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Cadê o backup?

Olá, pessoal. O recente caso de perda do banco de dados do Migre.me  fornece uma brecha para reabrir a velha discussão sobre a necessidade e os cuidados com os backups do banco de dados. Neste artigo comento sobre alguns casos de perdas de bancos de dados, algo não tão incomum assim, e indico que no cenário atual, infelizmente, ainda é preciso dar valor e investir muito para termos cópias de segurança confiáveis.

Parece simples e todo mundo que tem um mínimo de conhecimento e de experiência em computação aprende logo no começo que é preciso fazer cópias de segurança dos dados (arquivos, fotos, músicas, etc) mais importantes. Porém, na prática, o que vemos é outra coisa: casa vez mais casos aparecem onde há perda de dados, ou, em situações piores, o vazamento delas. Casos estes que possuem um potencial destrutivo considerável no ambiente corporativo.

A mais recente perda de dados relacionada com banco de dados é representada pelo caso do Migre.me. Sem entrar em detalhes específicos, o fundador da ferramenta, Jonny Ken, postou em seu blog um vídeo explicando o que aconteceu e um vídeo posterior, que falava da resolução de parte do problema.

De acordo com Jonny, toda a aplicação e seus bancos de dados estão armazenados em um servidor remoto de hospedagem, que fica em um datacenter longe da equipe de desenvolvimento. Ao que tudo indica, no contrato realizado com a empresa de hospedagem havia uma cláusula que especificava a realização de backups, porém não havia informações a respeito de onde esse backup deveria ser armazenado. O vídeo cita que houve uma falha de hardware no storage do banco de dados e, por isso, tanto o banco de dados quanto o backup do banco de dados foram perdidos.

Não conheço pessoalmente o Jonny Ken e nem estou a par de qual foi o serviço de hospedagem utilizado e quais foram as atitudes tomadas pela equipe técnica na fatídica madrugada em que o serviço ficou fora do ar. Porém, com mais de 10 anos de experiência em banco de dados locais, hosting, co-located, virtualizados, diversas certificações na área, um título de mestrado e muitos anos de consultoria em empresas micro, pequena, de médio e grande porte, posso afirmar que, lamentavelmente, episódios como esses apenas mostram como muitas empresas e profissionais ainda precisam evoluir muito para fornecer um serviço de qualidade e que possa ser comparado com os mais altos padrões de disponibilidade extremamente necessários para os serviços de missão crítica.

Quando soube pela primeira que o problema desse episódio foi relacionado ao banco de dados logo me lembrei de uma coluna que escrevi em 2008 aqui no iMasters, chamada Diário de um DBA. Não por coincidência, nessa coluna reporto de forma bem humorada o estado precário de diversas empresas no que diz respeito ao banco de dados. Destaco até que, às 15:20, o protagonista desse relato entra em contato com o datacenter para discutir uma estratégia de backup falha e que precisa ser modificada.

Aliás, hoje em dia qualquer empresa que trabalha seriamente e que compreende a responsabilidade de lidar com dados de missão crítica não pode mais se dar ao luxo de fornecer soluções de backup que não funcionem justamente na hora mais necessária. Alegar falta de soluções não é mais o tipo de desculpa que possa ser utilizada, pois atualmente contamos com tantas soluções, de hardware e de software, que realizar backups deveria ser tão trivial quando salvar um arquivo em um disco. Eu, inclusive, já escrevi um artigo para a revista SQL Magazine sobre backups em fita (novamente, algo primário para quem trabalha em um datacenter) e estratégia de backups. Diversos fabricantes de hardware já fornecem soluções completas para tanto. E uma rápida pesquisa no Google utilizando as palavras software e backup facilmente resulta em mais de 70.000 resultados. Isso sem levar em consideração que qualquer curso básico de administração de banco de dados, independentemente da tecnologia, fornece ao menos um capítulo sobre backup e restore.

Com tudo isso, por que ainda temos diversos casos de problemas com backup, ou seja, problema na utilização de backups justamente quando eles mais são necessários? Ora, em minha opinião, não podemos esquecer-nos de colocar o fator humano na equação. Para algumas pessoas é muito cômodo deixar de se preocupar com algo que raramente vai ser utilizado. Em uma estatística que eu mesmo montei baseado em minhas consultorias, raramente um backup deve ser utilizado para reconstruir um banco de dados. Mas isso não quer dizer que ele não deve existir! Aqui entram questões como procedimento, investimento, conscientização e aculturamento. Sem contar que muitas vezes a equipe de desenvolvimento não dá o devido valor ao banco de dados. Novamente, já cansei de encontrar equipes e pessoas que, mesmo com bancos de dados de respeito e tamanho considerável, simplesmente acham que o banco de dados não precisa de manutenção e que ele funcionará eternamente bem, ao passo que o sistema é modificado constantemente. Tristemente é nesse tipo de cenário no qual mais forneço consultoria de banco de dados: geralmente quando a situação já se encontra crítica com problemas de desempenho, falta de recursos, nível zero de disponibilidade e desapego total ao banco de dados. Parece que o assunto não é sério, mas infelizmente ainda vejo muitos profissionais agirem como bombeiros que saem correndo para apagar o fogo antes que ele se espalhe.

Além disso, também é preciso testar o backup. Lembro-me de que em uma das edições do iMasters InterCon fui convidado para participar de uma mesa de discussão a respeito de segurança de software e, naquela ocasião, fiz a seguinte pergunta para a platéia: quem aqui faz testes periodicamente de backup? Infelizmente obtive poucas respostas afirmativas. Pensem naqueles filmes de adolescentes dos anos 80 (sim, inclusive o clássico de sessão da tarde Curtindo a vida adoidado), onde dá para ver claramente como os americanos são preocupados com isso: eles periodicamente agendam testes de saída para incêndio. O objetivo é verificar em quanto tempo as pessoas demoram para sair da escola/empresa caso os principais meios de acesso estejam bloqueados, como elevadores. No teste cronometra-se o tempo gasto para que todos consigam sair de forma organizada e ordenada. Esse tipo de atitude é paralela a testar periodicamente o backup mesmo que todos os sistemas estejam OK, pois assim fica-se preparado para o dia em que alguma coisa de errada acontecer.

Para terminar, casos como o do Migre.me mostram o quão despreparados algumas empresas e profissionais estão no que diz respeito a situações adversas, sejam falhas de hardware, invasão, monitoria ou mesmo preocupação com alta disponibilidade. Cada vez que tomo ciência de um episódio dessa magnitude (nacionalmente ou internacionalmente) fico preocupado e ao mesmo tempo triste em saber que erros primários como esses ainda ocorrem em qualquer tipo de aplicações, sejam voltadas para a Web ou desktop, com bancos de dados relacionais, OLAP ou que utilizam tecnologia NoSQL.

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9 Comentários

No meu sistema, toda vez que o usuário pretende sair do aplicativo, aparece uma tela para clicar e efetuar o backup. Mas o usuário não gosta de colocar o pen-drive toda vez. E quando faz a cópia. Ainda deixa o mesmo grudado na própria máquina. Se alguém roubar o computador vai levar junto. rsrs. Se pegar fogo no local já era também. CD e DVD é mais complicado ainda. Por isso desenvolvi um replicador que replica os dados do banco de dados para meu servidor. Nesse caso além de ser instantâneo, ainda faço outra cópia diária.

    William Oliveira Ferreira

    Eu recomendo a você verificar a possibilidade de agendar a execução atomatizada de sua rotina de backup, para tornar sua rotina independente do usuário. Caso use o MySQL como database, o SGDB tem o comando mysqldump que pode ser usado para fazer o backup de um banco de dados específico ou todos os bancos disponíveis do SGDB. Junte o MySQLDump com o Agendador de Tarefas/Crontab e seus backups serão executados independentemente dos usuários

Excelente estratégia Carlos Clay. Quando roubarem teu computador também vão estar roubando a base de dados do teu cliente e todos os backups…

    É fácil responder isso Jack Baranhas, sendo que nem sabes aonde o meu computador está.

Sem dúvida o caso impressiona, ainda mais pela origem do protagonista, expert emTI.
Mas acredito que não degrine sua imagem, apenas põe foco na importancia da execução correta do backup.

Imaginem quantas empresas de outros setores, como contabilidade, advocacia, etc, que não tem o foco em TI, que estão na mesma situação, com o backup em risco, sem nem imaginar o tamanho do problema que podem enfrentar caso percam seus dados.

Embora já existam muitas opções para resolver esta questão, como empresas de backup online.

Uma delas é a Ktree Backup – http://www.ktree.com.br, referência no mercado nacional. Além de resolver a questão do backup de uma vez por todas, você tem suporte em português e não precisa se submeter a contratos de Adesão. É muito mais segurança para o consumidor.

Utilizo aqui na empresa a solução de backup online gBackup, funciona perfeitamente em Linux, Windows, MAC.

Faço o backup de nosso banco de dados SQL e Oracle, documentos e planilhas.

Recebo relatórios por email de todos as rotinas de backup. Recomendo.

Envio VPN!

100% Seguro!

http://www.gbackup.com.br/

Fiquei triste pelo Jonny Ken.

A perda de dados acontece por várias razões: falhas humanas, panes elétricas, inundações.

Deve-se ter todo o cuidado possível e claro ter várias opções de backup na empresa. Uma das ferramentasque utilizo é a ferramenta gBackup.

Ela tem interface amigável, simples de configurar e eficaz naquilo que se propõe a fazer.

Sou cliente há cerca de 1 ano e não tenho problemas quanto ao meu backup.

Qual a sua opinião?