A transmissão do sinal de TV é feita por broadcast , isso significa que a mesma informação é enviada para muitos receptores ao mesmo tempo. Além disso, na arquitetura do sistema da TV analógica, a comunicação é sempre unidirecional (emissora - receptores) .

Mensurar audiência em um sistema com essa arquitetura fica realmente difícil. Como saber o que cada telespectador está assistindo se não existe a via de comunicação receptor - emissora? A estratégia utilizada para abordar um problema desse gênero geralmente é a inserção de um agente externo para intermediar a comunicação e coletar dados.
Na TV analógica isso é realizado, principalmente, pelo Ibope - empresa que domina as pesquisas na área -, com a utilização de um equipamento instalado na residência do telespectador. Porém não é difícil imaginarmos que num país populoso como o Brasil poucos telespectadores tenham contato com tal equipamento.
E você, possui ou conhece alguém que possua o aparelho do Ibope para medir a audiência dos canais de TV aberta? Sabe como a medição de audiência na TV aberta é realizada?
Apesar dos termos "pontos de audiência" ou "pontos do Ibope" serem recorrentes em vários programas da TV aberta, provavelmente sua resposta foi não para pelo menos uma das perguntas acima. Isso porque boa parte da população desconhece o funcionamento do PeopleMeter, o aparelho utilizado pelo Ibope para medir a audiência.
Nesta reportagem da Folha.com (assistam ao vídeo), a Sra. Dora Câmara, diretora comercial do Ibope, explica o funcionamento do sistema e apresenta alguns dados sobre a quantidade de aparelhos utilizados para a medição da audiência na TV aberta.
É interessante observar que apesar de a TV aberta está presente em 98% dos lares brasileiros [1] e de ter recebido mais de 13 bilhões de reais de investimento em publicidade no ano passado [2], com 4,25% de crescimento, o que define o destino e a estratégia para a aplicação de todo esse montante é esse aparelho, que, segundo o vídeo, somam 3.765 unidades distribuídas em todo o território nacional. Num cálculo direto - e de certa forma ingênuo - poderíamos dizer que os dispositivos representam 0,002% dos potenciais telespectadores. É claro que os dispositivos são distribuídos numa amostra de público estatisticamente representativa da população, porém isso é muito pouco.
Estratégias de segmentação de publicidade como vemos na web são simplesmente impossíveis de serem implementadas. Como segmentar se não é possível mensurar e conhecer melhor o telespectador?

Com a chegada da TV digital, novas soluções para a medição da audiência são possíveis. A arquitetura do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) prevê a comunicação receptor - emissora através do canal de interatividade; isso significa que um aplicativo interativo pode enviar e receber dados pela internet. Cada emissora pode ter seu próprio sistema para medir a audiência dos seus programas. Ou, como na web com o Google Analitycs, pode utilizar um serviço que centralize tais informações e ofereça análises muito mais precisas.
Agora podemos não mais pensar na audiência como uma medida de permanência em um determinado canal. Com a TV digital, podemos expandir o conceito da audiência na TV. No vídeo abaixo, temos o exemplo de um aplicativo interativo bem simples, através do qual o telespectador pode informar se está gostando ou não do que está assistindo. Imaginem a quantidade de informação que um aplicativo como esse fornece em tempo real para uma emissora.
São muitas as possibilidades, e é evidente que estamos apenas no início. Os aplicativos que são transmitidos hoje ainda estão arranhando a superfície do potencial que a TV digital oferece, temos muito para explorar e para experimentar.
Também existem grandes desafios. Precisamos de uma verdadeira inclusão digital, com acesso à internet para todos; a base instalada de receptores com interatividade precisa crescer, e o ecossistema precisa amadurecer.
Contudo, é neste momento que os profissionais e os empreendedores de tecnologia que desejam trabalhar com TV digital devem se aproximar dos profissionais de TV, marketing e publicidade e propaganda. Será desse caldeirão (tecnologia + TV + marketing + publicidade e propaganda) que sairão as inovações desse setor. E, com certeza, o conceito de audiência na TV e a forma como ela é mensurada mudarão muito; a tendência é caminharmos para o que temos hoje na web, onde a TV enxergará cada telespectador como único.
Vamos continuar essa discussão nos comentários. Você conhecia o PeopleMeter? O que você pensa sobre esse tema?














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