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As três redes corporativas

Se o seu negócio tem a ver com o Brasil, ele tem tudo a ver com redes sociais.  E você tem que ter uma estratégia para isso, e para ontem – Silvio Meira – da coleção.

Quando imaginamos implantar redes sociais digitais corporativas é preciso antes, contudo, analisar como  nos organizamos em rede dentro e fora das organizações.

Há um mito de que a sociedade ou a organização não é uma rede, é apenas uma hierarquia vertical, e rede é outra coisa, como uma nave chamada Internet que desceu do espaço no século XXI para mudar o ser humano num toque de mágica.

Entretanto, acredito que já temos história suficiente para compreender que o ser humano já disse a que veio e que as redes fazem parte da nossa vida, desde o dia em que começamos a nos ver como grupos.

Temos apenas agora uma nova possibilidade de organização em rede, através do uso de ferramentas digitais.

É o digital sobre as antigas redes humanas, e não a nova rede digital sobre um novo ser humano.

Assim, hierarquia não é uma coisa e rede é outra.

Tudo é rede!

E sempre será!

Nossa procura é por redes menos verticais e mais dinâmicas.

Tudo é rede: departamentos nas organizações, os grupos de projeto, uma turma, um coral.

Redes humanas que usam as ferramentas disponíveis para fazer, conhecer e se relacionar!

Redes temos e teremos sempre, pois é através delas que circulam ideias, informações, produtos.

Estamos migrando, entretanto, atualmente de redes mais centralizadas para outras mais descentralizadas, através de uma nova cultura de controle inevitável e só possível por causa das novas tecnologias cognitivas digitais.

O problema é que não víamos a sociedade e as organizações dessa maneira – em rede – , mas é uma visão que ajuda bastante nos projetos a serem implantados pelos agentes de mudança na passagem da cultura analógica para a digital.

Redes, assim, são ferramentas humanas mais ou menos eficientes para resolver problemas mais ou menos complexos.

As redes podem ser mais ou menos abertas, com as ferramentas que temos para nos permitir agir, aprender e nos relacionar:

Uma organização, portanto, é uma rede de pessoas que trabalha de uma forma mais ou menos hierárquica e agora precisa passar a trabalhar de uma forma menos hierárquica ainda, a partir de uma nova cultura de controle digital, uma forma mais hábil e eficaz de resolver problemas.

Dessa maneira, se conseguirmos analisar os tipos de redes que existem, é mais fácil poder ajudá-las a fazer a migração para algo mais dinâmico, diagnosticando cada categoria de rede, seus objetivos e como podemos implementar a cultura digital nelas.

Porém, esse olhar de rede é algo novo!

Incomum.

É um impasse teórico que nos obriga a re-radiografar a organização com esse novo olhar.

Depois de quase nove meses de projeto com o Grupo de Gestão de Conhecimento da Petrobras, ano passado, ao tentar classificar redes corporativas por lá, chegamos à conclusão de que numa organização a forma mais eficaz de classificar as redes era dividi-las em três tipos distintos e integrados.

São eles:

Redes de ação – estruturadas para criar e melhorar processos, visando à geração e à manutenção de produtos e serviços. São elas o principal ambiente das organizações.

Exemplo: departamentos, projetos, gerências etc.

Meta e resultados esperados: processos para criação, produção ou melhoria em produtos, serviços. Podemos dizer, assim, que mais de 80% das redes em uma organização são Redes de Ação.

Redes de conhecimento – processos para abastecer as redes de ação de informação e de conhecimento necessários para uma ação mais eficaz.

Exemplo: comunidades de prática, redes de inovação, grupos de discussão, turmas de treinamento.

Meta e resultados esperados: melhorar a capacidade de resolver problemas.

Rede de relacionamento – processos para criar ambiente/clima favorável para as redes de ação, através de aumento de confiança entres as pessoas.

Exemplo: grupos de setores por tempo, afinidades, interesses.

Metas e resultados esperados: melhorar o ambiente de trabalho de tal forma a tornar mais fácil a resolução de problemas.

Podemos dividir ainda essas redes pelo grau de envolvimento e adesão a elas.

Assim, temos redes de ação, de conhecimento e de relacionamento:

Pontuais – mais fluidas em projetos que ocorrem por uma demanda específica, que se iniciam e acabam indo cada um para um lado:

  • Redes de ação: grupos de trabalho e de projetos;
  • Redes de conhecimento: uma turma em uma universidade corporativa;
  • Rede de relacionamento: um encontro de pessoas para comemorar um aniversário.

Permanentes – estruturadas de forma mais duradoura:

  • Redes de ação: gerências e departamentos;
  • Redes de conhecimento: uma comunidade de prática de longo prazo;
  • Rede de relacionamento: um coral.

Para que a organização funcione com uma melhor taxa de harmonia, as redes devem ser bem encadeadas.

Procura-se uma harmonia entre essas três para que se possa agir com o melhor cabedal possível de conhecimento em um ambiente favorável para que tudo possa fluir.

Porém, não podemos separar as três redes como se fossem estanques.

Foi outro grande aprendizado do nosso trabalho.

Cada uma dessas redes contém elementos das outras duas e, quando definem seu objetivo, ao serem criadas, como um botão circular de ajustes de temperatura dentro de uma geladeira, são invertidas, como demonstram os desenhos abaixo.

O botão da geladeira (também conhecido como termostato), o qual você vira e tem outro efeito.

Imagine rodando esses botões, quando definir o objetivo da rede, dando mais importância para a parte que está em cima do desenho, conforme o objetivo de cada rede.

No momento de troca, o vetor muda o percentual de ações para um determinado fim em uma taxa de 60% para o que está no topo, e de 20% nas outras duas que estão embaixo.

Uma representação de redes de ação:

Note que, na rede de ação, ações de conhecimento e relacionamento surgem naturalmente, ou até dentro de uma metodologia, através de treinamento ou reuniões para relacionamento. Redes paralelas de conhecimento e relacionamento, entretanto, dão suporte à Rede de Ação. Se cobrará em uma Rede de Ação, ao final, se produtos, serviços ou processos foram criados, melhorados. Além disso, pode-se também avaliar se houve melhora de conhecimento, como um sub-valor agregado, bem como o relacionamento. Problemas nas Redes de Ação podem ser resolvidos investindo em mais conhecimento e relacionamento.

Uma representação de redes de conhecimento:

Note que, na rede de conhecimento, ações e atividades de relacionamento surgem naturalmente, ou até dentro de uma metodologia, através de atividades ou reuniões para conhecimento. Redes paralelas de ação e relacionamento, entretanto, dão suporte à Rede de Conhecimento. Se cobrará, ao final, melhoria da capacidade de cada um que participou da rede de criar e melhorar produtos, serviços ou processos. Além disso, pode-se avaliar se houve melhora na maneira da ação rede de conhecimento funcionar, como um sub-valor agregado, bem como, o relacionamento. Problemas nas Redes de Ação podem ser resolvidos investindo em mais relacionamentos e análise de processos de ação.

Uma representação de redes de relacionamento:

Note que, na rede de relacionamento, ações e atividades de conhecimento  surgem naturalmente, ou até dentro de uma metodologia, através de atividades ou reuniões para relacionamento. Redes paralelas de ação e conhecimento, entretanto, dão suporte à Rede de Relacionamento. Se cobrará, ao final, melhoria da capacidade de se relacionar para criar e melhorar produtos, serviços ou processos. Além disso, pode-se avaliar se houve melhora na maneira da ação rede de relacionamento funcionar, como um sub-valor agregado, bem como, o relacionamento. Problemas nas Redes de Relacionamento podem ser resolvidos investindo em mais conhecimento e análise de processos de ação.

  • Uma rede de ação precisa tanto melhorar conhecimento e relacionamento se quiser melhorar a sua performance. Assim, na hora de analisar se há algum problema, pode se fazer ações de conhecimento/informação ou de relacionamento para ver se o problema pode ser superado.
  • Ações de conhecimento/informação podem ser através de treinamento, passagem de experiência, melhora do sistema de informação etc.
  • Ações de relacionamento pode ser a promoção de algum evento social, um encontro social etc.

Quando pensamos em implantar redes sociais corporativas devemos ter ações que contemplem as três redes de forma integrada, mas que contemplem principalmente a melhoria da atuação das Redes de Ação e o complemento no relacionamento e conhecimento.

Tal visão nos ajuda muito a pensar tecnologias e metodologias na implantação das redes sociais digitais corporativas.

É isso, que dizes?

Qual a sua opinião?