Porque planejar o futuro é mais fácil do que planejar o agora?

PorBelchior Palma em

Esse artigo
surgiu baseado em uma provocação ocorrida há alguns meses atrás, ao estudarmos
análise qualitativa, estávamos com problemas altamente complexos que envolviam
dezenas de restrições e sempre com a missão de simular o maior retorno possível
sobre um determinado mix de produtos considerando uma economia pós keynesiana
com eventos sazonais e ciclicos, quando surge um dilema de prever um cenário
econômico ao qual contemplasse uma visão otimista e uma pessimista de uma
determinada industria. Quando em meio ao caos surgiu a seguinte frase:

 

“É mais fácil fazer o plano de negócios[1] e prever o que vai acontecer daqui há 5
anos do que saber o que acontece hoje na minha fábrica, se o presidente da
empresa me pedisse para falar qual a previsão de vendas para esse mês estaria
fadado a incerteza e ao erro muito maior do que daqui à 5 anos!”.

 

Diante dessa
provocação comecei a refletir e pensei em porque isso acontece de modo
frequente na maioria das organizações e porque é tão dificil saber o que se
passa no presente, como é dificil planejar as vendas do dia do que as vendas do
mês corrente, como é mais fácil planejar a venda do ano do que a do mês, e hoje
depois de participar de um evento na fundação e diante de outra provocação
baseada também em um plano de perspectivas futuras, foi direcionada uma
pergunta ao palestrante, e lhe foi questionado sobre quais eram seus sonhos
atuais, quais seriam os seus próximos passos, ele começou a contar uma história
sobre os campos de concentrações e as pessoas que na verdade estavam nesses
campos e quais eram alguns de seus sonhos, para refletir tal pensamento
acredito ser interessante pegar alguns trechos de pensamentos de alguns
pensadores para simplificar a explanação, abaixo o trecho do pensamento de
Darwin sobre a teoria da evolução:

Charles Darwin, em seu livro “A
origem das espécies”[2]
que é considerado um dos livros mais importantes da história da ciência, que
apresenta a teoria da evolução ao qual é base de toda a biologia moderna, nesta
proposta, Darwin propõe
que as espécies se originam por processos inteiramente naturais, e contradiz a
crença religiosa da criação divina, tal como é apresentada na
 Bíblia, no
livro de
Génesis.

“Quem sobrevive não é o mais forte ou o mais
inteligente e sim quem melhor se adapta as mudanças. Charle Darwin

 

Freud[3]
atráves da psicanálise, baseada nos estudos mais enigmáticos que tangem o inconsciente[4]
do ser humano. Inicialmente, interpretando os sonhos de seus pacientes e
posteriormente os seus próprios. Paralelamente a esta investigação do
microcosmo do ser humano, este constrói uma ponte teórica entre o ser humano e
a civilização, não deixando de identificar uma forte relação causal entre o
sofrimento neurótico do ser humano e o próprio processo civilizatório em que o
mesmo está imerso, nos remete a própria agregação com a teoria proposta por Edward Lorenz[5]
onde posteriormente veio a ser base para a teoria do caos[6],
onde seguindo a mesma linha de raciocinio temos Galileo, Newton e Laplace onde
Galileo introduziu algumas das bases da metodologia cientifica presas a
simplicidade, Isaac Newton com a Mecânica Determinística Clássica com suas
famosas equaçoes diferenciais sendo elas lineares e não-lineares, e Laplace com
a teoria das probabilidades e posteriormente em 1880 Henri Poincaré[7]
simplificando com os sistemas dinâmicos não lineares explicando mais claramente
o que vem a ser o caos, objeto de nosso exemplo.

 

“Imagine uma situação hipotética onde existe um
cenário onde prevaleça o caos e em meio esse caos a vida humana esteja em
risco, se adotarmos a linha de pensamento de Freud e Darwin, onde a teoria da
evolução possa acontecer baseado não somente no individuo ao qual seja o mais
forte, mas também o que tenha maior poder de adaptação e consiga abstrair de
seu consciente o verdadeiro eu, em outras palavras, sobreviverá por mais tempo
o indíviduo que conseguir se adaptar aos meios físicos. Indo na contrapartida de
Freud um outro pesquisador ao qual não me recordo o nome fala exatamente o
contrário, que sobreviverá por mais tempo a pessoa ao qual possuir o maior
controle da mente, reconquistando o verdadeiro “eu”, baseado em seu insáciável
inconsciente, digamos nesse caso o indivíduo que ainda conseguir sonhar com o
futuro, em outras palavras levando em consideração o exemplo do campo de
concentração, à pessoa ao qual não terminou o que começou, podendo citar por
exemplo um pintor, que não tenha desenhado a sua obra prima ou um simples
quadro que ainda não tenha terminado, um músico que não ainda não teve
condições de compor sua sinfonia, um amor que ainda não tenha sido encontrado,
em outras palavras uma pessoa que ainda não conseguiu cumprir toda sua missão,
mesmo que esta seja em função de viver um dia a mais.”

 Uma teoria relativamente controvérsia a teoria
Freudiana mas que reflete a visão de que as pessoas dentro de um campo de
concentração mesmo sabendo que iriam morrer em breve, poderiam vir à falecer
muito antes do prazo final, simplesmente por estarem muito mais abatidas e sem
uma perspectiva de sonhos futuros. Isso foi um tema que desencadeou uma
provocação no modo de analisar os fatos, principalmente na fase inicial de
planejamento, sendo ele de curto ou longo prazo, na verdade as ferramentas qualitativas[8]
nos permeiam um norte estratégico não necessariamente que seja a melhor opção,
mas um caminho que pode ser seguido, baseado em uma taxa de risco[9]
esperada, sem muitas surpresas. Tal solução nos remete a pensar em estratégias
baseadas simplesmente  em previsões
permeadas por alguns indicadores. Se podemos usar indicadores para minimizar os
riscos de um futuro baseado no caos e estruturados em uma árvore de
decisão
[10],
podemos também aplicar tais conceitos ao presente, cada item que puder ser
mensurado e posteriormente ser colocado de modo linear[11],
então pode ser comparado em uma regressão linear[12]
e consequentemente otimizado. O único problema dessa minha teoria é que devido
a própria ação ocorrer em tempo real, exige-se um processamento constante em
função do tempo, em tempos de cloud
computing
[13]
fica tudo muito mais fácil para área de tecnologia sendo processamento não mais
um fator de gargalo e sim um objeto estratégico ao qual permite cada vez mais
otimizar processos e reduzir custos inerentes ao risco, um exemplo por exemplo
é a constante otimização do processo de fabricação antes baseado apenas nos
moldes de Taylor[14]
hoje com um viés muito mais especialista com menos falhas, maior produção e
menor custo. Uma antiga visão ao qual não reflete mais a realidade a antiga restrição
tripla
[15]
cada vez mais sendo quebrada por paradigmas que contém inovações voltadas cada
vez mais para a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e novos
produtos que permitem fazer mais com menos.

———————-

[1] Plano
de negócios
 (do inglês Business
Plan
), também chamado “plano empresarial”, é um
documento que especifica, em linguagem escrita, um negócio que se quer iniciar
ou que já está iniciado.

[2]
Nesta obra Darwin basicamente
começa falando da importância de sua
 viagem ao redor do mundo a bordo do navio HMS
Beagle
, principalmente suas
observações sobre a distribuição das espécies na
América
do Sul
 e as relações geoléogicas dos habitantes atuais e
passados desse continente. Darwin também menciona a importante contribuição de
 Alfred Russel Wallace, co-descobridor do mecanismo da seleção natural, e
a apresentação conjunta desse mecanismo na
 Sociedade
Lineana
 de Londres por Charles
Lyell
 e Joseph D. Hooker em 1858. Darwin critica o livro Vestiges of the
Natural History of Creation
, um best-seller publicado anonimamente em 1844, que falava da
transformação das espécies, mas que não apresentava uma explicação para tais
mudanças. Darwin ressalta que A Origem das Espécies é somente um resumo de suas
idéias.

 [3] Sigmund
Freud (nascido Sigismund Schlomo Freud. 6
de maio
de 1856
23 de setembro de 1939)
foi um médico neurologista austríaco
e judeu,
fundador da psicanálise.
Freud nasceu em Freiberg, Morávia,
na época pertencente ao Império Austríaco; atualmente a região é denomimada
Píbor,
na República Tcheca.

[4]
Freud procurou uma explicação à forma de operar do
inconsciente, propondo uma estrutura particular. No primeiro tópico recorre à
imagem do iceberg em que o consciente corresponde à parte visivel, e o
inconsciente corresponde à parte não visivel, ou seja, a parte submersa do iceberg.
De sua teoria ele estava preocupado em estudar o que levava à formação dos
sintomas psicossomáticos (principalmente a histeria, por isso apenas os
conceitos de inconsciente, pré-consciente e consciente eram suficientes).
Quando sua preocupação se virou para a forma como se dava o processo da
repressão, passou a adotar os conceitos de id, ego e superego.

[5] Edward Norton Lorenz (West Haven, 23 de Maio de 1917  Cambridge, 16 de Abril

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