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De Volta para o Futuro II – o fim do livro de papel

Continuando a trilogia de “De Volta para o Futuro”, que começamos no artigo passado, vou pegar o Delorean e viajar através das novas tecnologias do momento: tablet e e-books. Nessa viagem, pretendo abordar um pouco sobre cada uma dessas tecnologias e o impacto delas em nossa vida, além da quebra de paradigmas que elas irão causar.

O meu ponto de partida para a criação deste artigo foi a matéria “Virtual parece real”, de Jacob, no FutureCom, que li recentemente. Nessa matéria, o brasileiro e pesquisador emérito da Universidade de Berkeley, Jean Paul Jacob, fala sobre as tendências tecnológicas para o futuro. Ele, cuja apresentação foi uma das mais concorridas na edição 2010 do FutureCom, mostrou como as novas tecnologias irão interagir com os seres humanos no futuro. Partindo do tema O Futuro: Mais SECSO para todos!, – onde SECSO seria um acrônimo para Simplicidade, Eficiência, Colaboração, Segurança e Oportunidades -, Jacob afirmou que, no futuro, cada vez mais o limiar entre o mundo dos átomos e o dos bits será menor. Gostaria de aproveitar e abrir um parênteses para mencionar que o conceito de Colaboração, muito embora antigo, figura como tecnologia do Futuro. Fico muito feliz, pois há muito tempo pesquiso e aposto nesse conceito, acredito que a colaboração abre um leque de grande oportunidades.

Segundo Jacob, hoje, produzimos mais transistores do que grãos de arroz. Coisas que à nossa percepção parecem reais, são na verdade criações digitais, citando como exemplo o vídeo dos bebês patinadores patrocinado por uma marca de água mineral e altamente viralizado no YouTube.

Ao apresentar a sequência de inovações, ele brinca dizendo: a lista de inovações parece ter sido retirada do filme Minority Report. E acrescento que também poderia ter sido retirada do desenho animado Os Jetsons.  Não seria pra menos, vejam só a lista:

  • Cartões de crédito inteligentes com tela sensível ao toque e capazes de armazenar múltiplas contas;
  • Uso de etiquetas alimentadas por radiofrequência em sistemas de pedágios e de compras em supermercados eliminando, inclusive, os caixas;
  • Celulares equipados com microprojetores capazes de colocar imagens em superfícies em vez de usar uma tela eletrônica;
  • Lentes de contato equipadas com diodos de luz e capazes de projetar imagens na retina do usuário;
  • Fim do livro de papel.

A respeito do fim do livro de papel, Jacob afirma hoje que o que temos é um monte de tinta derramado sobre um pedaço de árvore morta. As fontes nem ao menos se ajustam à visão do leitor. No final, ele concluiu: “É claro que tudo que apresentei aqui são pesquisas, nem todas elas estarão no mercado amanhã. Mas é nessa direção que caminha o nosso futuro.”

O fato é que o fim do livro de papel, a meu ver, ainda está muito distante, porém novas tecnologias para leitura podem gerar uma quebra de paradigma em relação ao livro impresso. Principalmente quando temos como base a juventude e as crianças de hoje. No meu artigo De volta para o Futuro – ou, como adquirimos conhecimento no mundo moderno, mencionei os e-books. Neste artigo, meu foco será sobre a leitura do futuro.

Para começar, vou descrever os tipos de tecnologias que permitem a leitura do futuro e que oferecem uma alternativa ao livro de papel.

A primeira delas é o e-book. A definição de e-book, segundo a Wikipédia é: “Um livro digital (livro eletrônico, ou o anglicismo e-book). Livro em formato digital que pode ser lido em equipamentos eletrônicos tais como computadores, PDAs ou até mesmo celulares que suportem esse recurso. Os formatos mais comuns de e-books são o PDF e HTML.” 

Como exemplo de equipamentos eletrônicos para leitura de e-books, temos o Kindle, leitor de e-books da Amazon. A própria Amazon também possui uma loja para venda de livros virtuais. Mas e o empréstimo de livro? Será que essa pratica tão antiga e popular será extinta com o livro do futuro? A resposta é NÃO. Por incrível que pareça, pensaram nesse detalhe e recentemente a Amazon adicionou um recurso de empréstimo de livros no gadget. Com isso, quem tem um Kindle poderá, com poucos cliques, emprestar uma obra para um amigo que também é dono de um Kindle (claro). Quem pensou na hipótese de comprar um livro virtual e ter a desculpa para não emprestá-lo, terá que arrumar outra. Eu assumo, sou dessas pessoas que empresta livro, mas fica morrendo de ciúme, pois adoro meus livros.

Outro equipamento para leitura de e-books é o Nook. Ele equipamento é fornecido pela livraria americana Barnes and Noble e sua principal vantagem é que ele é colorido.

Além dos e-books, outras tecnologias também suportam a leitura do futuro, por exemplo, smartphones, computadores (notebook e netbook) e tablets. Entre as tecnologias que citei, gostaria de enfatizar os tablets, pois são a sensação do momento.

Um tablet é um computador em forma de prancheta eletrônica, sem teclado e com tela sensível ao toque. Para ter uma idéia de como é um, basta pensar em um iPhone gigante, com tela entre 7 e 10 polegadas. Todos os tablets já saem de fábrica com conexão 3G ou Wi-Fi, ou seja, prontos para acessar a internet. O tablet da Apple se chama iPad e seu maior concorrente é Galaxy Tab, da Samsung.  

Então, qual é a diferença entre um e-book e um tablet? O tablet é um mini-computador, com tela sensível ao toque e ligação à internet, que permite enviar emails, SMS ou MMS, fazer chamadas, ler livros eletrônicos, acessar as redes sociais ou ver vídeos em alta qualidade. Ao contrário do e-book, cuja finalidade principal é a leitura de livros.

Agora que mostrei e descrevi algumas tecnologias que suportam a leitura do futuro gostaria, de falar sobre o impacto que essa nova forma leitura poderá trazer para a nossa realidade.

Em primeiro lugar, infelizmente esse tipo de tecnologia ainda é privilégio de poucos, por isso acredito que o fim do livro de papel, pelo menos aqui no Brasil, ainda vai demorar a acontecer.

Por outro lado, levando em consideração a parcela dos privilegiados pelo uso da leitura do futuro, percebe-se um enorme interesse por parte das crianças e dos adolescentes que já nasceram nessa era digital e estão livres dos padrões antigos. Para essas pessoas, a mudança de paradigma é mais transparente. Recentemente, li duas matérias que retratam bem essa realidade.

A primeira delas, “E-books podem estimular crianças a ler”, mostra que o tempo que as crianças passam lendo livros por diversão diminui conforme elas utilizam celulares e outros aparelhos de tecnologia móvel, mas os e-books (livros digitais) podem trazê-las de volta à literatura, de acordo com um estudo divulgado. O estudo, conduzido pelo grupo de mídia e educação Scholastic e pela empresa de consultoria em pesquisa e marketing Harrison Group, também concluiu que os pais estão preocupados que o maior acesso à tecnologia pode limitar o tempo de leitura ou com a família. Porém, o estudo também descobriu que a tecnologia pode, na verdade, estimular uma criança a ler. Das crianças pesquisadas, 57% disseram que ficariam interessadas em ler no e-book. Cerca de um terço delas disseram que leriam mais livros por prazer caso os e-books estivessem a seu alcance. “Se pudermos pegar um terço de todas as crianças, muitas delas leitoras forçadas, para que gastem mais tempo lendo por prazer nos e-books, esse tempo adicional gasto construindo fluência e vocabulário não só as ajudaria a se tornarem mais proficientes na leitura, mas também as auxiliaria a acompanhar textos mais complexos que elas encontrarão no ensino médio e na universidade”.

A segunda matéria, “Crianças pedem iPhone de presente de Natal”, mostra o enorme interesse das crianças por tecnologia. Imagine a cena: seu filho, sobrinho, neto, afilhado ou qualquer outra criança escrevendo um inocente bilhete. “Querido Papai Noel, eu fui bonzinho o ano inteiro. Gostaria de pedir nesse Natal um iPhone4 ou um iPad. Se não der, pode ser um iPod Touch.” Acredite, isso não tem nada de exagerado. O fato é que as crianças trocaram seus pedidos de bonecas e carrinhos por presentes tecnológicos. Foi o que revelou a pesquisa Toy Report, feita pela Duracell, fabricante de pilhas e baterias, com 2138 crianças e pais. Na lista dos 10 presentes mais desejados por crianças e adolescentes de 5 a 16 anos, oito deles são gadgets. Ainda de acordo com a matéria, é claro que isso é só um reflexo dos sonhos dourados das crianças. Muitas delas vão encontrar presentes mais simples debaixo das árvores de Natal. Afinal, nem todo adulto acha educativo dar presentes tão luxuosos às crianças ou simplesmente não tem tanta dinheiro para tal.

Na minha opinião, em situações como as descritas acima, é necessário o bom senso e o bom uso da tecnologia. É como diz o ditado: “Tudo demais é veneno.” É preciso saber dosar o uso da tecnologia, para não nos tornamos escravos dela e principalmente extrair o melhor que ela pode nos oferecer. Como mencionei em outro artigo, é preciso utilizar a tecnologia como catalisadora do conhecimento.

E, para finalizar, a pergunta que não quer calar: Será que num futuro não muito distante, o livro de papel vai se tornar uma peça de colecionador, como os discos de vinil?

BIBLIOGRAFIA

 

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Carla Oliveira

Aluna especial do mestrado em Ciências Humanas e Sociais, da UFABC, cursando a matéria Propriedade intelectual, criatividade e políticas de inovação. Pós-graduada, em MBA com Excelência em Gestão de Projetos e Processos, pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (2012). Formada em Ciência da Computação, pela FASP (2006) e Tecnóloga em Automação de Escritórios, pela Fatec-SP (2000). Trabalha atualmente na CAS Tecnologia, como Analista de Sistema, atuando como interface entre o cliente final e a área técnica efetuando o levantamento de requisitos, análise, elaboração da especificação funcional, casos de uso, diagrama de atividades, protótipos e desenho de fluxos de processos. Possui experiência na especificação funcional de projetos que incluem soluções de comunicação, dados, gerenciamento de operações, integração de software e interfaces. DESTAQUE: Participação em projetos de desenvolvimento de sistema para concessionárias de energia elétrica, desde distribuição e geração, envolvendo Energia Eólica e Energia Solar. Na CAS, trabalhou também como Analista de Qualidade, elaborando e executando planos de testes utilizando a estratégia de teste de caixa preta, com prioridade para as categorias funcionais, de desempenho, confiabilidade, usabilidade e segurança. Elaboração e execução de testes de regressão. Experiência na implantação e na homologação em ambiente de qualidade (Windows, Linux e AIX) de Sistemas Web utilizando Servidor Web Tomcat e Banco de Dados Oracle.

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11 Comentários

“Será que num futuro não muito distante, o livro de papel vai se tornar uma peça de colecionador, como os discos de vinil?”

Acredito que não. O papel é cruel com a natureza ao se comparar com os dados digitais. Contudo, um papel pode durar muito mais do que um CD/DVD (tanto que as gravadoras voltaram a produzir discos de vinil, não para colecionadores – apesar do slogan de propaganda dizer o contrário – em contrapartida com a qualidade/duração/facilidade de cópia de CD/DVDs – entenda pirataria).

Algo como o livro, ao meu ver, nunca deixará de existir. Afinal, dispositivos independente de pilhas e baterias trazem um certo conforto na falta de energia (além de que, esteticamente, uma prateleira cheia de livros impressiona mais do que uma repleta de CD/DVDs)

“Será que num futuro não muito distante, o livro de papel vai se tornar uma peça de colecionador, como os discos de vinil?”

Acredito que não. O papel é cruel com a natureza ao se comparar com os dados digitais. Contudo, um papel pode durar muito mais do que um CD/DVD (tanto que as gravadoras voltaram a produzir discos de vinil, não para colecionadores – apesar do slogan de propaganda dizer o contrário – em contrapartida com a qualidade/duração/facilidade de cópia de CD/DVDs – entenda pirataria).

Algo como o livro, ao meu ver, nunca deixará de existir. Afinal, dispositivos independente de pilhas e baterias trazem um certo conforto na falta de energia (além de que, esteticamente, uma prateleira cheia de livros impressiona mais do que uma repleta de CD/DVDs)

    Carla Oliveira

    Que interessante, não sabia que as gravadores voltaram a produzir discos de vinil. Essa sacada foi sem dúvida “Um de volta para o passado” . No entanto, a pirataria é algo muito nocivo e com certeza piratear vinil é bem mais difícil do que DVD/CD. Mas acredito que também deveria ser efetuada uma análise para baratear o custo dos DVDs/CDs, pois os altos preços também contribuem para incentivar o crime da pirataria.

    Outro ponto positivo que você destacou é a questão da durabilidade do papel, isso sem dúvida é um fator muito importante.

    Muito obrigada pelo comentário.

Na minha humilde opinião, o “fim” do livro diferente do pensamento da maioria, não será substituído por motivos ecológicos, mas por uma evolução natural do ser humano, as novas gerações já nascem no mundo tecnológico, a iniciar dentro da própria maternidade, onde, já se utiliza pulseiras digitais.

Logicamente que é um outro mundo, onde as crianças estão dominando de forma assustadora, basta observar que muitas com idade de 5 anos já possuem celulares, muitos inclusive ajudam os pais a utiliza-los.

Seriamos levianos em negligenciar essa evolução que isso não vai acontecer, é inevitável, aguarde pois ainda estamos no inicio da TV Digital. Muito mais vem por ai.

Carla Oliveira

Pois é Almir, na matéria mostrei estatísticas que compravam que essa nova geração de crianças e adolescentes estão muito mais a vontade com a tecnologia da informação do que a nossa geração, pois eles já nasceram inseridos neste contexto.

Com certeza para uma criança de agora é muito mais fácil lê livros em e-books e tablets do que para uma pessoa que está acostumada com os livros tradicionais. Para as pessoas que gostam de livro é uma grande quebra de paradigma, pois ela nasceu, cresceu e conviveu com o livro tradicional, tem até a questão do apego sentimental, eu por exemplo, adoro livros. Mas, a evolução faz parte da nossa história e cabe a nós estarmos aptos para acompanhá-la.

O livro deixar de existir, praticamente impossivel, nao acredito nisso, por mais que ele nao se “auto ajuste”, as pessoas nao vao deixar de ter um.
Nem mesmo os jornais e revistas deixaram de existir, pode diminuir, mas deixar de existir jamais.
Por exemplo, o japao, com alto indice de tecnologia é um dos lugares com mais resistencia a revistas, jornais e livros digitais, e isso pela classe mais jovem (isso foi publicado na exame).
E outra, as proprias empresas tem receido devido a pirataria!

Carla Oliveira

Carlos, da minha parte eu te garanto que enquanto o livro existir eu terei um. Sou amante e apreciadora dos livros.

Você e o David mencionaram a questão da pirataria isso realmente é um ponto preocupante nesse meio digital. A copia de livros também é possível, no entanto a facilidade e quantidade de pirataria no mundo digital é muito maior.

Não sei te dizer se com a evolução humana, velhas tecnologias seriam substituídas. Não acredito que o mero surgimento de algo novo substituiria outro, mesmo com o quesito tempo.
Digo isso pois gosto de música e nesse meio microfones de válvula ainda dominam (apesar de serem caros). É a mesma coisa com o vinil e o CD/DVD. Apesar de gravar mais dados nas mídias digitais, o audio de um vinil (analógico) não possui nem comparação.
Para sustentar o que disse antes (e agora), seguem umas notícias interessantes:

http://whiplash.net/materias/news_861/111456-legiaourbana.html
http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3439276-EI4799,00.html

Além do fato de algo ser melhor, mais prático e tudo o que puder oferecer, não podemos esquecer o fator cultural. Falar que algo está fadado ao passado é como parafrasear críticos de tecnologia que diziam “Quem assistiria pessoas em uma caixa de madeira se temos teatro?” ou “Quem carregaria um telefone se em cada esquina possui um e mesmo assim não é usado?”. Apenas o tempo nos dirá se estamos certos ou errados.

Carla Oliveira

David, muito obrigada pelos links. Adorei a volta da Polaroid na versão digital.

Quanto ao fim do livro de papel, apesar de acreditar e ter esperança de que ele não vai acabar, concordo com você quando disse que apenas com o tempo é que teremos esta resposta.

Mas meu objetivo ao escrever este artigo foi justamente levantar estas discussão e novas idéias. Estou muito contente pelo retorno.

Impossível negar a facilidade que os digitais trazem. Ter a possibilidade de colocar vários livros inteiros dentro do celular que tu carrega no bolso é sensacional, pelo contrário tu fica refém de baterias que se esgotam muito rápido (dependendo do que estiver em uso no aparelho). Imagina a frustração que seria chegar em um ponto emocionante do livro e acabar a bateria do teu dispositivo?! E pior, se estiver em um lugar que não consiga carregar!
Como jogador de RPG também vejo empecilhos, fácil ver vários livros rodando as mãos da galera ao mesmo tempo, mesmo tendo vários aparelhos seria chato e talvez demorado ficar emprestando os livros via os dispositivos.
Já para os novos, mesmo que fosse barato e todos tivessem iPhone (exemplo), duvido que colocariam livros, está mais para usar o Messenger, facebook e Twitter!
Acho difícil o livro tradicional ser eliminado, talvez para algumas gerações futuras!

    Carla Oliveira

    Victor, você levantou um item muito interessante, a bateria. Concordo com você, já pensou, no meio de uma leitura muito interessante e a bateria acaba. Frustante!

    Agora quanto a questão do empréstimo, eu achei interessante o empréstimo virtual, mas até o momento somente o e-book da Amazon permite isso.

    Pois é, Vida longa aos nossos queridos livros!

Qual a sua opinião?