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E-books pagam as contas dos autores independentes?

A partir de hoje, esta coluna
apresentará, semanalmente, casos, discussões temáticas, dicas e
tutoriais sobre os vários aspectos do mercado de Self-Publishing
brasileiro e internacional com o objetivo de
orientar os autores independentes e as editoras que desejam se “aventurar”
no mundo da publicação independente de livros eletrônicos. Em caso de dúvidas mais específicas ou urgentes, você também poderá me contatar por e-mail e, em breve, pelo site do meu livro Guia Completo do Self-Publishing.

O americano Edward Jay Epstein, que exerce o oficio de escritor e jornalista investigativo há 5 décadas, assina o artigo Can E-Books Pay Off for Writers?, (inclui minhas anotações) publicado pela The Atlantic Wire,
no qual avalia a partir de sua própria experiência se é possível um
autor independente sobreviver da venda de e-books. 

O artigo de
Epstein é didático, mas não é conclusivo. Se por um lado alguns (poucos)
autores já conseguem ter um bom retorno na venda de e-books, a grande
maioria, incluindo o próprio Epstein, ainda tem um longo caminho a
percorrer. Entretanto, apesar dos resultados apresentados por Epstein
serem pouco animadores, os números
do mercado editorial americano que apontam um aumento constante na venda
de e-books (um crescimento de 1.247% nos últimos 3 anos) indicam um futuro bastante promissor para os que se “aventurarem” na exploração do mercado dos e-books.

Vamos aos fatos. O mais recente relatório da Associação dos Editores Americanos, publicado há poucos dias, mostra que enquanto as vendas dos impressos em capa dura e paperback
caíram, respectivamente, 23% e 18%, no primeiro semestre de 2011, a
venda de e-books aumentou pouco mais de 160% no mesmo período. Para citar um exemplo brasileiro
(onde esses números de mercado não são encontrados com facilidade), nos
últimos seis meses, na livraria eletrônica Gato Sabido, o volume diário de vendas de e-books quadruplicou.

Em paralelo, acompanhamos pela imprensa toda a turbulência
do mercado editorial americano, com livrarias tradicionais fechando suas portas, o aparecimento de produtos e modelos de vendas inteiramente novos e, principalmente, problemas e incertezas que pairam no ar sobre o quanto e como essas novidades impactarão os escritores que se sustentam exclusivamente de sua escrita.

Assim,
Epstein, após a publicação de 15 livros convencionais (leia-se
impressos), decidiu “embarcar na aventura” de publicar livros para
serem lidos no Kindle, iPads,
smartphones, Nooks, entre outros. Livros eletrônicos, essa é a senha
para que qualquer um possa publicar livros de diversos tamanhos e
gêneros sem precisar passar pela burocracia do processo editorial
tradicional. Epstein conta que levou apenas 12 horas, desde a publicação
de seu e-book Killing Castro, baseado em um relatório secreto da CIA a respeito de uma trama para assassinar Fidel Castro, para que ele atingisse décima sexta posição na lista de mais vendidos na seção American History da Amazon.

E-Publishing ao alcance de todos

Ao autor que domina o processo, o e-publishing,
ou a publicação eletrônica de um livro, poderá ser praticamente sem
custos e levará poucas horas. Para começar, o autor deve ter
uma cópia digital da obra, de preferência, no formato Word ou PDF. Se
preferir, você, autor independente menos familizarizado com as
ferramentas tecnológicas, poderá contratar o serviço de fornecedores. Os
preços dos serviços vão variar. Epstein diz que, ao custo de US$ 1 por
página, é possível contratar em Chennai, Índia, os serviços de digitação,
revisão e geração do arquivo digital. O autor independente brasileiro
poderá encontrar preços similares aqui no Brasil. Os passos para ter sua
obra publicada em e-book, em termos gerais, são idênticos aqui e lá.

Mas, antes, é importante que o autor se certifique de que
tem os direitos eletrônicos sobre o título em questão, dúvida que poderá
ser esclarecida com uma simples consulta ao seu agente ou editora pela
qual o livro foi publicado originalmente. No caso dos títulos novos, não
publicados previamente, o problema já está resolvido.

O próximo passo (importante, mas não
obrigatório) é a compra de um ISBN, um número que identifica unicamente um livro o mundo inteiro. Nos EUA, podemos comprar um ISBN por US$ 25 no site Bowker.com. No Brasil, a compra deverá ser realizada na Agência Brasileira de ISBN
e custará R$ 12,00. O formulário preenchido é enviado pelo correio, e o
prazo de emissão do ISBN será de 3 dias úteis (até 30 solicitações de
ISBNs) ou 7 dias úteis (acima de 30 solicitações) após o recebimento do
material enviado para a Agência. Depois do ISBN, vem a capa, ficha
catalográfica e outros elementos do livro que podem ser contratados de
freelancers. Por fim, o processo passa pela inclusão do livro
eletrônico nos sistemas de venda.

Sistemas gerenciadores de e-books

Na plataforma Kindle Direct Publishing
da Amazon, é possível registrar e, seguindo passos bastante simples e
claros, publicar seu livro gratuitamente. Faz-se o upload do arquivo
digital e, então, o passo seguinte será escolher o preço de capa. Se
mantiver o preço entre $2,99 e $999 você receberá 70% de cada venda
(quando o cliente for da Áustria, Canadá, Alemanha, Liechtenstein,
Luxemburgo, Suíça, Reino Unido ou Estados Unidos). O pagamento é feito
através de um cheque mensal da Amazon depositado em sua conta em
qualquer banco americano.

Mas
e se o seu leitor não usar o Kindle ou uma de suas aplicações de
leitura? Como você, autor independente, poderá fazer seu e-book chegar a
esse outro (grande) grupo de leitores? Uma das melhores opções é a Smashwords,
especializada na conversão e publicação de e-books de autores
independentes. Publicar seu e-book na Smashword é simples e grátis. Um
aspecto interessante dos e-books é a facilidade com que seu conteúdo
pode ser ligado a outros autores, assuntos, títulos e tags através da
base de dados da livraria on-line. Os livros impressos, por sua vez,
dependerão fortemente da qualidade dos metadados cadastrados com eles. 

Chegamos assim à parte mais
complicada: a venda do livro eletrônico. Para tirar vantagem da engine
de recomendação da Amazon, Epstein cadastrou seus 15 títulos na sua
página de autor. Os autores que cadastram seus títulos na Amazon podem
acessar um relatório de vendas online atualizado a cada hora, o que
lhes permitirá experimentar diferentes preços para seu livro, já que a
plataforma torna bastante fácil a troca de preços. Que lição nos fica da experiência de Edward
Jay Epstein? Uma, pelo menos, me parece bastante clara. Em tempos de
turbulência, prudência não deve ser confundida com inoperância, com
letargia.

Quem sai na frente, no mínimo, terá a oportunidade
de compreender e aprender mais rápido como funciona esse novo mercado
em muito bastante diferente do mercado editorial tradicional,
principalmente porque absorve em diversos aspectos características do
ecossistema do software. 

Por fim, um detalhe bastante importante, talvez o mais
importante de todos. O próximo passo que Epstein pretende dar (ele não
deixa dúvidas em seu artigo) é iniciar um trabalho mais metódico de
marketing digital nas redes sociais como Facebook, Twitter e Google
Plus.

E você, qual a sua opinião sobre o mercado de
e-books? E sobre projetos de self-publishing? Pretende iniciar algum
projeto deste tipo nos próximos meses? Escreva sua opinião na
caixa de comentários. Que tenha início o diálogo! 

Comente também

24 Comentários

R.L.Mandu

Estou prestes a lançar meu primeiro livro e viso futuramente o mercado digital, pois cresce gradualmente a procura por e-books na mercado nacional.

Ainda tenho muitas dúvidas, mas vou continuar acompanhando seu trabalho para esclarecê-las.

R.L.Mandu

Douglas Falsarella

Bom artigo Cláudio.

Sou colunista do Imasters tbm, e tive muita dificuldade para lançar um livro com uma editora, e acabei por fazer o livro impresso e logo mais em e-book.

Parabéns pelo artigo

Eder Modanez

Gostei da sua matéria, mostrou novos horizontes para a publicação de livros e como podemos trabalhar com essa nova maneira – a digital. Como designer surgiram algumas questões sobre a interação do leitor e sobre novas formas de explorar a leitura nas tablets.

C.S. Soares

R. L. Mandu, boa noite. Obrigado por seu comentário. Eu acho que você está certo em olhar com atenção as oportunidades do mercado digitais. Vários são os motivos. Muitos deles discutiremos aqui. Quando falo do mercado digital, friso que não me refiro apenas ao formato do objeto final (ebooks, apps, por exemplo) mas também ao processo de produção editorial como um todo. Hoje, no Brasil, o momento é bastante especial para o print-on-demand, ou impressão sob demanda, que, em resumo, significa que um livro (um único exemplar desse livro) só será impresso se e somente se houver uma venda através de uma e-livraria.

C.S. Soares

Olá Douglas, obrigado pelo gentil comentário. Há pouco mais de um ano trabalho em uma grande editora e compreendo bem (do lado do autor e do editor) essa relação as vezes tão “conflituosa” entre autores e editoras. O mais importante, entretanto, é que o autor saiba que, hoje, para atingir seu público leitor, basta “arregaçar as mangas” e ir à luta”. Uma editora tradicional não é mais a única alternativa. E isso precisa, urgentemente, ser compreendido também pelas editoras. Um grande abraço!

C.S. Soares

Eder, seja bem-vindo! Envie-me suas dúvidas, responderei com prazer. Dê também uma olhada na pesquisa “Desvendando a Adoção do Livro Digital: Uma experiência empírica utilizando um modelo em equações estruturais” (http://bit.ly/neogJT), apresentada durante o 2o. Congresso Internacional do Livro Digital, que aconteceu há poucas semanas em SP. Vale a leitura. Abs!

Jomar Silva

Por que não recomendar no artigo a utilização do padrão ePub, uma vez que ele é suportado por diversos leitores (de hardware dedicado à apps para tablets e smartphones), é um padrão aberto (sem royalties para a utilização) e usualmente demanda apenas software livre para a sua geração ?

    C.S. Soares

    Olá Jomar. Neste texto, meu objetivo era discutir o modelo, independentemente do formato. Mas, de todos os que estão disponíveis no momento (o site da Smashwords dá uma boa visão sobre eles), também prefiro o ePUB. Qualquer padrão que seja baseado em protocolos abertos terá a minha predileção. Em termos gerais, aqueles que produzirem seus livros eletrônicos com base na HTML 5 e CSS 3 estará fazendo uma escolha bastante apropriada. Em breve, falarei aqui especificamente deste tema dos formatos. Um grande abraço e obrigado por seu comentário!

Oliveira Filho

Oliveira Filho

Claudio, na Amazon, como fica a questão dos impostos a serem pagos por um cidadão brasileiro que vende seus livros através deles? Confesso que esse aspecto não ficou claro para mim, pois pareceu-me que existem taxas diferenciadas a serem pagas pelo estrangeiro de um país sem acordo tributário firmado com o EUA (parece ser o caso do Brasil) – e que encarecem bem o preço final. Se vc tiver alguma idéia sobre o assunto, agradeço.

Felipe Moreno

É interessante a questão levantada no título do seu post, Cláudio. Acho que a luta terá de ser intensa para que autores subsistam de seus eBooks (assim como vejo no caso de livros convencionais).
Eu fui aprender edição em ePub, que acho um formato bastante adequado para eBooks, e como citou o Jomar acima, um formato suportado pela maioria dos leitores de eBook no mercado.
Como autor, acredito bastante no self-publishing digital, e é o que tenho buscado fazer com meus títulos (se quiser conhecê-los, estão no site http://www.letrascriativas.com.br), mas também tenho oferecido serviços de editoração/programação do ePub para autores e editoras, bem como cursos que focam desde a parte criativa de histórias até a edição final digital de um ePub.
Concordo com você que as relações e os modelos de negócio para edição de eBooks mudam na medida em que os autores se sintam mais confortáveis com o self-publishing, porém há muito ainda a ser percorrido por todos do mundo editorial. Mas o burburinho já começou por aqui.

    C.S. Soares

    Felipe, bom dia. Obrigado por seu comentário e pela indicação do Letras Criativas, que irei conferir. Em outro artigo, escrevi sobre a necessidade de autores serem empreendedores. Estou preparando um outro (publicarei nas próximas semanas aqui) analisando como cada livro publicado assemelha-se a uma startup. O modelo de negócios das editoras já dá sinal, há tempos, de esgotamento. Não há como absorver, pelos “filtros tradicionais”, a quantidade de obras sendo produzidas. O próprio modelo de livro e até o de leitura está em xeque. Precisamos pensar fora da caixa e entender que o filtro não está na mão do editor, mas do leitor. É uma mudança de paradigma que impactará profundamente toda a cadeia produtiva do livro. Eu acredito que o self-publishing será a grande revolução deste mercado. Um grande abraço.

Mauricio Junior

Primeiro, meus parabéns pelo artigo, você foi bem claro.

Pessoal, sou autor de livros físicos e e-Books hoje. Porém gostaria de ressaltar que os dois mercados são importantes, não apenas um e sim os dois. A editora física possui os contatos para anúncios em todas as livrarias (físicas) do Brasil e as vezes até do mundo, com o seu livro. E e-Book muitas vezes é só pela internet!

Com o mercado amplo de hoje é bom arriscar utilizando todos os meios.

Magno de Santana Silva

Legal

bacana

Felipe Spina

Acabei de lançar meu primeiro ebook e também estou correndo atrás de tudo. Se quiser dar uma olhada: http://www.facemarketing.com.br
Abs

Henry Alfred Bugalho

Oi, Cláudio.

Desde 2008 que vendo ebooks dos meus livros e atualmente só vivo com a renda deles.

Meus livros nunca passaram por livrarias e a venda só ocorre através do meu blog (http://www.maosdevaca.com) diretamente para o leitor. Não tenho ISBN, nem nada disto. Apenas um arquivo em .PDF enviado para os e-mails dos leitores. Custo zero para mim, lucro total, sem intermediários.

Acredito que o grande problema dos livros impressos era a distribuição. Já dos ebooks é como atrair visibilidade para sua obra em meio a tantos títulos disponíveis. Neste ponto, entra a criação de plataformas (palavra que os americanos adoram), isto é, conquistar seu público através das redes sociais e consolidando a sua reputação. Isto é o mais difícil.

Tenho relatado minhas experiências com autopublicação em vários artigos do “Blog do Escritor” (http://blogdoescritor.oficinaeditora.com). A gente bate a cabeça a princípio, mas quando rompe a primeira barreiras, as coisas começam a andar.

Abraços e sucesso.

Dalton

Sabe dizer se a Amazon pagaria pelo PayPal?

Armando Villas

Olá,
O artigo é já um tanto antigo mas ainda vale para autores independentes que estão entrando nesse mercado agora. Recentemente outras plataformas de publicação e distribuição de e-books aterrisaram no Brasil (e América Latina), o que tem aumentado as chances dos autores indie desse lado de cá do planeta.
Um bom exemplo (onde eu publiquei meu e-book e me sinto muito satisfeito) é o http://www.xinxii.com/pt e também na Gato Sabido. A plataforma do XinXii também converte para os formatos diferenciados para as plataformas da Amazon, iBookstore e Kobo, ou seja, também está em parceria de distribuição.
Portanto, não somente os “grandes nomes” podem ser eficientes.
Fica minha dica (=
Abs,
Armando

Luciana

Onde está o seu livro “Guia Completo de Self Publishing”? Ele está disponível para download?

Kellvyn Atary

Cheguei aqui pelo livro iJumper!

Qual a sua opinião?