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Teoria do Design

O Vermelho

Grandes amigos! Como recebi muitos e-mails pedindo mais detalhes sobre a simbologia das cores, eis a publicação do primeiro de uma seqüência de artigos dedicados as cores mais polêmicas.

Como visto no artigo Cor, elemento fundamental, as cores possuem caráter simbólico, sendo elas não somente geográficas, mas também detentoras de todos os níveis do ser e do conhecimento cosmológico, psicológico, místico, etc.

As sete cores do arco-íris foram postas com as sete notas musicais, os sete céus, os sete planetas, os sete dias da semana, etc. Determinadas cores podem simbolizar elementos, tais quais: vermelho e laranja, o fogo; amarelo ou branco, o ar; o verde, a água; o preto ou o castanho, a terra.

Elas simbolizam também o espaço: o azul, a dimensão vertical: azul-claro no alto (o céu), azul-escuro na base; o vermelho, a dimensão horizontal, mais clara a oriente, mais escura a ocidente. Elas simbolizam ainda: o preto, o tempo; o branco, o intemporal; e tudo o que acompanha o tempo, a alternância da escuridão e da luz, da fraqueza e da força.

Enfim as cores opostas como o branco e o preto, simbolizam o dualismo do ser. Dois animais confrontados um com o outros, um branco, outro preto; dois dançarinos, um branco outro preto, etc. Todas essas imagens traduzem conflitos de forças que manifestam os níveis de existência do homem, o preto representando forças noturnas, negativas e involutivas e o branco, as forças diurnas, positivas e evolutivas.

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O vermelho

Universalmente considerado símbolo fundamental do princípio da vida, com sua força, seu poder e seu brilho, o vermelho, cor do fogo e do sangue, pertence à eternidade dos afetos e sensualidade feminina.

O vermelho-claro é diurno, macho, tônico, incitando a ação assim como o sol, com sua força e brilho sobre todas as coisas.

O vermelho escuro, ao contrário, é noturno, fêmea, secreto e em última análise centrípeto; representa não a expressão mas os mistérios da vida. Ele seduz, encoraja, provoca, é o vermelho das bandeiras, dos cartazes das embalagens publicitárias; o outro alerta, detém, incita à vigilância e no limite, inquieta; é o vermelho dos sinais de trânsito, luz vermelha de proibição no cinema, sala de cirurgia, etc. É também a antiga lâmpada vermelha das casas de tolerância (prostíbulos), o que poderia parecer contraditório, pois, ao invés de proibir, elas convidam; mas não o é, quando se considera que esse convite diz respeito à transgressão da mais profunda proibição da época em questão a proibição lançada sobre pulsões sexuais, a libido, os instintos passionais.

Este vermelho noturno é a cor do fogo central do homem e da terra, o ventre e o atanor (forno) do alquimista onde pela obra em vermelho se opera a digestão, o amadurecimento, a geração ou regeneração do homem ou da obra. Os alquimistas ocidentais, chineses e islâmicos utilizam o sentido do vermelho de um modo idêntico ao enxofre vermelho dos árabes, que designa o homem universal. O mesmo se dá ao arroz vermelho dos chineses, que é também o fogo ou sangue do atanor ao qual se transforma para simbolizar a imortalidade.

O vermelho sagrado e secreto é o mistério vital escondido no fundo das trevas e dos oceanos primordiais. É a cor da alma e do coração, a cor da ciência e conhecimento esotérico. Nas lâminas do Tarô, o Eremita, o Papisa, a Imperatriz usam uma toga (túnica) vermelha sobre um manto azul: os três, em graus diferentes representam a ciência secreta.

Este vermelho noturno é somente visto no curso da morte iniciatória onde adquire valor sacramental. Os oceanos Purpúreos dos gregos e o Mar Vermelho estão ligados ao mesmo simbolismo: representam o ventre, onde morte e vida se transmutam uma a outra. Iniciático, o vermelho sombrio tem significado fúnebre: a cor púrpura, segundo Artemidorus, tem relação com a morte.

Este vermelho quando concentrado significa vida e quando espalhado implica em morte. O sangue que deitam fora é impuro, ao passar da noite uterina ao dia, ele inverte sua polaridade e passa do direito ao esquerdo. As mulheres menstruadas são intocáveis em numerosas sociedades. Em muitas delas, elas são obrigadas a realizar um retiro purificador antes de se reintegrar à sociedade ao qual foram temporariamente excluídas.

O vermelho vivo, diurno, solar, centrífugo, incita à ação; ele é a imagem de ardor e beleza, de força impulsiva e generosa, de juventude, saúde e riqueza... riqueza de vida e amor. É o símbolo da vitalidade: A pintura vermelha diluída em óleo vegetal tem poder vitalizador; as mulheres na África usam seu corpo e rostos pintados da cor vermelha nas vésperas de seus casamentos ou depois do nascimento de seu primeiro filho.

Ela tem o poder de despertar forças e alimentar desejos. Torna o ambiente mais quente e confortável.

É a cor guerreira, que é muito encontrada na guerra pela devastação das armas de fogo e pelo sangue, é também da cruz vermelha salvadora e do alerta, é incitadora de atenção, sempre inquieta e de destaque. Cor do inferno e seu fogo intenso, assim como a cor do demônio e suas tentações.

O vermelho e o branco são as duas cores consagradas a Jeová como Deus. Não há povo que não tenha expressado, a sua maneira, todo o poder e fascinação desta cor que leva em si, intimamente ligados, os dois mais profundos impulsos humanos: ação e paixão, libertação e opressão; isso as bandeiras que tremulam ao vento do tempo o provam.

Vinde e discutamos, diz Jeová,
Quando os vossos pecadores forem como o escarlate
Como neve eles embranquecerão,
Quando eles forem vermelhos como a púrpura,
Como lã tornar-se-ão.

É a cor empregada para identificar e distinguir equipamentos de proteção e combate a incêndio ou sua localização, inclusive portas de saída de emergência. Nestes casos ela nunca deve ser usada para assinalar perigo e sim advertir.

Ela também é utilizada em sinais de parada obrigatória e de proibição, bem como nas luzes de sinalização de tapumes, barricadas, etc., e em botões interruptores para paradas de emergência.

O vermelho é a cor do coração, do amor e calor sentimental. Os lábios vermelhos trazem a sensualidade e as rosas, como presente, representam o amor em seu ambiente calórico.

A pimenta mostra ser mais picante quando sua tonalidade se mostra viva e forte.

Ela simboliza maior vínculo afetivo, grande profundidade nas relações e efervescência.

O vermelho, por ser uma cor estimulante, é a cor que chega mais rápido aos olhos. As crianças tendem a ser atraídas por essa cor e estimuladas pela mesma.

No Japão as mulheres usam, em sua maioria, vestes vermelhas que representam fidelidade, sinceridade e felicidade. Os recrutas usam cintos vermelhos em sua partida para simbolizar a fidelidade a pátria. De acordo com escolas xintoístas, ela é uma cor de harmonia e expansão. Quando se comemoram um aniversário ou sucesso em um exame, colore-se o arroz de vermelho.

Material de consulta: Dictionnaire Des Symboles - Livro Francês traduzido por Vera da Costa, Raul de Sá, Angela Merlim e Lúcia Merlim.

Até a próxima!


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7 Comentários

Maurício J. Fávaro
Maurício J. Fávaro

Simplesmente fantastica esta materia..
realmente somo privilegiados de contar com um conteudo rico e de facil acesso. Parabens mais uma vez!

um abraço meu amigo

Fabio Lody

Pedro
Pedro

Meu amigo, tenho mesmo é que te dar os parabéns pois não só esta coluna, mas todas as postadas por você são de uma qualidade e conteúdo indiscutível!!!
Sucesso para você, meu car, e que muitas colunas suas sejam postadas por aqui!

Douglas Souza
Douglas Souza

Isso não é uma coluna, é um poema sobre o vermelho! Os comunistas iriam gostar, brincadeira, professor!

Uanderson
Uanderson

Eu vivo dizendo pra quem pergunte, que não basta saber desenhar no Corel Draw, Pintar no Photoshop Editar no Quark, Page Maker, Dreamweaver e outros tantos softwares para aplicações de Design em várias áreas. É preciso antes de tudo ter noção de arte, conhecimento clássico que vai ficando esquecido em detrimento ao conhecimento técnico de um software. Uma coisa não funciona sem a outra, e um designer de verdade, tem que conhecer teoria das cores, tem que conhecer um pouco de história da arte, tem que saber no mínimo fazer um raf a mão. Mas o ideal é que tenha alguma noção de desenho. Senão não é designer! A qualidade destas matérias sobre cor, espaço e signos é a prova mais cabal disso. O I Master e o Wellington estão realmente de parabens por essa percepção que raras vezes a gente pode encontrar na internet brasileira. Obrigado.

Caco Barros
Caco Barros

pindamonhangaba!!!Isso que eu chamo de professor, se eu tivesse um assim na facul não tinha desistido dela....

Fabio
Fabio

Muito util !!
Brigadão'

Paulo Pertrini
Paulo Pertrini

Muito bom!
Obrigado pela matéria.

Visite o meu Blog:
www.pertrini.wordpress.com

Abraço.

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