
Há alguns meses atrás, em um grande evento voltado para profissionais da área digital, fiz uma pergunta a um dos palestrantes, um grande nome, diga-se de passagem. Queria entender como ele, em seus mais de 20 anos de atuação na web com cases mais do que premiados, conseguia vender, para marcas de vários segmentos, a necessidade imperiosa de atuar no mundo digital em pé de igualdade com a mídia offline, abrir canais de diálogo com o público, ouvir e se dispor a entrar neste embate onde o poder da influência unidirecional não existe. Como ele mantinha em sua cartela de clientes marcas que, por tradição, não segmentavam investimentos para as mídias sociais e fizeram com ele. Enfim, como precificar, convencer e trazer para sua agência uma grande conta falando unicamente de investimento digital?
Se a pergunta foi dura, mais pesado foi achar uma resposta. O assunto ganhou o interesse de mais palestrantes que se uniram para dar suas versões para uma pergunta simples aparentemente. Como precificar sua ação digital, justificar com resultados para seu cliente e no fim conseguir fechar o negócio? Alguns mostraram uma verdade: A web hoje é feita de resultados. O tempo das aventuras se foi com a Bolha e ações sem indicadores de performance bem amarrados e claros são expelidas. Outra questão é de abordar marcas que são suscetíveis à uma estratégia digital, que possuem estrutura para a entrada nesse mundo tão Marxista. Nem todas estão prontas e nesse momento a agência precisa mostrar isto, ainda que perca. Pontos importantes com certeza, mas que não responderam minha pergunta. Como eles conseguiam convencer tantas marcas a se engajar nesse mundo 2.0?
Depois de ouvir tantas respostas e não ter sido respondido, resolvi parar e procurar saber de outra forma. Como diz aquele velho ditado, em terra de cego quem tem um olho é rei. “O que esses caras possuíam que os outros não?”, pensei. A resposta estava ali, na apresentação de cada um deles. Cases de sucesso.
E quando falo cases, não me refiro somente às grandes marcas que compõem o portfólio dessa gente. Falo de grandes idéias, que sempre foram e serão o norte para alguém que deseja entrar e se estabelecer no mercado da comunicação. Idéias que foram sabiamente defendidas e argumentadas, que hoje aumentam a coragem de empresas que se lançam no on line, mesmo com um índice aquém da realidade que o ambiente pode proporcionar. Idéias que não copiam idéias, não adaptam pensamentos da publicidade tradicional. Aquela velha estória do pedido clássico daquele viralzinho, usando a mesma mensagem da campanha da TV. Sim, isso fez e faz a diferença nesses que estão no topo da comunicação digital do Brasil.
Depois que encontrei a resposta, vi o porquê da dificuldade desses grandes profissionais me responderem. Não foi por falta de conhecimento, nem por não entenderem. Na verdade, ou melhor, na maioria das vezes, achamos que o complicado pode fazer a ocasião e embasar alguma coisa quando nossa missão como profissionais digitais é mastigar essa argamassa chamada web para todos, até para quem já conhece. No final todos saem aprendendo, principalmente nós.
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