Olá, pessoal. Como consultor independente de banco de dados, já tive a oportunidade de conviver com vários departamentos de TI, em especial com os profissionais que trabalham com desenvolvimento e com infraestrutura. Neste artigo, vou apresentar, com bom humor, alguns grupos típicos que encontrei durante a minha carreira. A ideia aqui é apresentar os estereótipos sem discriminação, de forma divertida e não pejorativa.
Apenas para lembrar, já discuti aqui no iMasters diversas dicas indicando como ser portar no local de trabalho e também algumas habilidades não técnicas recomendados para quem trabalha na área.
Apenas um detalhe: alguns leitores podem achar fantasiosos, ofensivos ou mesmo de mau gosto os tipos de grupos que descrevo aqui. Apesar disso, infelizmente, esses tipos de grupos e atitudes de pessoas realmente acontecem nas empresas como já descrevi no artigo Diário de um DBA, publicado há algum tempo aqui no iMasters. Novamente, qualquer semelhança com a realidade é a mais pura coincidência.
01. Grupo do Vai Dar M#54d@ (by @azaghal)

Este grupo, também chamado de Departamento do "Vai dar M#54d@", na verdade é muito importante para as empresas, pois seus membros sempre estão preocupados com as consequências de certas ações ou decisões. Nota-se que existe uma diferença importante entre aqueles que desejam que a ideia não dê certo e aqueles que expressam a sua opinião e sugerem a execução de forma cautelosa. É possível observar a presença de um membro deste grupo quando atitudes sem planejamento são tomadas para atender demandas completamente sem noção, fora do escopo e que nem de longe utilizam os recursos da maneira adequada. Exemplo:
- Gerente de TI: Vamos colocar o Access como banco de dados para suportar o novo site da empresa.
- Programador: Access? Mas qual é a quantidade esperada de usuários?
- Diretor: Pouca coisa, certa de 10.000 acessos diários.
- Programador: Capitão, já avisei que isso vai dar m#54d@...
02. Pelotão da Má Vontade

O pelotão da má vontade pode ser identificado facilmente, pois geralmente é formado por aqueles profissionais que sempre dão uma desculpa ou inventam algum empecilho para não ajudar um colega e/ou para não ter para si mesmo uma nova tarefa ou responsabilidade. Esse tipo de indivíduo caracteriza-se por ser acomodado, indiferente ao que se passa à sua volta e por se preocupar apenas com seus ganhos pessoais e sua carga de trabalho. A sua atitude básica consiste em realizar o mínimo possível, da forma mais rápida, independentemente da urgência do que foi solicitado. O principal lema deste grupo é: "ema, ema, cada um com seu problema".
Veja abaixo como agem os membros do "Pelotão da Má Vontade", através de um ótimo esquete do programa Hermes e Renato, que apresenta a Legião da Má vontade:
Exemplo:
- Programador 1: O DBA otimizou a consulta SQL para evitar problemas de lentidão no sistema que os usuários tanto reclamam. Você altera lá o código fonte?
- Programador 2: Ah não! Vai dar um trabalho danado abrir o IDE, encontrar o programa, achar a linha de código, reservar o arquivo no repositório, codificar, fazer testes, enviar a produção, etc. É melhor deixar assim e pedir para o usuário selecionar menos campos na hora de pesquisar.
03. Turma do Botão F$@#2-s% Ligado

Os indivíduos participantes desta turma representam o exemplo mais clássico do profissional que acredita que ver o circo pegar fogo é o melhor espetáculo possível. Indiferentes e provavelmente de saco cheio de terem de aguentar o estresse do trabalho, do dia a dia, e as atitudes de chefes e colegas, os membros da turma do "Botão F$@#2-s% Ligado" estão sempre esperando uma oportunidade para esculachar pessoas, prejudicar a empresa e causar o máximo possível de dano ao ambiente de trabalho. É comum encontrar esse tipo de atitude em profissionais que estão sendo obrigados a fazer tarefas que não gostam ou não acreditam no resultado, especialmente se estiverem com vontade de sair da empresa, forem motivados por vingança ou tentarem matar o tempo cumprindo tabela, uma vez que já tenham outra oportunidade de emprego.
04. Grupo da M#54d@ No Ventilador

O elemento que faz parte do grupo "M#54d@ No Ventilador" pode ser facilmente detectado quando certas situações atingem um nível crítico de intolerância. Nesse cenário, o profissional não consegue mais se segurar e começa a citar todos os problemas, atitudes, recursos, decisões, pessoas e outros itens que lhe incomodam, sem pensar nas consequências das suas palavras e sem poupar ninguém. O catalisador para que um profissional entre neste grupo basicamente envolve o elevado nível de estresse profissional pelo qual se está passando, o que causa uma vontade incontrolável de jogar tudo para o alto e dizer coisas que podem atingir todos os envolvidos com TI e outras áreas. Geralmente, lidar com esse tipo de situação requer o isolamento do profissional e a amenização do que foi dito para não minar completamente a moral dos demais envolvidos.
Exemplo:
- Gerente de TI: Por que você não acionou a configuração X durante o período de pico de acesso no servidor? Estávamos todos contando com você e agora o cliente está pensando em cancelar o contrato! Você tem noção do que isso significa???
- Profissional de TI: Ah, eu não aguento mais! Além de ter que ficar de madrugada trabalhando que nem um desgraçado ganhando uma merreca que não dá para comprar nem uma bala ainda me colocam para gerenciar um software que só dá problema por que foi construído por aqueles programadores incompetentes. E a rede então? Caramba, tem dia que não consigo nem checar o meu e-mail! Pior é a diretoria que só investe em marketing e vendas e não ta nem aí para a TI. E você fica me pedindo para trabalhar de madrugada? Ah, vai ver se eu tô na esquina naquele café que você vai umas 10 vezes por dia enquanto a gente fica aqui ralando o dia inteiro no suporte aguentando usuários que nem sabem mexer direito no mouse e se acham só por quê saber entrar no Facebook!
05. Clube do Deixa Disso, Deixa Daquilo

O clube do"Deixa Disso, Deixa Daquilo" não são aquelas pessoas ávidas para separar uma briga logo que avistam uma. São aqueles que exercem uma preguiça quase profissional e sempre conseguem levantar no mínimo 5 motivos esdrúxulos para não fazer nada do que foi combinado. Muitos membros deste clube também fazem parte do pelotão da má vontade, porém os que demonstram elevado grau de preguiça geralmente são identificados por faltar ao trabalho, fazer longas pausas para o café, se comprometer e assumir uma responsabilidade que será negligenciada mediante uma desculpa qualquer e o não menos importante horário do sono no trabalho. Esse tipo de profissional tem potencial, porém precisa ser direcionado através de pequenas técnicas motivacionais como incentivos e corretivos.
06. Turma da Terra do Lango Lango (by @Honoratosama)

O Lango Lango foi um brinquedo muito popular durante a década de 1980. Ele era basicamente um fantoche que tinha dois braços, utilizados para socar o adversário. Seguindo essa analogia, podemos identificar várias pessoas no departamento de TI que vieram da terra do Lango Lango, pois se alguém comentar certas atitudes com elas, imediatamente receberá uma resposta digna de um soco de Lango Lango. E, para não ficar para trás, quem fez o comentário inicial retruca com outra resposta que mais parece um direto de esquerda. E assim os dois continuam discutindo e se agredindo verbalmente como dois Lango Langos. Um bate, o outro rebate.
Exemplo:
- Programador 1: Você conseguiu fazer o deployment da nova versão do site?
- Analista de infraestrutura 1: Consegui nada, aquela p$@% de arquivo que você mandou tava corrompido de novo. (POW!)
- Programador 1: Tava corrompida por causa da droga da rede que você montou. Fica fazendo download de pornografia o dia inteiro e por isso não fez o deploy, seu pulha! (SOC!)
- Analista de infraestrutura 1: Pelo menos eu não fico o dia inteiro no Orkut tentando xavecar a moça da recepção enviando fotos do seu churrasco na laje com seus manos da ZL! (POW!)
- Programador 1: Mano, nos meus churrascos vão altas gatas enquanto você fica o dia inteiro nessa...
É melhor parar por aqui, pois acho que já ficou claro quando podemos identificar dois espécimes provenientes da "Terra do Lango Lango" em um departamento de TI.
07. Parcerias Deixa Que Eu Deixo

Os participantes das parcerias do tipo deixa que eu deixo são aqueles que possuem sérios problemas de comunicação, entrosamento, cooperação e colaboração. Nem sempre eles agem de má fé, como os membros do grupo do "F$@#2-s% Ligado" ou do Pelotão da Má Vontade", mas os danos causados, a ingenuidade e a falta de trabalho em equipe podem causar vários problemas para a empresa. Geralmente, o que acontece é o seguinte: o lado A da parceria supõe que o lado B vai realizar determinada tarefa ou assumir um compromisso. Aí o lado A resolve assumir o trabalho, mesmo tendo deixado para o lado B fazer.
Como os dois lados confiam em suas suposições, eles vão trabalhando de forma separada até um determinado momento crucial (geralmente na apresentação para o cliente ou na entrega de um software, serviço ou produto) e aí a situação pega fogo, pois fica claro que nenhum dos dois lados da parceria se comunicou e ficou sabendo da atitude do outro, resultando em trabalho não realizado ou em trabalho realizado em dobro. Nesses casos, há uma tendência forte para que os membros se filiem na hora ao grupo da "M#54d@ No Ventilador" ou mesmo sejam transportados para a "Terra dos Lango Lango" e comecem a famosa discussão procurando apontar um único culpado.
8) Grupo do Depois Nós Resolvemos

Também conhecido como "Grupo da Gambiarra" ou "Grupo do SABC" (Solução Alternativa de Baixo Custo), esta tribo se caracteriza pelos sucessivos adiamentos na resolução de uma gambiarra que foi feita para atender a uma situação emergencial e, desde então, nunca foi modificada. A atitude dos membros deste grupo pode ser considerada bem-intencionada, porém não é raro observar que certas soluções alternativas sempre são adiadas e recebem prioridade baixa no que diz respeito à sua modificação.
Atualmente, contamos com muitas técnicas da programação ágil, metodologias, processos, refatoração e outros recursos que trilham o caminho para quem quer remover aquela gambiarra que funciona, mas não é a maneira mais indicada para resolver um problema. Contudo, essas técnicas e recursos são sumariamente desconsiderados pelos membros do grupo do depois nós resolvemos.
Exemplo:
- Programador 1: Então quando o usuário clicar no botão da página Web a gente recebe a requisição no servidor, chama um execu'tável da empresa X, coloca os dados em variáveis de ambiente, gravamos no banco de dados, montamos a página HTML e retornamos um OK para o cliente.
- Programador 2: Mas a empresa X não existe mais, não fornece o código fonte do executável, não dá mais suporte e não há como contatá-los caso tenhamos algum problema! Vamos montar a nossa solução baseada nisso???
- Programador 1: Por enquanto vamos fazer assim para colocar o site no ar, depois nós resolvemos...
09. Turma do Fica Tranquilo Que Vai Dar Certo Desse Jeito

A entrada no grupo do "Depois Nós Resolvemos" praticamente tem como pré-requisito a filiação ao grupo "Fica Tranqüilo Que Vai Dar Certo Desse Jeito". Este grupo tem como membro fundador o MacGyver e adoração pela utilização de tecnologias duvidosas e soluções não homologadas para ambientes de produção. Mas, justiça seja feita: existem diversos membros do grupo "Fica Tranqüilo Que Vai Dar Certo Desse Jeito" que realmente sabem o que estão fazendo e que podem ser confiáveis, porém a má fama se deve à alta incidência de problemas, insatisfações e emergências geradas quando se acata a solução sugerida por alguém que diz "fica tranquilo que vai dar certo desse jeito".
10. Tribo dos Clicadores

Na área de TI infelizmente encontramos muitos profissionais que estão mais preocupados em saber onde clicar do que em conhecer conceitos, padrões, teoria e aspectos não tão práticos quanto ao uso da interface de uma ferramenta. Já presenciei certas situações em que os profissionais estavam tão viciados na utilização de ferramentas, como os IDEs Visual Studio. NET, Eclipse, NetBeans ou algum framework, a ponto de acreditarem que tudo deveria ser resolvido com essas ferramentas.
Enquanto é importante se obter produtividade através de ferramentas, componentes, frameworks e afins, esses patins apenas auxiliam a andar mais rápido e podem causar dependência. Esse fato fica evidente em situações em que é preciso escrever no papel um programa em uma linguagem de programação qualquer. Nessas situações, é possível notar claramente quando um profissional possui uma dependência nociva dos recursos das ferramentas para programar, como autocompletar ou outros, e que sem esses recursos fica perdido, limitado e não consegue resolver a questão.
O vídeo abaixo mostra de forma bem humorada o que é ser um profissional clicador:
Um grande abraço, pessoal, e até a próxima!











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