Seções iMasters
Carreira + Gerência de TI + Mercado

Compartilhando conhecimentos na área de TI

Olá, pessoal. Na coluna desta semana vou comentar sobre o compartilhamento de conhecimentos. Com um pouco de experiência no assunto descreverei alguns aspectos de aprendizado e compartilhamento de conhecimento que encontrei durante minha carreira na área de TI.

O compartilhamento de informações é algo crucial hoje em dia, principalmente na área de TI, na qual as coisas mudam muito rapidamente. Conforme trabalhamos, nos deparamos com diversos desafios que requerem trocas de informações e conhecimentos entre as pessoas.

Durante a minha carreira já encontrei diversos tipos de profissionais, desde aqueles que fazem questão de compartilhar o que sabem até aqueles que são vampiros, ou seja, que sugam o seu conhecimento e não lhe dão nada em troca. Naturalmente é normal encontrar todo tipo de atitude quando se trabalha em uma área de alta tecnologia em que cada vez mais é preciso contar com especialistas no dia-a-dia.

Ao invés de falar mal ou bem sobre um determinado comportamento vou focar uma parte deste artigo na questão da aprendizagem. Com certeza esse é um assunto muito importante e que cada vez mais está ligado ao compartilhamento de informações e ao comportamento dos profissionais que as detêm. Sem contar que os iniciantes na área (seja em TI ou em banco de dados) se sentem perdidos e freqüentemente pedem ajuda para quem já possui um pouco de experiência. Por isso discutirei alguns aspectos sobre o aprendizado, o que é raro de se encontrar na internet e que pode ajudar muitas pessoas que desejam começar na área ou que pretendem voltar a estudar.

As pesquisas recentes na área de educação vêm indicando que cada pessoa aprende de maneira diferente. Isso é chamado de estilo de aprendizagem e, para facilitar, os pesquisadores classificaram os estilos de aprendizado em três tipos.

Uma maneira de tornar o seu tempo de estudo mais eficaz é pensar sobre como é a melhor maneira que você aprende. Todo mundo possui técnicas que são utilizadas para tornar mais fácil o estudo e lembrar as informações que foram aprendidas. Considerando o uso destas técnicas, é possível classificar o estilo de aprendizado em visual, auditivo, kinético ou qualquer combinação destes três. Para auxiliar o leitor que não sabe bem qual é o seu estilo de aprendizado, abaixo são apresentadas três perguntas que podem determinar o estilo de aprendizado dominante.

1. Se você tem que aprender uma palavra estranha, o que você faz?

a) Tentar visualizar a palavra na sua mente

b) Repete a palavra em voz alta diversas vezes

c) Escreve todas as letras da palavra com seus dedos ou no papel

2. Quando você conhece novas pessoas você se lembra delas principalmente por:

a. Suas ações e maneiras

b. Seus nomes (você tem dificuldade para lembrar faces)

c. Suas faces (você tem dificuldade para lembrar nomes)

3. Dentro da sala de aula, você prefere:

a. Anotar informações, mesmo se você não as ler depois

b. Ouvir cuidadosamente cada palavra dita pelo professor

c. Sentar perto do professor e observá-lo durante a aula

Uma pessoa cujo estilo de aprendizado dominante é visual provavelmente deve escolher as alternativas A, C e C para as três perguntas, nesta ordem. Para alguém cujo estilo principal é auditivo as respostas devem ser B, B e B. Quem responder C, A e A pode ser considerado kinético. Outras respostas indicam que não há um estilo de aprendizado dominante, ou seja, a cada situação o estilo de aprendizado é diferente.

Quem possui o estilo de aprendizado dominante visual possui as seguintes características: gosta de leitura e geralmente consegue soletrar corretamente as palavras. Contudo, possui alguma dificuldade para receber instruções orais e não presta muita atenção a discursos ou palestras quando o assunto não é de seu interesse. Quando a pessoa é considerada visual, ela prefere visualizar as informações na forma de tabelas, gráficos ou desenhos ao invés do texto puro durante o estudo.

Uma pessoa que possui o estilo de aprendizado auditivo prefere instruções orais como palestras, conversas face-a-face ou reuniões. Contudo esta pessoa possui dificuldades para soletrar palavras, compreender material escrito ou impresso e quando está lendo há uma tendência a repetir em voz baixa o texto para melhor entendimento. Durante o estudo é comum repetir várias vezes o que se está estudando, criando rimas, mnemônicos, músicas e versos que lembrem o conteúdo estudado.

O indivíduo que é considerado kinético de acordo com seu estilo de aprendizado não gosta de ficar parado. Dificilmente este tipo de pessoa fica sentada um bom período de tempo sem cochilar ou ficar entediado e geralmente demonstra sua empolgação batendo o pé, gesticulando ou fazendo algum outro movimento corporal repetitivas vezes. Pessoas kinéticas aprendem melhor na prática do que na teoria e preferem muito mais a técnica de tentativa e erro do que o planejamento, lendo o mínimo possível e conversando apenas o essencial.

É importante conhecer o estilo de aprendizado dominante para escolher as técnicas mais eficazes de aprendizado. Apesar da maioria das pessoas não possuir um estilo dominante, e sim uma mistura dos estilos, é comum encontrar uma preferência de um certo estilo em detrimento de outro. Abaixo são apresentadas algumas dicas de aprendizado para cada estilo, lembrando que não há uma regra que diz qual será a melhor técnica para uma determinada pessoa.

Visual: Procurar formar imagens na sua mente; Organizar as informações em cores e formatos definidos; Procurar compreender primeiro imagens, gráficos, desenhos e tabelas para só então ler o texto descritivo.

Auditivo: Repetir informações em voz alta; Procurar recursos sonoros, como áudio books e podcasts; Explicar conceitos para os outros durante conversas e reuniões; Evitar ler longos trechos de texto em silêncio durante muito tempo.

Kinético: Escrever o que acabou de aprender; Evitar muita teoria e se concentrar na parte prática; Fazer muitos exercícios, simulados, testes, provas e concursos; Procurar lembrar de cada detalhe prático quando algo dá errado.

Outro ponto importante para o aprendizado é a escolha da maneira de estudo. Recebo muitos e-mails me perguntado sobre livros, apostilas, cursos, faculdades, vídeo aulas e outros recursos. Porém acredito que cada um aprende de um jeito e o material escolhido deve levar em consideração a maneira de aprendizado. Obviamente que o material é importante, mas saber escolher qual material é mais recomendado para cada tipo de pessoa é algo crucial para o aprendizado.

Como exemplo podemos citar aqueles que preferem aprender sozinhos, também conhecidos como auto-didatas. Estas pessoas preferem livros, apostilas, exemplos de código e geralmente não gostam muito de aulas presenciais. Por outro lado temos aqueles que preferem ir até a sala de aula e ter contato com um professor, formar grupos de estudo e participar ativamente de comunidades, fóruns e listas de discussão. Aqui não há um certo ou errado, e sim características de cada pessoa.

Como professor há algum tempo, descobri que existem várias maneiras de explicar a mesma coisa. Cada uma das maneiras tem um grau de eficácia diferente dependendo da pessoa que está ouvindo e cabe a quem está explicando escolher a maneira correta. Obviamente, os resultados finais vão depender da habilidade e da experiência de quem está transmitindo o conhecimento e também de que está aprendendo. Contudo, às vezes encontro pessoas que não possuem uma postura receptiva e que assumem posições imutáveis.

Obviamente este tipo de atitude profissional evita que as pessoas conversem e troquem experiências umas com as outras, pois geralmente elas não são abertas à novas idéias. Porém podemos perceber que as pessoas sempre conversam com quem concordam, de um jeito ou de outro. Não há nada de errado nisso. É assim que avançamos.

Quando queremos debater algum assunto procuramos pessoas com quem temos coisas em comum. Se há divergências grandes demais, não levamos o papo adiante. Por exemplo, quantas vezes você conseguiu discutir as falhas do software livre com um ativista enraizado ou mesmo os problemas do software proprietário com quem respira Microsoft 24 horas por dia? Não dá, porque não há nada em comum. Você pode tentar, mas não vai convencê-los das falhas ou dos problemas. Não é confrontando diferenças radicais que a compreensão humana avança. Nós avançamos, e mudamos nossas crenças, conversando com pessoas com quem parcialmente concordamos e que estão dispostas a modificar sua opinião, pelos menos em parte, quando concordam com algo ou percebem que estavam erradas. Porém sempre existem aqueles que dificilmente vão mudar de opinião.

Alguns chamam estas pessoas de freetards ou de fanboys. Sem entrar na polêmica se isso ou aquilo é certo ou errado, basta dizer que aqueles que nunca vão mudar de opinião com certeza vão ter mais dificuldade para trocar informações e para aprender. Infelizmente este tipo de pessoa é aquela que mais vai ter dificuldade para o compartilhamento de conhecimentos, prejudicando não só a si próprio mas outros que estão ao seu redor.

Um grande abraço a todos a até a próxima.

Comente também

9 Comentários

Wellington Guedes

Olá Mauro Pichiliani,
Obrigado por compartilhar seu conhecimentos na area de T.I conosco, com certeza é uma leitura recomendada pra quem está começando.

Daniel Schiavini

Acho que cada um tem que aprender como aprender, e isso só se aprende testando a si mesmo e lembrando do passado.
Mas achei preconceituoso colocar o nome de um ramo religioso à uma atitude ruim.

Aderlan Rodrigues

Maravilhoso. Excelente artigo, muito obrigado. Não tenho acompanhado seus artigos com freqüência, mas tiro sempre um tempo para ler o maior numero possível.

Muito obrigado, espero um dia poder compartilhar o meu conhecimento com a máxima qualidade que você aplica a o seu.

Parabêns este artigo me ajudou bastante por que eu estou começando na area e fez com que eu pensa-se de uma forma diferente em relação ao meu aprendizado, pois eu estava confuso, em que tipo de profissional eu posso me tornar obrigado por compartilhar seu conhecimento.

Hélio Neves

É isso aí, gostei, conhecimento multiplicado ganha respeito dobrado.

Qual a sua opinião?