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Gerência de Projetos

Guerra tecnológica: melhor solução ou é nossa opinião?

No mundo da tecnologia, problemas exigem soluções, e as soluções em geral abrem o leque para mais problemas, o que eventualmente pede outras soluções. Nesse âmbito, percebemos que tecnologia surge a todo instante. Ora, a cada problema resolvido, teremos uma solução encontrada, e nesse ciclo encontramos várias linguagens e plataformas de programação.

Nesse momento, surgem perguntas errôneas, como por exemplo: "qual é a melhor linguagem de programação?". Vamos discutir mais adiante qual seria a melhor pergunta, antes de encontrar a melhor resposta. O dilema que vivemos hoje em cada projeto foi vivido também nos primórdios da energia elétrica. Veja:

Por volta de 1890, foi anunciado um prêmio para aquele que conseguisse implementar um sistema de distribuição elétrica eficiente. Dentre os inventores que perseguiram a implementação perfeita estavam Thomas Edson e George Westinghouse, juntamente com Nikola Tesla.

Edson propunha o método de transmissão por corrente contínua, no qual em cada quarteirão haveria uma subestação elétrica para manter a tensão elétrica até os pontos necessários. Por outro lado, Tesla e Westinghouse propunham a transmissão por corrente alternada, onde a corrente era elevada a altas tensões para poder ser transmitida a distâncias muito maiores, e a cada subestação a tensão era convertida novamente.

Edson era muito famoso por suas inúmeras invenções, em especial a lâmpada. Ele não era um cientista, antes, era altamente experimental; anotava tudo o que fazia e tinha como meta criar um pequeno invento a cada 10 dias e um grande invento a cada seis meses.

Já Tesla, que era apoiado por Westinghouse, estudou nas melhores universidades e era conhecido pelos seus métodos inovadores e ousados; ele anotava somente o necessário; chegou a trabalhar com Edson quando fora para os EUA, porém isso não perdurou.

Edson, pressionado pelos seus clientes quanto à mudança para corrente alternada, empreendeu diversas campanhas publicitárias para tentar convencer a população de que a corrente alternada era um risco, e não uma solução. Em meio a essa guerra travada, Westinghouse propôs a Edson uma parceria, para que juntos pudessem construir o melhor meio de transmissão; Edson sequer o respondeu.

A dupla Westinghouse e Tesla ganhou a licitação para apresentação na feira de Chicago e, devido a isso, Edson proibiu a utilização das suas lâmpadas, levando Tesla à implementação de uma nova lâmpada para utilizar na apresentação - que foi um sucesso: toda a cidade iluminada e a premiação das Cataratas do Niágara garantida a eles. A corrente alternada se popularizou, sendo um método de transmissão utilizado no sistema elétrico conhecido nos nossos dias.

Podemos ver semelhanças entre o que houve na guerra elétrica com o que vivemos nos dias de hoje, estamos em meio a uma corrida para o melhor desenvolvimento, as melhores tecnologias e os melhores métodos que propiciem o desenvolvimento em custo, tempo e qualidade satisfatórios. Afinal, qual é a melhor linguagem? Qual o melhor método de desenvolvimento de software?

Acho que não existe uma resposta única para cada pergunta. Creio que as linguagens que temos à disposição e as metodologias que podemos usar para implementar softwares devem ser utilizadas no momento oportuno. É uma questão de estratégia, muito mais do que um assunto de preferências pessoais. Ou seja, não há melhores e piores, mas sim o mais adequado.

Encontramos no mercado de TI profissionais com estilos como Edson e Tesla: percebe-se que Edson tinha uma metodologia parecida com o Scrum, no que condiz às metas de implementação; por outro lado, ele era altamente documental. Já Tesla era simplista, documentava o necessário e tinha  seu foco voltado para resultados. Ambos foram gênios que fizeram grandes descobertas na História, mas o que fica muito explícito na "guerra elétrica" foi o ego: Edson sabia que a corrente contínua não era ideal para a necessidade, mas, por ele ser "o grande Edson", não quis "dar o braço a torcer"; não foi o seu jeito de trabalhar que o levou à derrota, nem mesmo o seu conhecimento, e sim o ego. Por outro lado, as decisões ousadas por parte de Westinghouse e Tesla foram decisivas para o sucesso do projeto.

Para vermos a mesma guerra que foi travada entre Edson e Tesla/Westinghouse, basta acessarmos grupos de discussão sobre Gerência de Projetos, Engenharia de Software e Linguagem de Programação; encontraremos inúmeros "Edsons" e "Teslas" discutindo se devem aplicar Agilidade em tudo, ou usar .Net para todos os projetos, e outras discussões como essas, que não levam a nenhum lugar concreto e raramente servem para outra coisa se não expor uma opinião pessoal.

E então surgem as perguntas... "E se o ambiente for Linux? Vou forçar Mono para manter .Net  ou implementaria com Java? Será que não preciso conhecer o todo para implementar as partes?

Se for implementar uma baleia, eu não preciso saber de toda a baleia? E se eu implementar só a nadadeira, no final não correria o risco de ter uma nadadeira de golfinho para colocar em uma baleia?

Será que a mesma regra realmente pode ser sempre aplicada? Até onde nosso objetivo é fazer um bom projeto, ou será que queremos apenas fazer um bom nome? Acredito que se o projeto for bem feito, consequentemente o nome do profissional será "bem feito" também.

Até onde nosso objetivo é a solução ideal, e até onde ele é apenas a nossa opinião? É preciso refletir sobre isso.


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4 Comentários

Luana Carlos Alves
Luana Carlos Alves

Muito bem colocado , afinal desde sempre muitas pessoas se apegam as tecnologias que sabem apenas e devido a isto se amarram a elas também na hora de desenvolver os projetos , o bom é analizar oque é melhor para cada caso e ir a luta para aprender e aplicar.
Parabéns.

idelbo junior
idelbo junior

Parabéns pela matéria. Excelente.
O fato de relacionar os problemas atuais com situações históricas como essa mostra o conhecimento e cultura do autor da matéria, isso mostra que mais do que de tecnologia, o autor entende de pessoas e de soluções. Além disso relacionar a questão do ego e mostrar que as vezes o que atrapalha a qualidade final de um projeto não é a linguagem ou mesmo o método, mas sim a vaidade e falta de humildade da pessoa que está responsável por ele foi demais.
Gostei muito.

Luiz Guilherme
Luiz Guilherme

Excelente texto, muito bem colocado. Hoje temos flamewars gigantes alimentados por egos tremendos e acomodações entediantes na rede. Infelizmente não acredito que isso va acabar um dia, mas faria muito bem à nossa área.

Sostenes Mender
Sostenes Mender

Mais um formando de faculdade particular que vem apenas usando palavras porém produzindo pouco e trabalhando em empresas pequenas com projetos baratos e cheios de problemas

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