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Os perigos de uma visão alienada no desenvolvimento de software

O avanço da sociedade e as demandas geradas pela globalização estão
diretamente relacionados aos avanços no desenvolvimento de software.

Desde os primórdios do desenvolvimento, até as sofisticadas aplicações web e mobile, muita coisa mudou em um período de tempo relativamente curto. E essas mudanças, em
minha opinião, acarretam alguns efeitos colaterais que chamaria de
“visão alienada de uma solução”.

A maioria dos desenvolvedores do paradigma estruturado não enxerga objetos como
solução, pois não imagina um mundo não estruturado. Por outro lado,
desenvolvedores que só trabalham com web não conseguem enxergar uma solução
diferente do escopo web, tendo como princípio o pensamento de que desktop já não
faz sentido.

Será que conseguimos imaginar como será a visão dos desenvolvedores de uma
suposta era Pós-PC? Quantas visões e quantas abordagens serão possíveis para solução de um
negócio? Quais os efeitos de uma “visão alienada”?

Temos como exemplo impactante na história os Incas, povo antigo que foi
extremamente poderoso. Porém, seu declínio nos traz um grande ensino.

O império Inca foi o mais poderoso da América Latina. Estava sob seu domínio
as áreas hoje equivalentes ao extremo norte do Equador, o sul da Colômbia, todo o Peru e a Bolívia, até o
noroeste da Argentina e o norte do Chile. O império tinha um grande poder sob a
região sul-americana, possuía exército poderoso e bem treinado, mas usava a
sua supremacia para tornar povos submissos. Se não fosse assim, o exército exterminava
a todos.

Então, com a descoberta do continente americano, países europeus enviaram seus exploradores para esse novo mundo – foi quando os espanhóis descobriram os Incas.

Mesmo com o assassinato do imperador Atahualpa, os incas não se submeteram
ao governo espanhol e começaram a se isolar. Além disso, descobriram o valor do
ouro e da prata e começaram a saquear e a empilhar tesouros, mas abandonaram
essa atividade. Com essa preocupação, as terras e as culturas foram negligenciadas,
e os incas experimentaram uma escassez de alimentos que jamais tinham conhecido,
e ainda sofreram com as doenças europeias, que levaram centenas de milhares de
pessoas à morte.

Para termos uma idéia do isolamento que os Incas tiveram quanto aos espanhóis,
podemos observar a cidade antiga, Machu Picchu, que só foi descoberta por
“acaso”, quando Hiram Bingham sobrevoou o local, em 1912.

O que você precisa entender dessa história dos Incas é que até mesmo um poderoso
e imbatível império pode ser destruído, por negligência e por falta de liderança.

Percebo que o excesso de “visão alienada” quanto a uma plataforma
leva desenvolvedores a cometerem certos erros, ao tentar comportar um
ambiente em outro. Dessa forma, acabam quebrando todo o escopo da plataforma e
confundindo o conceito de usabilidade com a beleza de uma aplicação, e não a sua
facilidade de utilização, que pode variar de um nicho para outro.

Se tivermos uma aplicação para determinado nicho de negócios, algumas
nomenclaturas e imagens serão comuns para os usuários dele; tendo isso
de forma organizada e padronizada, seguindo orientações de IHC (Interface Homem-Computador), a aplicação será usual, algo comum no desenvolvimento desktop e
até mesmo mobile. Porém, em aplicações web de acesso a um público amplo, as
funcionalidades da aplicação têm que ser inteligíveis para todos. Um bom exemplo
disso são os sites de relacionamento e interação, como Twitter e Facebook.

O crescimento explosivo da Web, decorrente da globalização, gerou uma série
de problemas que não existiam no mundo desktop, como a camada de
apresentação. Hoje se perde muito tempo implementando a apresentação em
detrimento ao domínio, que é o verdadeiro problema que um sistema de informação
deveria resolver. É semelhante à visão que os incas tiveram em priorizar ouro e prata, deixando de lado as técnicas de
agricultura que garantiam sua sobrevivência, terminando como alvos do seu próprio golpe.

Da mesma forma que impérios não são perpétuos, tecnologias também não são.
Um império é o misto de diversas culturas. Analogamente, tecnologias são um
misto de outras muitas antecessoras, que possuem suas próprias características.
Os incas se isolaram na sua visão unívoca, de que eles eram os donos do ouro,
porém sem alimento não teriam como viver. Assim, aplicações sem clientes também
não sobrevivem. Cliente satisfeito é o que tem uma aplicação que atende à necessidade do seu negócio de forma total e em tempo hábil.

Enfim, precisamos analisar a necessidade do cliente e a melhor forma de
implementar uma solução visando aos pontos fortes, necessários para o sucesso da
aplicação. Não podemos dizer que desktop morreu, pois alguns dos maiores
limitadores no desenvolvimento desktop, como infraestrutura e manutenção, têm
se minimizado com o avanço tecnológico. Nem mesmo podemos dizer que a web
reinará para sempre, ou que mobile será o novo império. É uma questão de
escopos e em cada um deve-se ter uma visão para a sua implementação.

Pensemos
um pouco a respeito.

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8 Comentários

Olá Márcio,

Acredito que ainda temos uma visão bastante que todos os usuários devam conhecer GIS e muitas vezes não nos preocupamos em manter nosso foco no foco do cliente, ou melhor, no negócio do cliente.

Abraços,

Rodrigo

Flavio Ferreira

Seja Mobile,Desktop ou somente web !! Devemos sempre mostrar ao nosso cliente a melhor maneira de resolver o seu problema !!

E a internet hoje participa de todos esse modais.

http://www.ifranca.com.br
http://www.lokamisa.com.br
http://www.bwnweb.com.br

Sinceramente, não entendi direito o propósito do artigo. Creio que a analogia utilizada não esclareceu de forma coerente o tema proposto.

O artigo apresentou um tema importante no mercado de TI. Mas infelizmente o texto fantasiou demais e pouco esclareceu. Mas valeu a intenção.

pelo contrario, acho que a analogia foi perfeita, principalmente para mim que nao sou desenvolvedor, mas trabalho na interacao cliente-empresa, onde pude ver os desenvolvedores acharem que a aplicacao deles era perfeita e “imexivel”, resultado os clientes nao compraram a ideia, e a empresa teve que mudar.

Tenho de concordar com Jones e H.B., esse é um artigo de inteligência impar, mas que peca na execução de analogias com desenvolvimento textual. Ao que consegui compreender do artigo, remeter ao império Inca foi uma forma de demonstrar a necessidade de adaptação para sobrevivência. Como existem mudanças constantes em todas as áreas devemos nos adequar a necessidade do cliente e não ficarmos “presos” aos conceitos antigos (isso na verdade é aconselhável para todas as áreas).
Na verdade é um artigo que se repete com certa frequencia devido a extrema necessidade de novidades adequadas ao crescente “boom” da tecnologia/ consumidor. Apesar de discordar veementemente da “morte” do desktop, que não podemos afirmar o reino eterno da Web e nem ao menos da ascenção do mobile. Todos são um único conjunto, todos são parte de uma evolução e essa evolução constante aprimora a anterior e não inicia um reinado enquanto o anterior entra em desuso.
Gostaria também de fazer um comentário que pode até soar estranho nesse site, mas os comentados, Facebook e Twitter, são sites de relacionamentos que expõe o usuário e invadem sua privacidade COM o seu aval. Pessoas postam (twitam caso prefiram) seus pensamentos, suas vidas, suas ideologias em redes para que todas as pessoas acompanhem. As pessoas têm a necessidade de serem celebridades instantâneas e ficam extremamente exaltadas com essas tecnologias, e como creio ser uma tendência (ridícula do meu ponto de vista) acredito que essa seja a nova meca para desenvolvedores. A exploração da fama em detrimento da individualidade do ser.
Desculpem o tamanho do comentário, não sou contra essas tecnologias, elas possuem uma gama muito interessante de exploração, mas não me imagino divulgando “O que estou fazendo agora”.

Pablo Castro

Muito bom Bruno, boa analogia.
Este é um daqueles assuntos que sempre devemos nos lembrar “negocio com foco no negocio do cliente”.

“Cliente satisfeito é o que tem uma aplicação que atende à necessidade do seu negócio de forma total e em tempo hábil”

Valeu

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