Desde quando comecei a utilizar a internet, a primeira coisa que veio em minha mente foi a palavra colaboração. Eu ficava tonto só de imaginar como mesmo utilizando da minha cidade, eu consultava dados armazenados em outro computador do outro lado do mundo.
Antes falávamos em uma grande rede de computadores. Acho que era a forma mais fácil de explicar algo tão desconhecido na época, além de possibilitar uma associação que ficava fácil para as pessoas entenderem. Com o passar dos anos, evoluímos esse conceito para uma grande rede de pessoas.

O começo da grande rede de pessoas
Com o surgimento dos blogs, sites de hospedagem gratuita (como GeoCities) e, na sequência, ferramentas de busca como o Yahoo e Altavista, mensagens instantâneas como ICQ, IRC, MSN, meta buscas e depois o tal de Google, a grande rede passou a ganhar cada vez mais um formato próprio e independente de qualquer outro conceito existente.
Atualmente chegamos aos modelos de redes sociais liderados pelo Facebook que, com o valor mais acessível dos computadores e democratização do acesso à internet usando banda larga, 3G e até em Lanhouses, tem conquistado um número cada vez maior de pessoas para a inclusão digital.
Propagação de conteúdo e feedback
Há alguns anos eu mantenho um blog e a grande dificuldade que sempre encontrei foi como conseguir provocar os leitores para que eles comentem, interagindo com o conteúdo enviado, colocando as suas opiniões sejam concordando ou discordando do que está escrito.
Esse é o principio básico da colaboração, onde cada um coloca um pouco do seu conhecimento e constrói algo fantástico e enriquecedor para todos. Se você pesquisar mais verá que esse problema é geral. Os leitores da maioria dos blogs não interagem com o conteúdo, deixando de lado a verdadeira experiência da web com a colaboração.
Com a nova fase das redes sociais, a esperança é que essa maturidade chegue o mais breve. A minha impressão pessoal é que ainda estamos no ano 1 da colaboração.
Quando "Curtir" ainda é pouco
Acredito que o primeiro curso de internet para os iniciantes deveria ser o Wikipedia para formar esse espírito nas pessoas. O Facebook disponibilizou um botão fantástico chamado de “Curtir” que, com um clique, você já interage com o conteúdo dando o seu feedback para o autor e ao mesmo tempo gerando conteúdo para a sua própria base de amigos - que vão acompanhar todas as suas recomendações. Isso consequentemente aumenta o interesse dos seus seguidores pelo conteúdo que você disponibiliza com o mínimo de esforço, equivalente literalmente a um clique.
Na prática, o resultado também está distante do esperado. Ao observar um relatório de visualização dos posts, você vai perceber que apenas cerca de 0.01% da audiência que leu o conteúdo fez algum tipo de interação.
Outro ponto importante que tenho visto é que em geral são as mesmas pessoas relacionadas a alguma atividade em outro tipo de conteúdo. A sensação é que somente esse grupo de 0.01% tem em mente a importância da colaboração e que o conteúdo gratuito disponibilizado para ele requer o mínimo de retribuição ao autor com um simples feedback.
O retorno também pode vir através do Twitter
Eu aprofundei as pesquisas realizando testes entre os seguidores no twitter por mais de um ano para um grupo de cerca de 2000 seguidores. Ao postar cada mensagem sempre observo como as pessoas reagem à provocação feita e impressiona o mesmo efeito.
No twitter temos um recurso chamado de “Retwitter”, que é uma propagação de conteúdo para sua base de usuários bem similar ao “Curtir”. São raros o que entendem a importância desse simples ato. Ou seja em ambos os casos o custo de colaborar é mínimo e, mesmo assim esse, ainda é um sentimento distante nas redes sociais atuais.
Para entender mais a fundo fiz um segundo lote de testes postando no twitter textos com um link para imagens e com isso conseguia obter um indicador de quantas pessoas naquele minuto estavam lendo aquela informação. Ao postar uma imagem, em menos de 10 minutos já tinha uns 50 cliques demonstrando que as pessoas estavam lendo aquele conteúdo mas, no entanto, se por acaso foi gerado algum “Retweet” foi um milagre.
Falta de interação e experimentos
Dentro do próprio Facebook, com mais de 600 milhões de usuários, o problema é o mesmo. São poucas as pessoas que interagem comentando e curtindo. Em meus pensamentos sempre vem a tona o que falta para que todos possam entender a importância da socialização e da maravilhosa liberdade de expressão em um ambiente tão democrático.
Às vezes me pergunto se é ainda uma limitação dessa geração atual que não entendeu a importância de se comunicar, associado à falta de conhecimento ou falta de atenção e senso de colaboração.
Agora rasgue tudo que você acabou de ler e faça uma promoção, oferecendo algum prêmio em troca. Você irá se assustar como as pessoas vão aprender a usar instantaneamente o botão “Curtir” e o “Retwitter”. Em todas as experiências que fiz, o resultado foi assustador.
Conclusão
Existe algo melhor que o próprio conteúdo que estamos oferecendo? As pessoas só vão participar se tiverem concorrendo a algum prêmio? Se elas sabem usar os recursos de colaboração para participar de sorteios, por que não usam normalmente no dia a dia?
Eu gostaria de convidar cada um de vocês a um momento de reflexão e que deixem essa luz acesa todos os dias, sempre se questionando se realmente está colaborando.
Lembre-se que uma simples atitude sua pode mudar muito a distribuição de conteúdo colaborando como agente transformador em um novo momento que estamos vivendo dentro desse conceito de comunidade global e conhecimento distribuído. Faça algo agora diferente agora e aproveite para curtir e deixar suas impressões nos comentários.












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