime a crença no segredo da arte médica..." - Nunca vi um jaleco vermelho...

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